Mostrar mensagens com a etiqueta Ópera V2020. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ópera V2020. Mostrar todas as mensagens

SAÜL (1736)

Enorme espetáculo, criado em 2015 no Festival de Glyndebourne pelo encenador Barrie Kosky. Anda desde então pelo mundo e chegou este mês a Paris, ao Théâtre du Châtelet. Raramente sentimos que a força de um espetáculo de ópera (Saül é na verdade um oratório bíblico) assenta no trabalho de encenação, mas é o que acontece neste caso. Os quadros sucedem-se, cada um mais impressionante e belo do que o outro. Saül apresenta a história de um rei que passa da admiração ao ódio a David, que venceu Golias e por isso é celebrado. A ira de Saül é incompreensível para todos mesmo para a sua família. Uma história bíblica (retirada do Livro de Samuel) e também shakespearana. Paris 01.2020 T. Châtelet 4,5/5

LA DAME BLANCHE (1825)

A obra que vale a Boieldieu a sua fama atual é a opéra-comique La Dame blanche, uma obra de um romantismo quase escolar. Tem até um palácio assombrado pelo fantasma da mulher de branco e um herdeiro desaparecido há muito que aparece para o feliz desenlace da trama e é reconhecido por uma velha governanta. Lugares-comuns de tantas obras do romantismo da época de Walter Scott (as suas obras Le Monastère e Guy Mannering estão na origem de La Dame Blanche). A música de Boieldieu também não tem a excelência do seu contemporâneo e rival Rossini. Mas o espetáculo a que assisti acaba por ser maravilhoso, por todas as suas componentes. Há duas ou três canções que ficam no ouvido e que lembram a tradição dos troubadours. Nem o teatro nem a música são excecionais mas ambos, no contexto de uma boa produção, com bons intérpretes, garantem um bom espetáculo, como o que vi há dias. Paris 03.2020 Opéra-Comique 3,5/5
Direction musicale de Julien Leroy, Mise en scène de Pauline Bureau, com Philippe Talbot, Elsa Benoit, Sophie Marin-Degor, Jérôme Boutillier, Aude Extrémo, Yann Beuron, Yoann Dubruque. Choeur Les éléments, Orchestre National d’Île-de-France

FIDELIO (Beethoven, 1805)

A rentré da Opéra Comique deu-se com esta boa produção de Fidelio, a única ópera de Beethoven. Grande destaque é Michael Spyres, bem conhecido do público desta casa. Paris 2021 Ópera Comique 3,5/5

Raphaël Pichon, direção musical, Cyril Testé, encenação, com Siobhan Stagg e Michael Spyres, Chœur et orchestre Pygmalion, Opéra-Comique 11.2021

O ESPETÁCULO (TCE, 2020)

Nina Stemme
Fidelio é a única ópera de Beethoven e quando começamos a ouvi-la reconhecemos logo a marca da música sinfónica do compositor. Na verdade, é uma ópera que me interessa mais pela sua qualidade instrumental do que pelo canto. Precisamente o contrário aconteceu com La Dame Blanche, de Boildieu, que vi no dia seguinte, que me interessou sobretudo pelo (bel) canto, enquanto a componente instrumental é desinteressante. Com Beethoven, não há tempos amenos, tudo é superior. Paris 02.2020 Théâtre des Champs-Élysées 4/5
Thomas Dausgaard & Swedish Chamber Orchestra/Swedish Radio Choir, com Nina Stemme (Leonore), Johan Schinkler (Rocco), John Lundgren (Pizarro), Malin Christensson (Marzelline), Michael Weinius (Florestan), Daniel Johannsen (Jaquino) e Karl-Magnus Fredriksson (Don Fernando).


O ESPETÁCULO (TCE, 2018)

 
FIDELIO (TCE, 2018)
Finalmente descubro a única ópera de Beethoven: Fidelio! Em versão de concerto no Théâtre des Champs-Élysées. Uma história do romantismo de escola: uma mulher apaixonada disfarça-se de homem para poder ver o marido que está preso e prestes a ser morto pelo seu inimigo e responsável da sua prisão. Grandes vozes (sobretudo Michael Spyres) asseguraram uma excelente representação. Paris 11.2018 (TCE) 4/5
Giovanni Antonini dirige Kammerorchester & Basler Madrigalisten
Com 
Adrianne Pieczonka (Leonore)
Albert Dohmen (Rocco) 
Sebastian Holecek (Pizarro)
Regula Mühlemann (Marzelline)
Michael Spyres (Florestan)
Patrick Grahl (Jaquino) 
Matthias Winckhler (Don Fernando)

DISCOTECA (2)
Maazel/1964* 
Harnoncourt/ext    

BIBLIOTECA (1)
FIDELIO
L' Avant-Scène nº 164 mars-avril 1995
DISCOTECA

NT


Operetas de Offenbach & Wachs (2020)

Duas breves operetas francesas que foram um grande sucesso no século 19 são ressuscitadas num espetáculo divertido e ligeiro. Pelo menos uma canção, o dueto «Je suis alsacienne, je suis alsacien» fica de imediato no ouvido. Do compositor Frédéric Wachs vimos Un mari dans la serrure (1876), de Offenbach vimos Lischen et Fritzchen (1863). Dois únicos cantores asseguraram este espetáculo: a sensacional mezzo Adriana Bignagni e Damien Bigourdan, acompanhados pelo pianista Jean-Marc Fontana. Paris, março de 2020, Théâtre Marigny 3/5

ORLANDO (1733)

Christophe Dumaux
(Orlando)
Orlando Furioso (1516), poema de Ariosto, teve uma fortuna impressionante no campo da ópera. Só Handel se inspirou nessa obra para criar três óperas, entre as quais Orlando. Durante cerca de dois séculos a seguir à sua criação a obra caiu no esquecimento e só com a nova geração de barrocos é que ganhou nova vida. Hoje é uma das óperas de Handel mais representadas. Ontem vi-a na versão de concerto. Foi um festival de árias melancólicas umas, furiosas outras, que permitiram brilhar o quinteto vocal: Christophe Dumaux (Orlando), Kathryn Lewek (Angelica), Delphine Galou (Medoro), Nuria Rial (Dorinda), John Chest (Zoroastro), Francesco Corti direction &Il Pomo d’Oro. Paris 01.2020 Théâtre des Champs-Élysées 3,5/5

Handel 1733
L' Avant-Scène nº 154 (1994)
BIBLIOTECA F

Leitura, mai 2023
Handel 1733
Théâtre des Champs-Elysées/L' Avant-Scène
 nº 154 (1994)
BIBLIOTECA F


IL BARBIERI DI SIVIGLIA (1816)

A OBRA (Rossini, 1816)
GÉNERO Commedia em dois actos COMPOSITOR Gioachino Rossini LIBRETO C. Sterbini CRIAÇÃO Roma, Teatro Argentina 20.02.2016 CANTORES 

ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
ARTISTAS Il conte d’Almaviva (Levy Sekgapane), Bartolo (Carlo Lepore), Rosina (Isabel Leonard), Figaro (Mattia Olivieri), Basilio (Luca Pisaroni), Berta (Margarita Polonskaya),  Fiorello (Andres Cascante), Un ufficiale (Jianhong Zhao)
ORQUESTA e CORO da Opéra national de Paris DIREÇÃO MUSICAL Diego Matheuz ENCENAÇÃO Damiano Michieletto

ESPETÁCULO (Bastille, 2020)
Il Barbiere di Siviglia é a ópera de Rossini mais representada e mais amada. E é das poucas verdadeiramente cómicas que restam no repertório. Esta produção de Damiano Michieletto foi este ano reposta na Opéra Bastille com o sucesso esperado. Os cenários e a encenação agradam todos, coisa rara por aqui. Com a Orchestre e Chœurs da Opéra National de Paris e direção musical de Carlos Montanaro. Elenco: Xavier Anduaga  (Il Conte Almaviva), Ilya Kutyukhin (Figaro), Lisette Oropesa (Rosina), Carlo Lepore (Bartolo), Krzysztof Baczyk (Basilio), Marion Lebègue (Berta), Tommaso Barea (Fiorello), Bernard Arrieta (Un Ufficiale). Paris 02.2020 Opéra Bastille 3,5/5

ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
O Barbeiro de Sevilha recebeu uma nova roupagem, assinada por Laurent Pelly, na recente produção do Théâtre des Champs Elysées. O palco é ocupado por folhas de música pautadas, gigantes, que vão mudando de posição. Tudo é a preto e branco e o coro são notas musicais. Não fiquei convencido (raramente fico com as encenações), apesar de esta encenação se inspirar na história do Barbeiro : Rosina é aluna de piano de Don Basilio, e é substituindo este que o pretendente de Rosina, o conde Almaviva, consegue ficar junto dela com autorização do pai. Bartolo, o pai de Rosina, é enganado pelo pretendente da filha, ajudado por Figaro, e é essa a trama central desta ópera buffa, que encanta o público desde que foi criadas, há dois séculos. Paris 12.2017 TCE 4/5
Jérémie Rhorer dirige Le Cercle de l’Harmonie 
Laurent Pelly
(mise en scène, scénographie, costumes)
com 
Elgan Llŷr Thomas  (Il Conte Almaviva)
Guillaume Andrieux  (Figaro)
Alix Le Saux (Rosina)
Pablo Ruiz (Bartolo)
Guilhem Worms (Basilio)
Eléonore Pancrazi (Berta)
Louis de Lavignère (Fiorello)