Esta é terceira produção de Les Troyens na ópera da Bastille, que foi inaugurada há 30 anos com esta obra-prima de Berlioz. Nunca tinha visto uma encenação ser vaiada como a que Dmitri Tcherniakov propõe para esta nova produção. Les Troyens adapta a Eneida de Virgilio e relata os acontecimentos que antecedem a viagem de Eneias em direção a Roma. Troia é destruída pelos gregos e as troianas matam-se para não pertencerem aos vencedores (primeira parte); Eneias lidera um grupo de troianos que, dirigindo-se para Itália, passam uns tempos em Cartago, cuja rainha, Didon, se apaixona por Eneias e suicida-se quando este parte (segunda parte). Tcherniakov situa a ação no nosso tempo e a segunda parte, a mais problemática, decorre num centro de apoio a vítimas da guerra. A rainha Didon parece ser a diretora do centro, nada mais. Como a ópera é acima de tudo uma obra musical, nada se perdeu, a orquestra, o coro e os cantores brilharam e fizeram brilhar a grande música de Berlioz. Paris 02.2019 4,5/5 Opéra de Bastille, janeiro de 2019, Dmitri Tcherniakov (mise en scène e cenários), Coro e orquestra da Opéra National de Paris, Philippe Jordan (direção musical). Com Brandon Jovanovich (Enée), Stéphanie D’Oustrac (Cassandre), Ekaterina Semenchuk (Didon), Stéphane Degout (Chorèbe), Paata Burchuladze (Priam), Christian Hemler (Panthée), Christian van Horn (Narbal), Cyrille Dubois (Iopas), Michèle Losier (Ascagne), Aude Extrémo (Anna), Bror Magnus Tǿdenes (Hylas), Jean-luc Ballestra (Un capitaine grec), Véronique Gens (Hécube), Sophie Claisse (Polyxène), Jean-François Marras (Hélénus), Thomas Dear (le Fantôme d’Hector), Tomislav Lavoie (un Soldat), Bernard Arrieta (Mercure).