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Duran Duran (Sébastien Bataille, 2012)

DURAN DURAN
LES POP MODERNES (2012)
 Ensaio de Sébastien Bataille (2012)
 Leituras Vila do Conde 2019 N3/5

Duran Duran. Les Pop Modernes é a primeira biografia francesa do grupo. Em inglês, os DD não se podem queixar: biografias, autobiografias, testemunhos, enfim há muita coisa escrita sobre este grupo extremamente popular nos anos 80, a ponto de serem considerados nos Estados Unidos como os Fab Five (os Fab Four eram os Beatles). Compreensivelmente, Sébastien Bataille vai contando a ligação dos DD à França, a receção dos seus discos pela crítica francesa, as turnés, a longa resistência inicial dos tops ao grupo, incluindo mesmo entrevistas com técnicos franceses que trabalharam com os DD. O grupo teve mesmo assim um vida particularmente longa com sucessos nos anos 90 e 2000. Também há muita informação (para mim a menos conhecida) sobre os projetos paralelos dos membros dos DD: os grupos The Power Station e Arcadia, as carreiras a solo de alguns deles. Não sendo fã do grupo, interessou-me ver a evolução da música popular neste longo período (1980-2012) e da flutuação da pertinência do rock perante a investida dos vários golpes da dance music.

Hervé, le père de l’opérette (1994)


Hervé, le père de l’opérette - 50 ans de Folies Parisiennes
 (Jacques Rouchouse, 1994)
Hervé foi de facto o pai da opereta. Ele e Offenbach foram contemporâneos, eram os grandes compositores de opereta da época, trabalharam para os mesmos teatros e partilharam alguns dos grandes intérpretes do género, como Hortense Schneider. As obras de Offenbach ficaram no repertório dos teatros de ópera, as de Hervé não resistiram ao gosto dos tempos. Mas Hervé foi imensamente popular. Compôs (e por vezes escreveu os libretos) operetas e óperas buffas de um humor delirante que antecipou os surrealistas. São obras pouco compreensíveis para o público que não viveu na época de Hervé pois há imensas referências à cultura da época e à história de França tal como era vista pelos contemporâneos do compositor. Eu não tinha ouvido falar de Hervé até ter comprado esta preciosa biografia. É uma daquelas personagens-chave do século 19 francês tão fascinante quanto os nomes célebres que estão aí até hoje. Paris 06.2019 4/5

OPÉRETTE Bibliografia OPERETA

L'Opérette en France (1997), de Benoît Duteurtre, é um livro que se lê com enorme prazer, apesar da sucessão de autores e obras (e datas) que por momentos podem tornar a leitura menos interessante. Mas a opereta (e outros géneros adjacentes) teve um século de grande criatividade e popularidade e, ao contrário da ópera, dixou de fazer parte da paisagem musical francesa e europeia. Mesmo o musical anglo-saxónico não vinga muito fora dos seus países de origem. Mas enquanto este está vivo e se renova, a opereta deixou de existir como género de teatro musical regularmente presente nos teatros. Mas desde que foi inventada no meio do século 20, por Hervé e Offenbach, a opérette nunca deixou de se renovar e adaptar às mudanças da sociedade, até aos anos 50, últimos anos de sua popularidade. Vila do Conde 12.2019 5/5

Biblioteca HISTÓRIA DA ÓPERA

A CONCISE HISTORY OF OPERA (Leslie Orrey, 1972)
Revised and updated edition by Rodney Milnes (1987)
com o título OPERA (1987)
Thames and Hudson 1987
Série World of Art
BIBLIOTECA F


L'Opera italiana. Storia, costume, repertorio (1985)
Ensaio de Gino Negri (1985 
Gino Negri publicou em 1985 uma história da ópera italiana  -L'Opera italiana. Storia, costume, repertorio (Arnoldo Mondadori, 1985) - em forma de álbum ilustrado, cuja segunda parte é um extenso dicionário de compositores com o resumo das óperas que ainda continuam no repertório. A primeira parte narra a criação do melodrama italiano (Negri prefere este termo a ópera) que atingiu o apogeu no século que vai de Rossini a Puccini. Os intérpretes merecem um capítulo à parte, mas são os compositores e (menos) os libretistas que são os protagonistas desta história fascinante. Talvez a ópera tenha sido a exportação italiana mais impressionante e marcante (juntamente com a pizza e a pasta) da História. Se a língua francesa ganhou as cortes europeias durante muito tempo, a música italiana teve uma presença semelhante nessas cortes, tendo marcado o desenvolvimento das escolas musicais nacionais. Em Itália, mas não só, a ópera era o que mais se aproximava da cultura pop de hoje, e os cantores eram as estrelas da altura. O que impressiona também é a enorme quantidade de óperas compostas no passado que desapareceram do repertório dos teatros atuais. Talvez apenas 2% continuam a ser representadas(!). Li a tradução francesa: L' Opéra italien, histoire, traditions, répertoire (Flammarion, 1987). Vila do Conde 2019 5/5

Biblioteca MORRISSEY

Morrissey - Landscapes of The Mind (David Bret, 1994)
BIBLIOTECA

Certamente uma das primeiras biografias de Morrissey, publicada em 1994 por um especialista inglês (nascido em Paris) em biografias de cantores da música popular (francesa e inglesa). A narrativa da vida e da carreira de Morrissey nos Smiths e a solo é escorreita como uma longa reportagem bem escrita e organizada. Bret é feliz quando descreve o lugar único que Morrissey ocupa no panorama pop inglês. Mas o discurso do cantor, que levantou sempre polémica, merece maior distância crítica e não a constante defesa que o biógrafo faz ao longo do livro. A obsessão com a identidade britânica e sobretudo a repulsa que Morrissey sempre manifestou pela música de dança, de tradição negra, são aspectos da sua visão do mundo que nada me tocam e são até certo ponto equivocadas. E nunca são discutidas seriamente por Bret. Vila do Conde 2018: 3,5/5

Saint Morrissey (Mark Simpson, 2004)
BIBLIOTECA

 

Mark Simpson propõe um ensaio biográfico de Morrissey partindo da sua experiência pessoal. No início dos anos 80, ele, como outros milhões de jovens adolescentes, encontrou em Morrissey mais do que um ídolo, uma alma gémea sofredora e melancólica como a deles. Morrissey elevou a qualidade literária das canções pop como poucos fizeram antes e depois dele. Como é o primeiro livro que leio sobre The Smiths/Morrissey, muita coisa é novidade para mim, apesar de conhecer os principais factos do assunto. A obra de Morrissey tem um eco muito forte na cultura e sociedade inglesas, sobretudo do norte de Inglaterra (ele é de Manchester) e essa relação é bem explicada no livro. A música pop dos anos 60 marcou o adolescente Morrissey, sobretudo através das cantoras da época, como Sandie Shaw, que colaborou com Morrissey nos anos 80. Também nas capas dos discos dos Smiths encontramos as referências culturais de Morrissey, que remontam à sua juventude. Bom livro. Vila do Conde 2019: 3,5/5

Morrissey Alone and Palely Loittering
BIBLIOTECA
NT

Revista Les Inrock 1995 MORRISSEY "Ma chienne de vie"
Les Inrockuptibles nº 22, septembre 1995
BIBLIOTECA P