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Les Parapluies de Cherbourg (Châtelet, 2014)

Qualquer cinéfilo conhece a obra-prima musical francesa Les Parapluies de Cherbourg (1964) de Jacques Demy. Beleza em estado puro, para quem é amante de musicais. Passados 60 anos, sobe ao palco do Théatre du Châtelet uma versão cénica em que brilha a maior cantora lírica francesa Nathalie Dessay, que até há pouco, marcava presença nos maiores teatros de ópera do mundo. Mas para mim, o grande triunfo deste musical é a partitura de Michel Legrand, que dirigiu a orquestra e foi justamente ovacionado no iníco e do final do espetáculo. O sucesso da peça, que fica em cartaz mais dois dias, é confirmado pela reação entusiástica do público. Muito bom. Paris 2014 Châtelet 4/5

Into The Woods (T. Châtelet, 2014)

Musical de Stephen Sondheim

O Théâtre du Châtelet continua a apresentar obras de Stephen Sondheim, talvez o mais operático de todos os grandes compositores de musicais americanos. Tendo visto pelo menos três ou quatro ao longo dos últimos anos, torna-se claro para mim que é um enorme compositor independentemente da área musical que se considere.  Into the Woods parte do imaginário dos contos de fadas, tal como foram revistos ou interpretados pelo psicanalista Bruno Bettelheim, para criar um espetáculo inteligente, irreverente e surpreendente. Assim, numa mesma história aparecem várias personagens de todos conhecidas (Cinderela, Capuchinho Vermelho, Rapunzel, etc.). Não existem aqui, como nos melhores musicais clássicos, canções que fiquem de imediato no ouvido e podem ganhar vida própria (como grande parte do cancioneiro americano, proveniente das comédias musicais da Broadway). Mas o tecido instrumental e as partes vocais vão-se sucedendo originando uma obra de grande beleza musical. Além disso o que se passa no palco também é uma maravilha. Uma encenação e direção de atores-cantores sem mácula fazem do espetáculo do Châtelet um dos melhores que já vi. Em maio e junho já estão programados óperas e musicais de John Adams (The Flowering Tree) e Richard Rodgers (The King and I). Depois de tantos excelentes espetáculos a que assisti no Châtelet, não faltarei à chamada para ver estas duas produções. Into the Woods (1987) Música e lyrics de Stephen Sondheim e libreto de James Lapine. Paris, abril de 2014 Théâtre du Châtelet 5/5

West Side Story (Paris, 2023)


West Side Story (Paris, 2023)
Théâtre du Châtelet, dezembro de 2023

Singin' in the Rain (Paris, 2015)

 
Singin' in the Rain (Paris, 2015)
Mais uma excelente produção do Théâtre du Châtelet na áreas dos musicais americanos. E mais um musical inspirado num clássico da comédia musical de Hollywood, talvez a melhor de todas. Na encenação, o grande Robert Carsen, que tem trabalhado com este teatro sempre com bons resultados. A peça segue de perto o filme, mas falta o talento genial de Gene Kelly. Mas tudo o resto, o argumento e as canções mantêm-se iguais e tudo é maravilhoso. Esta produção vai ser resposta no final deste ano. Boa ideia. Paris 03.2015 T. Châtelet 4/5

Man of La Mancha (Paris, 2021)

L’Homme de la Mancha (Paris, 2021)
Man of La Mancha é m musical americano dos anos 1960 que nos deu um clássico absoluto: The Impossible Dream. Anos depois Jacques Brel fez uma versão do musical que ganha agora uma nova produção no Théâtre du Châtelet. O público adorou e ovacionou a produção mas quanto a mim só retive mesmo a música. Felizmente a melodia de Rêver... está presente ao longo do espetáculo e realmente quando é cantada é um momento mágico. Paris 06.2021 Théâtre du Châtelet 3/5

42nd Street (Théâtre du Châtelet, 2022)

42nd Street (Théâtre du Châtelet, 2022)

An American in Paris (T. Châtelet, 2015)

Habituámo-nos a ver os musicais da Broadway serem adaptados por Hollywood. Antigamente mais do que agora, claro. Em poucos meses o Théâtre du Châtelet, em Paris, inverte os hábitos do espetáculo musical. Baseando-se numa obra-prima cinematográfica da comédia musical, o Châtelet resolveu criar uma produção teatral original. Primeiro foi com Les Parapluies de Cherbourg (filme de Jacques Demy, 1964) agora chegou a vez de An American in Paris (filme de Vincente Minnelli, MGM, 1951). Na origem, aliás, está a composição orquestral homónima de George Gershwin de 1928, que nasceu de uma viagem do compositor pela Europa. Em 1951 o produtor Arthur Freed da MGM reúne os maiores talentos da comédia musical para criar um dos tesouros do cinema americano. Ficou famoso o ballet final (16 minutos) de Gene Kelly com Leslie Caron. Foi com base nestes pergaminhos todos que o Châtelet avançou para uma criação mundial. O sucesso tem sido imenso. Mais de um mês em cena, com poucos bilhetes ainda por vender. Em seguida, a produção segue para os Estados Unidos (que co-produziu este espetáculo). Mas era evidente quando eu fui ver o musical, que muitos americanos e ingleses tinham vindo a Paris para ver esta novidade. O espetáculo é lindíssimo e tanto o filme como a produção teatral agradam-me por darem muito espaço à dança. Nem sempre é assim. Muitos musicais propõem pouca dança. Em primeiro lugar, a música, as canções. Em An American in Paris, certamente por influência da presença de Gene Kelly, a dança tem um lugar preponderante. Na produção teatral manteve-se essa opção. Afinal Paris é o berço da dança clássica... A coreografia do musical coube ao britânico Christopher Wheeldon. Foi uma soirée inesquecível, emocionante, foi mais do que nostálgica, pois recupera para o presente referências que podem provocar os criadores contemporâneos, incitando-os a superar esses modelos. Paris, dezembro de 2014
Théâtre du Châtelet 4,5/5

La Cage aux Folles (Châtelet, 2025)

La Cage aux Folles (Châtelet, 2025)

La cage aux Folles foi inicialmente uma peça de Jean Poirier. Em 1983 Jerry Herman, autor da música e das letras (em inglês), e Harvey Fierstein, autor do libreto, criam um musical baseado na peça de Poirier, que se tornou um clássico.

Em 2025, Oliver Py traduziu para francês e encenou uma nova produção, que se tornou um grande sucesso.

A grande estrela desta produção é Laurent Lafitte. 

Top Hat (T. Châtelet, 2026)

Este musical tem música e letras de Irving Berlin e book de Matthew White e Howard Jacques.  É baseado no filme Top Hat (Mark Sandrich, 1935).

Paris T. Châtelet, abril de 2026


Wonder.Land (T. Châtelet, 2015)

Wonder.land, musical de Damon Albarn com libreto e letras de Moira Buffini. Inspirado em Lewis Carroll (Alice), foi criado no Manchester International Festival em 2015, e agora foi apresentado pelo Théâtre du Châtelet. A encenação é de Rufus Norris. O melhor? A inspiração na valiosa obra de Carroll para falar dos jovens de hoje, que se refugiam no universo virtual como alternativa aos problemas em casa (ausência e incompreensão dos pais) e na escola (bullying). Alice procura um mundo onde possa ser ela, exprimir-se livremente. Mas as canções de Damon Albarn não são muito cantaroláveis, o que é fatal no mundo musical da pop. Vê-se com agrado (os muitos jovens presentes gostaram muito, pois facilmente se identificam com a protagonista) mas esquece-se logo a seguir. Paris 06.2015 Théâtre du Châtelet 2/5

Cole Porter in Paris (2021)

Cole Porter in Paris (2021)
Paris 2021 Théâtre du Châtelet

La Vie Parisienne (Offenbach,1866)









Direction musicale : Alexandra Cravero

Mise en scène Valérie Lesort

Décors: Éric Ruf

V’lan dans l’œil (Hervé, 1867)

V’lan dans l’œil (inicialmente intitulado L'œil crevé) é uma ópera bufa, o primeiro grande sucesso de Hervé, o pai da opereta. A sua apresentação hoje é um exercício de arqueologia artística. Foi um espetáculo de massas, tornou se uma curiosidade para um público especializado. Os números falados são por vezes penosos, histriónicos, mas quando a música começa os momentos de graça multiplicam-se. Música de inspiração popular, campesina, mas com uma orquestração erudita, de que gosto cada vez mais. Paris 06.2021 Théâtre du Châtelet 3,5/5

SAÜL (1736)

Enorme espetáculo, criado em 2015 no Festival de Glyndebourne pelo encenador Barrie Kosky. Anda desde então pelo mundo e chegou este mês a Paris, ao Théâtre du Châtelet. Raramente sentimos que a força de um espetáculo de ópera (Saül é na verdade um oratório bíblico) assenta no trabalho de encenação, mas é o que acontece neste caso. Os quadros sucedem-se, cada um mais impressionante e belo do que o outro. Saül apresenta a história de um rei que passa da admiração ao ódio a David, que venceu Golias e por isso é celebrado. A ira de Saül é incompreensível para todos mesmo para a sua família. Uma história bíblica (retirada do Livro de Samuel) e também shakespearana. Paris 01.2020 T. Châtelet 4,5/5

Recitais Líricos 2016

Recital de René Pape com Camillo Radicke (piano). 
Modeste Moussorgski: Songs and Dances of Death, 
Roger Quilter: Three Shakespeare Songs, Op 6 
Ludwig van Beethoven: Gellert-Lieder, Op 48
Antonín Dvořák: Biblical songs, Op 99
Paris 02.2016: 4/5


Renée Fleming & Philippe Jordan na Opéra de Paris
Renée Fleming voltou mais uma vez ao Palais Garnier, uma casa que a conhece bem (e onde a vi pelo menos em Cappriccio de Richard Strauss, inesquecível). Veio apresentar um recital de canções em três línguas: alemão, francês e russo, por esta ordem. Schumann, Richard Strauss, Dutilleux e Rachmaninoff. As canções do francês foram compostas para a própria Fleming, mas foram as que menos gostei, afinal trata-se de um autor contemporâneo e eu prefiro os mais clássicos. O bis deu-nos Mozart, Puccini e Gershwin. Muito bom. Paris 03.2016 Palais Garnier 4/5

Karita Mattila foi aplaudida de forma entusiástica ao longo e no final do recital que deu ontem no Théâtre du Châtelet. Logo após o primeiro ciclo de canções, os Cantos Ciganos de Brahms, percebeu-se que a noite ia ser excecional. O programa foi dedicado exclusivamente ao lieder alemão: Brahms, Wagner, Berg e Richard Strauss. A voz de Karita é enorme: grave e potente, quente e dramática. Imagino assim as vozes do norte da Europa (Karita é finlandesa). A soprano parecia uma cantora do tempo do cinema mudo: gestualidade sublinhada, emoções exteriorizadas. Isto aconteceu sobretudo nas canções ciganas de Brahms. Nos Wesendonck-Lieder, de Wagner, ela foi subtil sem deixar de ser intensa. Um recital magnífico. Paris 12.2016 T. Châtelet 5/5

Magdalena Kožená no Théâtre des Champs-Elysées
Que maravilhoso espetáculo! Magdalena Kožená e Emmanuelle Haïm (à frente do Concert d'Astrée) interpretam o barroco francês e italiano. Obrigado pelo convite, B. Paris 12.2016 Théâtre des Champs-Elysées 5/5

IL RE PASTORE (1775)

Que surpresa esta encenação de Il re pastore de Mozart! O teatro do Châtelet reserva-nos regularmente boas surpresas. A opera seria de Mozart, com libreto de Pietro Metastasio, anda à volta de pastores e reis, mas nesta produção original tudo se passa no futuro espacial da Galáxia Hebdo (!). É um Mozart mixado, pois sons próprios dos jogos de vídeo interagem com a música do compositor setecentista. O efeito é cómico e acentua a leveza deste divertimento mozartiano, assistido aliás por muitas crianças. Para além dos "barulhinhos bons" (dixit Marisa Monte) temos direito ao vídeo e a efeitos de três dimensões, para além da participação brilhante de acrobatas. Mas a gente vai à ópera para ouvir a música e o segundo acto, em particular, tem belíssimas árias, defendidas por excelentes cantores. Entre eles a portuguesa Raquel Camarinha (na foto) que ganhou uma ovação merecida. É raro encontrar um nome português no mundo internacional da ópera, mas Raquel Camarinha tem participado noutras produções do Châtelet e com sucesso. Aqui fica a nota patriótica. Paris 01.2015 Châtelet 3/5

Recitais Líricos 2015


Julia Migenes (Châtelet, 2015)

Fui ver uma ópera e saiu-me um recital de Weil.
Eu e B. conseguimos facilmente um bom lugar vinte minutos antes do começo da ópera Le Petit Prince. Com os bilhetes na mão, no café, vimos que neles estava escrito Julia Migenes. E foi o que tivemos como prato musical, uma Julia Migenes em ótima forma a percorrer o cancioneiro de Kurt Weill espalhado pelos musicais e pelas bandas de filmes de Hollywood. Infelizmente foi privilegiado o cancioneiro em alemão, com o seu canto teatral mais falado do que cantado, e tivemos direito apenas a dois grandes clássicos americanos: Speak Low e September Song. Gostaria que o recital tivesse sido sobre este cancioneiro americano, mais ao meu gosto. Paris 02.2015 Châtelet 3,5/5

Ontem o concerto do FIMPV foi dedicado à produção musical contemporânea para barítono e piano. André Baleiro e João Paulo Santos foram os intérpretes. O ciclo de canções Songs and Proverbs of William Blake op. 74 (1965) de Benjamin Britten foi a pièce de résistance deste concerto. Tivemos sobretudo a oportunidade de conhecer novos (e muito jovens) compositores e obras, que aliás participavam na final do 8º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim, a decorrer neste concerto. Apesar de ser um apaixonado pelo lied e pela mélodie, não fui tocado por estas novas propostas. Em relação a Britten conheço melhores composições para voz e piano (ou orquestra) compostas por ele. PV 07.2015 

Histoire du Soldat (Châtelet, 2025)

Histoire du Soldat (Stravinsky, 1918) 

DIREÇÃO MUSICAL Alizé Léhon ENCENAÇÃO Karelle Prugnaud VISTO Paris 25.06.2025 Théâtre du Châtelet 


Reprodução de um artigo de Télérama:

Histoire du soldat au Théâtre du Châtelet, un ovni théâtral et musical revisité de façon acrobatique 

La dimension circassienne imaginée par Karelle Prugnaud colle à merveille à ce mimodrame de 1918 signé Stravinsky pour la musique et Ramuz pour le texte. Le tout réenchanté par de brillants acrobates-comédiens.

23 juin 2025

Les plus grands récitants — du poète Jean Cocteau au metteur en scène Roger Planchon — auront scandé sur un rythme jazzy le visionnaire et crépusculaire mimodrame signé Igor Stravinsky (1882-1971) pour la musique et Charles-Ferdinand Ramuz (1878-1947) pour un texte brut et âpre, dont l’écriture concrète et poétique à la fois semble chevillée à la partition. Créée en 1918 à Lausanne alors que s’éternise la der des der, embrassant à la manière d’un conte pour enfant guerre, mal, mort, mémoire, passé, l’Histoire du soldat égratigne cœur et esprit à chaque reprise. Surtout dans cette mise en scène comme rarement accomplie de la comédienne et performeuse Karelle Prugnaud. Avec ses lumières noires, ses décors tout en ombres et lumières et son petit orchestre de sept musiciens nichés en l’air, au premier étage d’un bâtiment dévasté qui évoque autant l’Ukraine que Gaza. Sans actualisation sauvage et facile dans ce spectacle aux ambiances d’apocalypse et de rêve mêlées, qui conjugue musique, théâtre et cirque au gré d’un ballet infernal. Inspiré d’un vieux conte russe mais lorgnant autant le Woyzeck de Büchner (1813-1837) que le Faust de Goethe (1749-1832), cet ovni musical aux trois personnages — le récitant, le soldat, le diable — conte les illusions et désillusions d’un brave bougre violoneux revenu de la guerre pour une permission de quinze jours, où il se réjouit de retrouver mère et fiancée. Il croise malheureusement un diable vêtu de rouge incandescent, tel un cardinal (interprété par l’impressionnant circassien Nikolaus Holz à la voix d’outre-tombe). Qui lui propose d’acheter son méchant violon — métaphore de l’âme, on l’a compris — en échange d’un livre qui prédit l’avenir et lui permettra de devenir millionnaire. Histoire de le convaincre, le diable l’invite dans sa demeure où il lui fait découvrir les plaisirs comme les mirages du temps. Le soldat croit être resté trois jours ? Il est demeuré trois ans chez ce Méphisto, et à son retour au village, ni mère, ni fiancée ne le reconnaissent. Alors il décide de devenir riche. Avec le livre. Il n’y trouve pas davantage de bonheur. Lui importe désormais de récupérer son violon. Mais on ne joue pas impunément avec le diable, pas plus qu’on ne flirte avec le mal… Un public fasciné Impossible aussi de revenir en arrière, affirment le texte de Ramuz comme la musique de Stravinsky, imprégnée de références au présent, du tango au ragtime, que le compositeur a dû découvrir lors de son séjour dans le Paris cosmopolite de la Belle Époque. « Il ne faut pas vouloir ajouter à ce qu’on a ce qu’on avait… On ne peut pas être à la fois qui on est et qui on était… » Marche confiante vers le futur, croyance en la modernité, refus de se cantonner à un passé mortifère ? L’avenir et ses barbaries sans fin recommencées démentiront les deux artistes. Et un grand panneau s’affichera en latin à la fin du spectacle « Nihil mutat », soit « rien ne change ». La dimension circassienne imaginée par Karelle Prugnaud colle à merveille à cette Histoire du soldat réenchantée par des acrobates-comédiens, conçue à l’origine pour être jouée sans moyens, en ces temps de guerre interminable, et aisément tournée par les villages tel un spectacle forain. Par l’instantanéité de chacune de leurs performances, l’infini présent qu’ils font vivre à un public fasciné par la variété de leurs numéros, ils apportent paradoxalement un parfum d’éternité. Et si c’était l’extrême fragilité qui permettait de défier le temps?

A Flowering Tree (John Adams, 2007)


John Adams é um dos poucos compositores de música contemporânea que realmente aprecio. Já tive más experiências com óperas recentes, inclusive consagradas pela crítica. Mas com John Adams (e com Philip Glass) o caso muda de figura. Habituei-me a ouvi-los pelo disco e a gostar da sua música. Em Flowering Tree, que estreou ontem no Châtelet, a música tem momentos excelentes, mas mais uma vez, desinteressei-me desde o início pela história, só me interessava a voz como mais um instrumento (acontece-me quase sempre isso com a ópera barroca, que tem libretos complicados e difíceis de acompanhar). Foi um bom espetáculo, mas o melhor mesmo foi a música de Adams. Paris 05.2014 Théâtre du Châtelet 4/5

LA PIETRA DEL PARAGONE

O Théâtre du Châtelet apresentou uma nova produção de La Pietra del Paragone, de Rossini. Habitualmente, o problema das produções operáticas é o encenador. Já presenciei muitos encenadores serem assobiados à boca de cena. Eles têm a arriscada função de vestir obras-primas líricas, e geralmente saem vencidos. Mas desta vez... 
A acção é apresentada em dois planos (fotos), o inferior com os cantores sob um fundo azul e num plano superior ecrãs que amplificam e acrescentam o fundo desejado. Nunca me ri tanto numa ópera, pois os efeitos conseguidos nos ecrãs e os resultantes do que vemos num e noutro plano são brilhantes.
Não percebi patavina da história. O libreto do início dos anos 1810 ainda não se soltou totalmente do pecado dos libertos barrocos: condensar em três horas um enredo de telenovela. Bem tentei ler o resumo dos actos, mas nada feito. Que interessa? O prazer esteve todo no brilhantismo dos cantores-atores, na música de Rossini e na suprema encenação de Giorgio Berberio Corsetti (e dos videos de Pierrick Sorin).
Não é a primeira vez que o Théâtre du Chatelet me permite passar uma noite inesquecível. Em dezembro tinha sido a comédia musical My Fair Lady. Em ambos os casos trata-se de reposições de produções que fizeram sucesso em anos anteriores. Mas isso eu não sabia antes de ver estes espetáculos. Paris 01.2014 Châtelet 4/5