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Singin' in the Rain (Paris, 2015)

 
Singin' in the Rain (Paris, 2015)
Mais uma excelente produção do Théâtre du Châtelet na áreas dos musicais americanos. E mais um musical inspirado num clássico da comédia musical de Hollywood, talvez a melhor de todas. Na encenação, o grande Robert Carsen, que tem trabalhado com este teatro sempre com bons resultados. A peça segue de perto o filme, mas falta o talento genial de Gene Kelly. Mas tudo o resto, o argumento e as canções mantêm-se iguais e tudo é maravilhoso. Esta produção vai ser resposta no final deste ano. Boa ideia. Paris 03.2015 T. Châtelet 4/5

Irma La Douce (Paris, 2015)

Alexandre Breffort e Marguerite Monnot
Irma la Douce, o filme de Billy Wilder com as estrelas de Hollywood Shirley McLaine e Jack Lemmon, é certamente mais célebre do que a comédia musical francesa que o inspirou. Fui ver ontem a nova produção desta conhecida comédia musical assinada por Alexandre Breffort, com música de Marguerite Monnot, e que foi criada em Paris, no Théâtre Gramont em 1956. A encenação e a interpretação não estão, porém, à altura da importância desta obra, que em 1958 foi estreada (numa versão em inglês) no West End de Londres, encenada por Peter Brook e que teve um grande sucesso. Tenho pouca experiência em assistir a comédias musicais no teatro e apenas posso comparar com as que tenho visto no Théâtre du Chatelet, quase sempre americanas e clássicas. por isso me pareceu a música de Irma la Douce um pouco pobre no que respeita aos arranjos. Mas gostei muito das melodias e certamente são elas que estão na origem do sucesso desta obra. Os intérpretes-cantores são bons, embora um deles, num papel de segundo plano me parece ter roubado o protagonismo dos intérpretes principais. Cheguei a pensar tratar-se de Boy George (!) pela voz grave e bela e indefinida em termos de género. Mas foi quando, chegando a casa, fui ver no YouTube canções de Irma la Douce por intérpretes dos anos 50/60, que me apercebi da maravilha que são as canções da peça. Ouvi maravilhado a canção Irma la Douce por Patachou e por Colette Renard e descobri duas excelentes cantoras. Com intérpretes da sua categoria esta comédia teria hoje outro impacto. Parece que descobri uma arte do passado que dificilmente será retomada. O que vi ontem não foi excelente mas permitiu-me conhecer uma obra clássica de grande qualidade. Paris 10.2015 Théâtre de la Porte Saint-Martin NOTA: 4/5

An American in Paris (T. Châtelet, 2015)

Habituámo-nos a ver os musicais da Broadway serem adaptados por Hollywood. Antigamente mais do que agora, claro. Em poucos meses o Théâtre du Châtelet, em Paris, inverte os hábitos do espetáculo musical. Baseando-se numa obra-prima cinematográfica da comédia musical, o Châtelet resolveu criar uma produção teatral original. Primeiro foi com Les Parapluies de Cherbourg (filme de Jacques Demy, 1964) agora chegou a vez de An American in Paris (filme de Vincente Minnelli, MGM, 1951). Na origem, aliás, está a composição orquestral homónima de George Gershwin de 1928, que nasceu de uma viagem do compositor pela Europa. Em 1951 o produtor Arthur Freed da MGM reúne os maiores talentos da comédia musical para criar um dos tesouros do cinema americano. Ficou famoso o ballet final (16 minutos) de Gene Kelly com Leslie Caron. Foi com base nestes pergaminhos todos que o Châtelet avançou para uma criação mundial. O sucesso tem sido imenso. Mais de um mês em cena, com poucos bilhetes ainda por vender. Em seguida, a produção segue para os Estados Unidos (que co-produziu este espetáculo). Mas era evidente quando eu fui ver o musical, que muitos americanos e ingleses tinham vindo a Paris para ver esta novidade. O espetáculo é lindíssimo e tanto o filme como a produção teatral agradam-me por darem muito espaço à dança. Nem sempre é assim. Muitos musicais propõem pouca dança. Em primeiro lugar, a música, as canções. Em An American in Paris, certamente por influência da presença de Gene Kelly, a dança tem um lugar preponderante. Na produção teatral manteve-se essa opção. Afinal Paris é o berço da dança clássica... A coreografia do musical coube ao britânico Christopher Wheeldon. Foi uma soirée inesquecível, emocionante, foi mais do que nostálgica, pois recupera para o presente referências que podem provocar os criadores contemporâneos, incitando-os a superar esses modelos. Paris, dezembro de 2014
Théâtre du Châtelet 4,5/5

Wonder.Land (T. Châtelet, 2015)

Wonder.land, musical de Damon Albarn com libreto e letras de Moira Buffini. Inspirado em Lewis Carroll (Alice), foi criado no Manchester International Festival em 2015, e agora foi apresentado pelo Théâtre du Châtelet. A encenação é de Rufus Norris. O melhor? A inspiração na valiosa obra de Carroll para falar dos jovens de hoje, que se refugiam no universo virtual como alternativa aos problemas em casa (ausência e incompreensão dos pais) e na escola (bullying). Alice procura um mundo onde possa ser ela, exprimir-se livremente. Mas as canções de Damon Albarn não são muito cantaroláveis, o que é fatal no mundo musical da pop. Vê-se com agrado (os muitos jovens presentes gostaram muito, pois facilmente se identificam com a protagonista) mas esquece-se logo a seguir. Paris 06.2015 Théâtre du Châtelet 2/5

O Beijo no Asfalto - O Musical (2015)

O Beijo no Asfalto é um clássico da dramaturgia brasileira. Um homem socorre outro homem que é atropelado, mas antes de morrer este pede ao outro que o beije na boca. Esse beijo no asfalto vai gerar uma tragédia. Nelson Rodrigues traça um quadro negro da sociedade brasileira, em que o preconceito é geral e mata. Muitas vezes posta em cena e três vezes adaptada ao cinema, esta tragédia carioca de Nelson Rodrigues foi encomendada pela atriz Fernanda Rodrigues e por seu marido, o ator e encenador Fernando Torres. Estreou no Rio de Janeiro em 1961 e foi um grande sucesso. Mas uma nova geração de talentos do teatro e da televisão brasileiros resolveu transformar a peça num musical. E que bem se saíram! Vi este musical ontem e fiquei conquistado por esta produção ambiciosa. Penso que mantiveram a peça integral de Rodrigues e acrescentaram música e canções originais (da autoria de Claudio Lins) assim como clássicos da música popular brasileira. O público adorou pois nada disto é forçado, parece uma criação própria, sem parecer a adaptação musical de uma obra que não foi originalmente concebida como tal. O elenco está de parabéns, em particular Claudio Lins, alma deste espetáculo, pois protagoniza-o e escreveu a música e as letras das canções originais. Rio de Janeiro, 30/10/2015 Teatro SESC Ginástico 4/5