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Stephen Sondheim: A Life (1998)

Biografia escrita por Meryle Secrest
BIBLIOTECA

Sem dúvida uma das melhores leituras de 2020. A consultar e a reler, se possível. Não há muito a dizer sobre a vida privada de Stephen Sondheim, que viveu quase sempre só, esquivou-se o quanto pôde da afirmação e vivência da sua (homo) sexualidade, manteve uma relação muito tensa com a mãe (evitou quase sempre o contacto com ela, cortando praticamente com ela nos últimos anos da vida dela). Mas sobre a obra magnífica de Sondheim o livro até chega a ser breve. Para mim ele foi o maior sucessor dos grandes compositores da Broadway dos tempos áureos:  Berlin, Porter, Styne, Rodgers. Desde que escreveu as letras de West Side Story (música de Leonard Bernstein) não parou de fornecer ao teatro musical americano algumas das suas mais perenes obras: Follies, Company, Into the Woods, A Sunday with George, A Little Night Music. À excepção de Follies, vi os outros musicais em excelentes produções que muito me marcaram. O livro é rico em informações que ajudam a contextualizar essas e outras obras. Por exemplo, ignorava que A Sunday with George fora produzido na Off Broadway depois do flop de Merrily We Roll Along. Sondheim fez um musical que nada tinha a ver com o que se via na Broadway. Reinventou o musical, como já tinha reinventado 10 anos antes com Company (talvez o meu preferido dele). Sunday marcou também o início da sua colaboração com James Lapine, autor do book dos seus musicais seguintes. Antes o parceiro privilegiado tinha sido Hal Prince. Merrily... interrompeu essa colaboração e Prince teve uma segunda vida de sucesso com Lloyd Webber. Tal como Sondheim com Lapine. Excelente leitura.  VC 2020 5/5

Jule: The story of composer Jule Styne (1979)

Jule: The story of composer Jule Styne (1979)
Autor: Theodore Taylor
Ramdom House 1979
BIBLIOTECA
Jule Styne é um dos maiores compositores da América,  do cancioneiro e do teatro musical americanos. Poucos compositores tiveram tantos êxitos nas paradas de vendas como Styne. Ele formou uma dupla com o letrista Sammy Cahn que não parou de criar hits durante 8 anos, sobretudo para Frank Sinatra, o maior cantor dos anos 40 e 50. A formação de Styne é clássica, na adolescência tocava bem Mozart e Haydn, mas não pôde fazer carreira de concertista. Virou-se para a música popular, tocou em muitos grupos, dirigiu alguns, trabalhou para Al capone uma ou duas vezes. Tentou a composição e teve logo um enorme hit com "Sunday". Só muitos anos depois é que voltou à composição, quando trabalhou como vocal coach das estrelas da Fox e da Republic (onde escreveu um hit para o cowboy Gene Autry). Depois de Hollywood, conquistou a mais difícil e prestigiada Broadway. Somou êxitos: Bells Are Ringing, Gentlemen Prefer Blondes, Gypsy, Do Re Mi, Funny Girl. Mas também produzia espetáculos de outros compositores, shows para televisão e shows musicais de artistas individuais (como o marcante Sammy Davis Jr). Mesmo nos musicais de pouco ou nenhum sucesso conseguia impor canções que se tornariam standards. Deu papéis consagradores a Barbra Streisand, Ethel Merman e Carol Channing. Uma das carreiras mais brilhantes no universo do musical americano. Vila do Conde 2020 4/5 BIBLIOTECA 

Quelque chose en nous de Michel Berger (2012)

Quelque chose en nous de Michel Berger (2012)
Autor: Yves Bigot
Ed. Points 2013
Leituras 01.2020

Monsieur Barclay (Eric Lipmann, 1985)


Biografia e retrato de Eddie Barclay, que viu passar pela sua produtora Barclay quase todos os grandes artistas da música francesa dos anoss 1950 a 1970. Dalida, Brel, Ferré, Aznavour são alguns dos que fizeram da Barclay uma casa onde produziram os seus melhores discos. Muitos concordam em afirmar que a produtora era a mais francesa entre as grandes editoras da época, quase todas filiais de companhias americanas ou inglesas. O livro em si é pouco interessante, mas vale pela personagem que é retratada. Paris 09.2020 (1,5/5)

Amadeo Vives (Sol Burguete, 1978)

Amadeo Vives (Sol Burguete, 1978)
É o primeiro livro que leio sobre a zarzuela, esse género lírico maravilhoso que atingiu o apogeu em Espanha na passagem dos séculos 19 e 20. Foi precisamente quando viveu Amadeo Vives, um dos grandes mestres da zarzuela: compôs entre outros Doña Francisquita, Bohemios, Maruxa. Nasceu na Catalunha mas teve de ir para Madrid para tornar-se o grande compositor em que se tornou. VC 10.2020 (4/5)

La Musique italienne (1973)

La Musique Italienne (1973)
Autor: Nanie Bridgman
BIBLIOTECA

A Itália tem uma das principais tradições no campo da música clássica. A partir de 1600 criou vários géneros musicais ou pelo menos elevou-os a um nível que nenhum outro país conseguiu superar. O caso mais evidente é o da ópera, género italiano por excelência, que aliás nunca deixou de ser, tendo mesmo abafado toda a música instrumental durante o século 19. Esta breve história da música italiana permite ficarmos com uma ideia clara das transformações da música desde a Idade Média. Foi no âmbito da Igreja e sobretudo da liturgia que surgiram as primeiras grandes obras que até nós chegaram. Mas a música desenvolvida em contexto profano, ligada no início à vida das cortes, foi ganhando cada vez mais espaço. A ópera, que em meados do século 16 começava a libertar-se do patrocínio dos nobres e podia contar com um público pagante, tornou-se de tal modo importante no gosto das pessoas que a música religiosa adquiriu algumas das características daquele género profano. A Contra-reforma, mesmo tendo tido um representante genial como Palestrina, não foi muito positiva para a evolução da música, parece-me. Quais os compositores com mais espaço neste livrinho publicado em 1973? Não há grandes surpresas: Palestrina, Monteverdi, Vivaldi, os Scarlatti, Rossini, Verdi, Puccini. Leitura: Melun 11.2020   4,5/5

CHILE

 
Violeta Parra. O Canto de Todos (2004)

Uma antologia poética da grande Violeta Parra, a voz do Chile. Foi traduzida e organizada por António Jacinto Pascoal (editora Ela por Ela, 2004), um trabalho de paixão. Impossível não admirar esta cantora-compositora de clássicos da canção popular chilena. Percorreu o seu país na recolha de folklore (também fazia cerâmica) e incorporou esse conhecimento na sua obra pessoal de compositora. Gracias à la vida é a canção universalmente conhecidad que a celebrizou. VC 2020 (3/5)

Anarqueologia do Jazz I (1984)

Anarqueologia do Jazz I - Jazzband 1900-1960
Ensaio de Jorge Lima Barreto, 1984
Uma história do jazz, centrada na análise da linguagem e dos protagonistas desse estilo musical. O saber e o talento do autor impressionam, mas a terminologia utilizada torna o livro pouco recomendado para iniciantes. Na bibliografia portuguesa sobre música há poucos livros tão ambiciosos como este mas a interpretação do fenómeno do jazz tem evidentes e ultrapassadas marcas da época em que o livro foi pensado e escrito. VC 2020 (2/5)

THE ROLLING STONES

The Rolling Stones (Philippe Bas-Rabérin, 1979)  

Os Rolling Stones não revolucionaram o rock, não tiveram talvez descendência, mas marcaram gerações de fãs com a sua música inconfundível nascida da música negra americana, em particular do blues de Muddy Waters e Jimmy Reed e do R&B de Solomon Burke e Ottis Reding. Nos primeiros anos foram uma banda branca de versões desses géneros, versões ótimas por vezes melhores do que os originais. Depois com a consagração de Satisfaction (1965), a dupla Mick Jagger-Keith Richards encheu os álbuns de clássicos: entre os meus preferidos estão Sympathy for the Devil, You Can't Always Get What You Want, Get Out of My Cloud. O original deste livro é francês (1979), a edição que li é a portuguesa da coleção Rock On da editora Centelha (1981). VC 2020 (2,5/5)

Lady Day: The Many Faces Of Billie Holiday (1991)

Ensaio de Robert O'Meally

Lady Day: The Many Faces Of Billie Holiday é uma biografia exemplar. Robert O'Meally tenta definir a arte única de Billie Holiday, sem se perder nos pormenores biográficos que tanto têm sido utilizados para justificar o génio da cantora. Billie Holiday inspirou-se em Bessie Smith e em Louis Armstrong, mas também no talento dos músicos com que trabalhou de perto, para esculpir a sua forma de cantar, de apropriar-se das canções de Tin Pan Alley e dos musicais. Poucos se atrevem a pegar em nas muitas canções que Billie imortalizou, conhecidas aliás apenas pela sua interpretação. A arte de Billie Holiday formou-se nos pequenos bares, muitos de duvidosa reputação, onde cantava no seio de pequenas bandas onde ela se comportava como um dos músicos. Teve parceiros privilegiados como os músicos Ted Wilson e Lester Young, ou os líderes Benny Goodman, Count Basie ou Artie Shaw. Tornou-se uma torch singer na fase final da carreira, e para muitos, incluindo os colegas de profissão, foi a maior cantora de jazz de sempre. A sua vida privada foi devastadora, tendo desde cedo (o fim da infância) optado por viver nos meios mais violentos e misóginos da sociedade. Mesmo no auge da fama e da estabilidade financeira, nunca se afastou da sua dependência das drogas e dos homens que a exploravam. Grande livro, pois não se perde nos lugares-comuns da biografia de Billie preferindo a compreensão da sua arte. Póvoa de Varzim 2020: 5/5

Reynaldo Hahn (Jacques Depaulis, 2007)

Obra de Jacques Depaulis
Séguier 2007
BIBLIOTECA

Um compositor que muito aprecio pelo menos desde o recital que Susan Graham dedicou às suas mélodies em 1998... Este é o único bom livro acessível de Hahn. Há uma biografia francesa antiga e pouco recomendável e há sobretudo uma biografia em espanhol, não traduzida, que continua uma referência. Felizmente a discografia de Hahn não para de aumentar. Hahn foi o mais parisiense dos compositores mas nasceu em Caracas, o pai era alemão e a mãe do país basco espanhol. Dominava várias línguas, incluindo o inglês, desde a mais tenra idade. Tinha uma cultura, literária e musical, imensa, e as suas composições eram refinadas, e foram em muitos casos criadas nos melhores salões artísticos de Paris. O melhor da obra de Hahn são as numerosas mélodies que compôs a partir de poetas seus contemporâneos. Hahn foi amante e um dos maiores amigos de Proust e os dois representam como poucos outros a Belle Époque. Trabalhou com Pierre Loti (romancista da moda na época), Sacha Guitry, Diaghilev, Cocteau, Sarah Bernard e foi discípulo de Massenet, a maior influência de Hahn. Compôs peças de câmara, músicas para o palco (teatro e ballet) mas foram as mélodies e a opereta Ciboulette que ainda hoje o mantêm no repertório. Em vida era considerado um bom compositor mas demasiado clássico, impermeável à modernidade que vinga a em todo o lado. Teve uma interessante carreira como maestro de obras líricas e grandes instrumentistas como Riesler e Magda Tagliaferro eram seus amigos e criadores das suas obras. É lamentável que a discografia existente deixe de fora a maior parte da obra de Hahn. E nos concertos quase não se ouvem as suas composições. V. Conde 2020 (4/5)


Le Dieu bleu (R. Hahn, 2012)
Dylan Corlay, Les Frivolités Parisiennes
CD B-Records 2025
1° gravação, Soissons 2024
Diapason d'or de l'année 2025

Criação : Les Ballets Russes, 2012

Popmusic-Rock (1974)

Autores: Philippe Daufouy e Jean Pierre Sarton
A Regra do Jogo 1981
Leitura 2020 3.5/5

Comecei a ler este livro pelo posfácio "O Ovo e o Novo – (Uma) Discografia duma década de Rock: 1970-1980" escrito por Miguel Esteves Cardoso para a segunda edição portuguesa (A Regra do Jogo, 1981). A primeira edição é de 1974, portanto o livro francês não podia abarcar a década de 70, a que se dedicou o jornalista português. Gosto das escolhas de MEC e da sua apresentação, por exemplo quando analisa a evolução de alguns artistas fundamentais da década como Joni Mitchell. O texto de MEC, que pretende atualizar o original de Daufouy e Sarton, é muito diferente do que estes escreveram sobre a evolução da música rock desde os anos 30 pelo menos. Fazem uma abordagem política e ideológica da música que hoje se perdeu bastante. Qualquer acto e evento musical tinha uma leitura ideológica forte, em grande parte não assumida pelos seus protagonistas (artistas e intermediários). Se nem sempre fiquei convencido dos argumentos apresentados, muitas vezes a interpretação dos autores foram uma boa revelação. V. Conde 2020 (3,5/5)

DAVID BOWIE

STATION TO STATION (1976)
CD EMI 1999 Remastered
DISCOTECA

ALLADIN SANE (1972)
CD EMI 1990
DISCOTECA

CHANGESBOWIE (1990)
Compilação
CD EMI 1990
DISCOTECA

The Best of David Bowie 1969/1974 (1997)
DISCOTECA F
Esta compilação propõe o melhor (ou os sucessos?) da primeira fase da discografia de David Bowie. Todas as músicas, à exceção de uma, foram gravadas em Londres, foi portanto antes dos flirts com Berlim e com a América. Já gostei mais de Bowie, quando o descobri na adolescência  (fase Let's Dance), hoje continuo a adorar certos temas (Space Odditty) e a não gostar de muitos outros. 4/5

 Best Of (2002, só com 1 CD)   

David Bowie. Três Décadas de Metamorfoses (1983)
Centelha 1983
Leituras 2020
David Bowie - Três Décadas de Metamorfoses foi escrito por um coletivo  de jornalistas portugueses para a colecção Rock On da Centelha. Bowie estava ainda a meio do seu percurso profissional em 1983, mas para mim o melhor já era. Na verdade descobri-o com o LP Let's Dance, que adorava na altura, e voltei atrás no tempo para ouvir as suas canções marcantes do passado. Hoje tenho pouco interesse por Bowie, a não ser por algumas das suas grandes canções (Space Oddity, Life On Mars, Let's Dance, Heroes, Fame). Muitos artistas tornam-se estrelas ao primeiro disco (Whitney Huston, The Smiths, Sade, Madonna), mas Bowie teve de mudar de agulha várias vezes até encontrar o sucesso. E mesmo depois de Space Oddity levou algum tempo (em termos da escala temporal da música pop) para tornar-se um artista com fãs fieis. Depois de Inglaterra, viveu dois anos nos EUA, período de iniciação à música negra que marcou alguns dos seus grandes discos (Young Americains, Let's Dance). Depois foi para Berlim e novamente reinventou-se. Tudo isto é bem narrado nesta obra rara em português sobre David Bowie. V. Conde 2020 (3/5)

Mojo: The Collectors' Series: 
David Bowie Changes 1947-2016
Mojo November 2020
BIBLIOTECA P