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Spread a Little Happiness (1987)

Spread a Little Happiness (1987)
 The First Hundred Years of the British Musical
Livr de Sheridan Morley
Thames & Hudsonn 1987

Sheridan Morley percorre 100 anos do musical inglês, surgido na segunda metade do século 19. Com uma história comum, partilhada com os americanos, o musical anglo-saxónico tomou o mundo, mas não originou em nenhum outro país uma produção regular e com qualidade. Então a história do musical inglês não pode evitar o confronto permanente com o musical americano, muito superior aliás. Na verdade, só a partir dos anos 70, com os musicais de Andrew Lloyd Webber, é que os ingleses se impuseram e exportaram (para a Broadway) os seus musicais. Antes disso, os palcos londrinos eram regularmente invadidos (no pós-guerra, primeira e segunda guerras) pelos musicais americanos e muito a custo conseguiram criar condições regulares (produtores, artistas, diretores, compositores e letristas) para fazer vingar o musical inglês capaz de enfrentar os americanos. Noel Coward foi a presença britânica mais importante da Broadway na primeira metade do século, mas nada se comparou a Lloyd Webber muitos anos mais tarde. Hoje o West End apresenta os musicais mais duradouros, quebrando recorde sobre recorde (The Phantom of the Opera, Les Misérables, Cats, Mamma Mia). Vila do Conde, agosto de 2018   4/5 BIBLIOTECA 

Sergey Prokofiev (Daniel Jaffé, 1998)

Sergey Prokofiev (Daniel Jaffé, 1998)
Com esta biografia de Prokofiev leio o primeiro de muitos (espero) volumes de uma coleção britânica sobre compositores de música clássica. Esta biografia, em particular, é excelente e tem muitas fotografias, que são sempre bem vindas nas biografias. Prokofiev é um grandes compositores do século XX. Não conheço a sua obra mais famosa, Pedro e o Lobo, mas adoro por exemplo a música para o bailado Romeu e Julieta. São duas obras do seu período soviético, que começou em meados dos anos 30, quando decide instalar-se de forma permanente na Rússia. Neste país e no Ocidente tornou-se desde cedo (anos 10) um compositor reconhecido, tendo sido, depois de Stravinsky, o principal colaborador dos Ballets Russes. Vivia em digressão pela Europa e Estados Unidos e era na condição de intérprete (como pianista e maestro) das suas próprias obras que ganhava a vida. Na Rússia teve de sujeitar-se à linha estética permitida pelo poder soviético e apesar de enorme sucesso de algumas obras, como sinfonias e óperas, e de ter recebido muitos prémios oficiais (o prémio Estaline), as invejas dos outros compositores menores trouxeram-lhe discrédito e para o atingirem chegaram a prender mulher, mãe de seus filhos. A fase final da vida de Prokofiev foi uma verdadeira tragédia, com obstáculos constantes por parte do poder à apresentação das suas obras, antigas (algumas das quais foram banidas) e novas. Nem sempre foi claro, mas a música de Prokofiev continuou a tradição russa expressiva e lírica de Tchaikovsky, entendida como conservadora pelos progressistas que dominavam a vanguarda musical de boa parte do século XX. Paris 05.2018 5/5 

Gilbert and Sullivan (1975)

Gilbert and Sullivan: Lost Chords and Discords (1975)
Autor: Caryl Brahms
BIBLIOTECA
Sullivan foi o compositor britânico mais importante do seu tempo (segunda metade do séulo XIX). Assim o considerava a Rainha e também os muitos britânicos que encheram as salas onde se apresentavam as suas operetas (assinadas com o libretista Gilbert). Ainda hoje em dia estas obras são representadas no mundo inteiro, sobretudo na Grã-Bretanha. Sullivan compôs muitas canções, mesmo fora da parceria com Gilbert, que inundavam os lares britânicos. Era a música popular da época e a sua memória não se apagou. Tão populares eram as operetas de Gilbert & Sullivan, que assim que uma era criada e apresentada, várias produções piratas surgiam nos Estados Unidos. Não havia direitos de autor e a defesa que Sullivan fez de uma legislação que tivesse em conta esses direitos fez-se sentir quando essa legislação se tornou realidade. O livro está muito bem ilustrado - é a sua principal qualidade. Mas como biografia ou obra de divulgação deixa a desejar.  Depende muito de bibliografia secundária e pouco de fontes primárias. As informações sobre a criação das obras não abundam (datas e intérpretes por vezes não explicitados). Um dia lerei uma biografia mais completa de Sullivan, sem dúvida o mais interessante dos dois parceiros. E terei de rever o excelente filme de Mike Leigh, Topsy-Turvy, sobre Gilbert & Sullivan precisamente. Paris 02.2018  3/5

Souvenirs, souvenirs... Cent ans de chanson française (2004)

Souvenirs, souvenirs...
Cent ans de chanson française (2004)
  Autores: Bertrand Bonnieux, Pascal Cordereix & Elizabeth Giuliani
Leituras Paris 2018 N3/5

A tradição da canção popular urbana francesa (a chanson) está bem servida pela literatura da especialidade. Existem muitos livros (histórias, almanaques, álbuns ilustrados, sínteses) sobre essa rica tradição, uma das minhas preferidas. Conheço e admiro artistas franceses que marcaram o século 20 desde os seus primeiros anos. Desde as cantoras realistas à nouvelle chanson (de 2010s). Neste livro muito bem ilustrado, não vejo Cerrone nem os artistas do French Touch. Será por pertencerem à tradição negra americana? Mas o rock é contemplado... De qualquer modo, estão entre os meus preferidos e o que de melhor os franceses fizeram.

Biblioteca MORRISSEY

Morrissey - Landscapes of The Mind (David Bret, 1994)
BIBLIOTECA

Certamente uma das primeiras biografias de Morrissey, publicada em 1994 por um especialista inglês (nascido em Paris) em biografias de cantores da música popular (francesa e inglesa). A narrativa da vida e da carreira de Morrissey nos Smiths e a solo é escorreita como uma longa reportagem bem escrita e organizada. Bret é feliz quando descreve o lugar único que Morrissey ocupa no panorama pop inglês. Mas o discurso do cantor, que levantou sempre polémica, merece maior distância crítica e não a constante defesa que o biógrafo faz ao longo do livro. A obsessão com a identidade britânica e sobretudo a repulsa que Morrissey sempre manifestou pela música de dança, de tradição negra, são aspectos da sua visão do mundo que nada me tocam e são até certo ponto equivocadas. E nunca são discutidas seriamente por Bret. Vila do Conde 2018: 3,5/5

Saint Morrissey (Mark Simpson, 2004)
BIBLIOTECA

 

Mark Simpson propõe um ensaio biográfico de Morrissey partindo da sua experiência pessoal. No início dos anos 80, ele, como outros milhões de jovens adolescentes, encontrou em Morrissey mais do que um ídolo, uma alma gémea sofredora e melancólica como a deles. Morrissey elevou a qualidade literária das canções pop como poucos fizeram antes e depois dele. Como é o primeiro livro que leio sobre The Smiths/Morrissey, muita coisa é novidade para mim, apesar de conhecer os principais factos do assunto. A obra de Morrissey tem um eco muito forte na cultura e sociedade inglesas, sobretudo do norte de Inglaterra (ele é de Manchester) e essa relação é bem explicada no livro. A música pop dos anos 60 marcou o adolescente Morrissey, sobretudo através das cantoras da época, como Sandie Shaw, que colaborou com Morrissey nos anos 80. Também nas capas dos discos dos Smiths encontramos as referências culturais de Morrissey, que remontam à sua juventude. Bom livro. Vila do Conde 2019: 3,5/5

Morrissey Alone and Palely Loittering
BIBLIOTECA
NT

Revista Les Inrock 1995 MORRISSEY "Ma chienne de vie"
Les Inrockuptibles nº 22, septembre 1995
BIBLIOTECA P