A OBRA (Puccini)
O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
O ESPETÁCULO (TCE, 2023)
Sala Théâtre des Champs-Elysées, juin 2023
O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)
Uma nova produção do clássico La Bohème teve lugar no Covent Garden, Londres, onde deverá ser apresentada por muitos anos. A encenação é de Richard Jones, o cenário e os figurinos são de Stewart Laing, La Bohème é daquelas óperas que dificilmente podem ser modernizadas como é costume fazer-se mudando-se a época histórica da ação. A ópera faz um retrato dos boémios de Paris do século XIX, jovens que viviam para a arte nas mais difíceis condições materiais (passam fome e frio) mas tentam divertir-se na noite como podem e amar também. Os boémios quase roubam o protagonismo ao amor entre Mimi e Rodolfo, que têm as melhores e mais célebres árias da ópera de Puccini. Os cantores, todos jovens e pouco conhecidos, estiveram muito bem, sobretudo Nicole Car como Mimi. A mansarda onde vivem os boémios é que deixa um pouco a desejar: uma gaiola fria e sem nenhuma graça que limita os movimentos dos cantores. Paris 10.2017 Cinema Publicis 4/5
Os cantores:
Michael Fabiano (Rodolfo)
Nicole Car (Mimi)
Simona Mihai (Musetta)
Florian Sempey (Schaunard)
Luca Tittoto (Colline)
com
Antonio Pappano & ROH Orchestra
Pela primeira vez assisti a um dos fenómenos culturais mais expressivos dos últimos anos: a transmissão em direto nos cinemas de representações de ópera. Conheço pelo menos duas temporadas de teatros famosos que podem ser vistas nos cinemas de Paris: a temporada da Royal Opera House de Londres e a do MET de Nova Iorque. Infelizmente o horário das transmissões não é compativel com as minhas obrigações profissionais, por isso aproveitei o feriado nacional de hoje para ver uma dessas famosas sessões de ópera no cinema.
Não podia ter corrido melhor. A produção da ROH retoma uma excelente encenação tradicionalista, "conservadora", do veterano John Copley, um trabalho que tem sido reposto com sucesso no Covent Garden. A ópera é La Bohéme, uma das melhores e daquelas que mais facilmente pode conquistar as pessoas para o universo lírico. Os protagonistas Mimi e Rodolfo são Anna Netrebko e Joseph Calleja, ambos justificando o estrelato. Fiquei surpreendido com a opção maioritária por grandes planos, por planos aproximados dos cantores, e não pelos planos mais recuados do conjunto. O que vimos nesta transmissão está mais próximo da estética do cinema e da televisão do que do ponto de vista do espetador na sala de ópera. A impressão, óbvia, que tive foi a de estar a ver um DVD num ecrã enorme com uma grande qualidade de imagem e som. Uma experiência a repetir tanto quanto possível. Paris cinema Publicis 06.2015 Covent Garden 4/5