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CAPRICCIO (1942)


Capriccio é uma ópera de Richard Strauss que já começo a conhecer bem. Penso que é a terceira vez que assisto a esta mesma encenação de Robert Carsen, feita originalmente para a Ópera de Paris e que volta e meia ela repõe.  É um clássico da grande boutique, como chamam ao Palais Garnier. Não é uma ópera fácil. Tem apenas um ato que dura quase duas horas e meia e não tem ação propriamente dita. Tudo se passa na casa de uma aristocrata viúva, na França de 1775. Dois jovens estão enamorados dela e pretendem dedicar-lhe uma ópera. Um é compositor e o outro é poeta. Um defende "primo la musica, dopo le parole" e o outro "primo le parole dopo la musica" e esta dicotomia vai ocupar toda a conversação entre o grupo de artistas (entre os quais um produtor, uma estrela do teatro e um tenor e um soprano especialistas do Bel canto italiano). É uma ópera sobre a ópera e sobre a arte em geral, temas que estão no centro das preocupações das personagens privilegiadas, indiferentes ao mundo que as rodeia. O que não deixa de ser curioso, pois "lá fora" a sociedade caminhava para a revolução (francesa) que destruiria a vida dos privilegiados do Antigo Regime. Mais curioso ainda é pensar que tamanha frivolidade do argumento foi composta (1941) e criada (1942) em plena guerra na Europa. O libreto de Capriccio é da autoria de Strauss e de Clemens Krauss. Paris 02.2016 Palais Garnier 4/5

SALOMÉ (1905)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2024)
Paris 05.2024 Bastille
"Salomé" à l'Opéra Bastille : Lise Davidsen triomphe dans la dystopie radicale de Lydia Steier

La soprano norvégienne Lise Davidsen a enthousiasmé le public avec son interprétation magistrale de "Salomé" de Richard Strauss, dans une mise en scène transgressive de Lydia Steier.  

par Mohamed Berkani (France Télévisions)

D'emblée, les évidences. Bien des talents brillent sur la scène de l'Opéra Bastille pour l'œuvre la plus connue de Richard Strauss, Salomé : Lise Davidsen dans le rôle-titre, Mark Wigglesworth à la baguette et Lydia Steier à la mise en scène. Appuyés par tous les autres artistes qui se meuvent dans un décor post-apocalyptique. Le public avait déjà été très surpris, il y a deux ans, par la mise en scène de l'Américaine Lydia Steier lors de la création de sa production à Bastille.  Sa version de Salomé de Richard Strauss apparaît comme une provocation radicale et une condamnation de la surconsommation. La metteuse en scène dépeint une société décadente, en manque d'idéal, qui se réfugie dans la dépravation et les orgies sexuelles pour tromper l'ennui. Une société qui a faim de jeunesse éternelle. Salomé, elle, est obnubilée par ce qu'elle ne peut avoir : le prophète Iochanaan (Jean le Baptiste).  L'amour, la mort et le sexe Le spectacle s'ouvre sur un décor mussolinien. Au premier niveau, trois militaires suréquipés et surarmés, des fossoyeurs en combinaisons de protection et des employés portant des cadavres de jeunes gens. Au niveau supérieur, à travers une baie vitrée, des personnes riches festoient dans un excès de débauche. À l'abri du regard, dans les oubliettes, Iochanaan. Et Salomé, représentée non pas en beauté orientale et mystérieuse censée envoûter les hommes, mais comme une psychopathe, blessée d'avoir été repoussée, avide de vengeance.   Autre personnage à part entière : la musique inspirée, formée de vagues puissantes, qui affluent et refluent avec subtilité. La musique accompagne Salomé et l'emmène encore plus loin. La soprano norvégienne Lise Davidsen incarne Salomé avec une amplitude vocale impressionnante. Elle est aussi remarquable par son jeu, notamment dans la scène de "danse". Ainsi, au lieu d'offrir une danse à son beau-père, le roi Hérode qui la désire, elle s'offre à lui physiquement. Elle subit ensuite l'assaut de toute la cour. En échange, elle exige la tête de Jean-Baptiste pour embrasser sa bouche. Viol ou prostitution ? Lydia Steier laisse le public libre de son interprétation.   

Le futur, c'est maintenant. Lydia Steier évoque les rapports de domination hommes/femmes, élite/peuple… On pense aussi au Meilleur des mondes d'Aldous Huxley, le sexe remplaçant la pilule du bonheur. Lydia Steier porte un tout autre regard sur Salomé. À la sensualité et séduction originelles, elle oppose la mort et le sexe. L'une des scènes les plus marquantes, après celle de la danse qui illustre cette dualité mortifère, est le cri de haine et d'amour de Heriodias, interprétée remarquablement par la mezzo-soprano Ekaterina Gubanova, qui par détestation du prophète flirte avec l'aliénation. Salomé, une œuvre qui questionne notre présent et notre futur. Radicale.  

La fiche Titre : Salomé  

Genre : Drame lyrique en un acte (1905)  D'après la pièce éponyme d'Oscar Wilde, dans la traduction allemande de Hedwig Lachmann

Musique et livret : Richard Strauss

Direction musicale : Mark Wigglesworth

Mise en scène : Lydia Steier

Distribution : Lise Davidsen, Johan Reuter, Gerhard Siegel, Ekaterina Gubanova, Pavol Breslik, Katharina Magiera, Matthäus Schmidlechner et Éric Huchet.

DISCOTECA (1)

Montserrat Caballé,
Erich Leinsdorf, London Symphony Orchestra
DISCOTECA

Femmes de pouvoir (TCE, 2023)

 Marina Rebeka, soprano

Karine Deshayes, mezzo-soprano


PARSIFAL (1882)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)
É a segunda vez que assisto a Parsifal. No ano passado vi-o no cinema, transmitido de um teatro de Berlim. Não gostei. Desta vez foi na Opéra Bastille, encenado por Richard Jones e com direção musical de Phillipe Jordan. Gostei bastante, mas também confirmei o que não me atrai em Wagner: o argumento e as personagens. Parsifal é o cavaleiro que vai conseguir vencer Klingsor e trazer para a irmandande do Graal a espada sagrada, que vai curar o chefe Amfortas, que no início da ópera tinha sido ferido pela mesma, quando esta caiu nas mãos de Klingsor. Wagner apreciava as lendas e a mitologia medievais por si mesmas, sem aparentemente fazê-las dialogar com o seu mundo contemporâneo. Parsifal é uma ópera excessivamente viril, se bem que dominada por valores religiosos. A honra (masculina) e a autoridade e devoção do pai (e do Redentor) norteiam a ação e a vida dos cavaleiros, remetidos à castidade. A mulher (Kundry) é um joguete na mão dos homens, e assim, entre feiticeira e puta, não sobra espaço para a afirmação da sua feminidade e da sua individualidade. Que saudade das heroínas, também sacrificadas ao poder masculino, de Verdi e Puccini... Musicalmente tudo esteve muito bem, com cantores superlativos, cujo canto anuncia já (em 1882) certas obras em língua alemã do século seguinte. A dimensão narrativa do libreto é considerável, e talvez por isso o canto se aproxime tanto do discurso falado em detrimento da sua função lírica... O futuro da ópera alemã, um futuro/presente que pouco me entusiasma, passava por Parsifal. Apesar das minhas reticências quanto ao libreto, gostei muito de assistir a este Parsifal. Paris 05.2018 Opéra Bastille 4/5
Parsifal (Wagner, 1882)
Direção musical: Philippe Jordan 
& 
Orchestre e Chœurs de l’Opéra national de Paris
Mise en scène: Richard Jones 
com 
Andreas Schager (Parsifal)
Peter Mattei (Amfortas)
Reinhard Hagen (Titurel) 
Günther Goissböck (Gurnemanz)
Evgeny Nikitin (Klingsor)
Anja Kampe (Kundry)

O ESPETÁCULO (2016)
Uma desilusão esta estreia pessoal ao universo do Parsifal de Wagner. O espetáculo foi filmado em 2015 em Berlim e dirigido musicalmente por Daniel Baremboim. Tudo excelente ao nível artístico. O problema é mesmo esta ópera em si. Nunca me interessaram os libretos mitológicos de Wagner, tal como nunca liguei para os libretos densos, intrincados, da ópera barroca. Nesta, no entanto, as componentes instrumental e vocal sublimam o resto. Em Wagner o texto, por vezes excessivamente narrativo, toma a primazia. Não é possível ignorá-lo e dar atenção apenas à música. Quando não se entra na história de Parsifal não se pode apreciar minimamente esta ópera. Paris 05.2016 Cinema Balzac 2/5

PARSIFAL
Programa Ópera Théâtre du Châtelet
BIBLIOTECA 

ELEKTRA


Richard Strauss, Bastille 2022

DER ROSENKAVALIER (1911)

A OBRA (R. Strauss, 1911)
Comédia em músicaa em três actos op. 59
COMPOSITOR Richard Strauss LIBRETO Hugo von Hofmannsthal 

O ESPETÁCULO (TCE, 2025)
Paris 27.05.2025 Théâtre des Champs-Elysées 
DIREÇÃO MUSICAL Henrik Nánási, Orchestre National de France,  Chœur Unikanti ENCENAÇÃO Krzysztof Warlikowski COREOGRAFIA Claude Bardouil INTÉRPRETES Véronique Gens/A Marechala, Peter Rose/Ochs, Niamh O'Sullivan/Octavian, Jean-Sébastien Bou/Senhor de Faninal, Regula Mühlemann/Sofia

O ESPETÁCULO (Bastille, 2016)
O Cavaleiro da Rosa é uma das obras-primas líricas de Richard Strauss, com libreto do seu colaborador regular Hugo von Hofmannsthal. O ponto de partida foi uma peça francesa ligeira sobre um trio de personagens que se envolvem numa situação cômica. A mulher de um marechal tem um jovem amante (Octavian) que, para que a sua relação não seja conhecida, disfarça-se de criada quando o primo da amante (barão Ochs) chega inesperadamente. O barão tenta seduzir a criada e a prima marechala, divertida com a situação, propõe que o seu jovem amante seja o intermediário entre o barão e a jovem com quem ele vai casar-se em breve. Mas Octavian apaixona-se pela jovem noiva e acaba por não poder cumprir a promessa de amar para sempre a marechala. O melhor da ópera não é o enredo mozartiano da comédia de enganos mas a densidade melancólica da evolução psicológica da marechala, traduzida pela sublime música de Strauss que nos melhores momentos parece um lieder contínuo. A marechala, para seu divertimento, provoca o encontro entre o seu jovem amante e uma moça da sua idade. Sem saber, originou uma crise pessoal: a da consciência do seu próprio envelhecimento. Este adeus à juventude é glosado nos momentos mais belos da ópera. Muito bom. Paris 05.2016 Bastille 4/5
DVDTECA

DVD D.G. 2005
Felicity Lott, Kurt Moll, Anne Sofie von Otter, Barbara Bonney
Chor und Orchester der Wiener Staatsoper, Carlos Kleiber (1979)
DVDTECA

LE CHEVALIER À LA ROSE (1984)
L'Avant-Scène Opéra Nº 69/70 (1984) ed. 1990
BIBLIOTECA F
Leituras, maio de 2025