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Thomas: HAMLET (Opéra-Comique, 2018)


Os românticos franceses reconheceram Shakespeare como um dos seus, como um romântico avant la lettre quase tão distante no tempo quanto os Antigos para os renascentistas. A ópera inspirou-se muito em Shakespeare e Hamlet, de Thomas, é umas adaptações mais polémicas do bardo inglês. No entanto, é óbvio que Thomas e os seus libretistas interessaram-se mais pelo mito de Hamlet do que pela tragédia de Shakespeare. A ópera parece-se de facto com muitas óperas da mesma época, tendo sido concebida dentro do género francês em voga da grand opéra, apesar de ser particularmente intimista e reflexiva o que entra em contradição com as prioridades da grand opéra. Hamlet não é hoje muito representada mas foi no século xix uma das óperas mais populares. A atual produção da Opéra-Comique é muito boa. A encenação é moderna, com extenso recurso ao vídeo, e há papéis que vêm a calhar para consagrar os grandes cantores franceses da nova geração como Stéphane Degout (Hamlet) e Sabine Devieilhe (Ophélie). O público aplaudiu-os efusivamente. Não fiquei convencido da qualidade excecional de Hamlet, mas gostei muito de ter visto este espetáculo. Direção musical de Louis Langrée, mise en scène de Cyril Teste, Choeur e Orchestre des Champs-Élysées. Paris 12.2018 Opéra-Comique 3,5/5

Intérpretes: Stéphane Degout (Hamlet), Sabine Devieilhe (Ophélie), Sylvie Brunet-Grupposo (Gertrude), Jérôme Varnier (Le Spectre), Laurent Alvaro (Claudius), Julien Behr (Laërte), Kevin Amiel (Marcellus, 2ème Fossoyeur), Yoann Dubruque (Horatio, 1er Fossoyeur),  Nicolas Legoux (Polonius).

Recitais Líricos 2017

Juan Diego Flórez (T. Champs-Elysées, 11.2017)
Juan Diego Flórez em grande forma entusiasmou o público que lotou o Théâtre des Champs-Elysées. Um dos melhores recitais que vi. Paris 11.2017 TCE 5/5
Protagonistas:
Juan Diego Flórez, tenor
Joshua Weilerstein & Orchestre de chambre de Lausanne
Programa
Mozart 
Ouverture (Les Noces de Figaro) 
«Ich baue ganz auf deine Stärke» (L’Enlèvement au sérail) 
Ouverture  (Don Giovanni) 
«Il mio tesoro» (Don Giovanni) 
«Si spande al sole in faccia» (Il Re pastore) 
Ouverture (Così fan tutte) 
«Dies Bildnis ist bezaubernd schön» (La Flûte enchantée) 
«Fuor del mar» (Idomeneo) 

Rossini 
«Che ascolto? Aimè... Ah, come mai non senti» (Otello) 

Massenet 
Méditation, pour orchestre seul (Thaïs) 

Offenbach 
«O Dieu, de quelle ivresse» e «Va pour Kleinzach» (Contes d’Hoffmann) 

Mascagni 
Intermezzo (Cavalleria rusticana) 
Puccini «Che gelida manina» (La Bohème) 

Verdi 
Prélude de l’acte III (Traviata) 
«Questo o quella» (Rigoletto) 
«La mia letizia infondere» (I Lombardi)

Stéphane Degout canta Mahler (TCE, 10.2017)
Um concerto variado em termos de géneros musicais, ainda que exclusivamente alemão. O prato forte (para o meu gosto) foi o conjunto de lieder de Mahler, Kindertotenlieder, interpretado pelo barítono Stéphane Degout. Na segunda parte, duas obras impressionantes pelo efetivo de artistas que convocam: «Le Chant des Parques» de Brahms, com o Coro de Radio France, e a Symphonie n°8 de Schubert. Excelente. Paris 10.2017 TCE 4,5/5
Intérpretes: 
Orchestre national de France 
dir. Emmanuel Krivine 
Chœur de Radio France 
com Stéphane Degout

Programme : 
«Musique funèbre maçonnique», de Mozart
«Kindertotenlieder», de Mahler 
«Le Chant des Parques», de Brahms
Symphonie n°8 «inachevée», de Schubert

Rolando Villazón (tenor) & Ildar Abdrazakov (TCE)
O recital dado pelo tenor Roland Villazon e pelo baixo Ildar Abdrazakov decorreu sob o signo da amizade. Para além de cantar, individualmente e em dueto, eles abraçaram-se muito, provocaram-se mutuamente como dois velhos amigos, dançaram nos braços um do outro. Cantaram canções populares de língua espanhola (Granada), inglesa (Over the Rainbow, no bis) e russa. O público respondeu calorosamente a tanto afeto, não muito habitual num recital de ópera. Apesar da boa prestação dos dois excelentes cantores, gostei bem mais da passagem recente pelo mesmo teatro do tenor Juan Diego Florez. Paris 10.2017 TCE 3,5/5

Recital de canto: Rolando Villazón (tenor) & Ildar Abdrazakov (baixo) 
Guerassim Voronkov dirige a
Deutsche Staatsphilharmonie Rheinland-Pfalz

Programa
Emili Reznicheck Donna Diana Ouverture Verdi «L’Esule» (R. Villazón), 
«Uldino Uldin!... Mentre gonfiarsi l’anima... Oltre quel limite t'attendo» 
extrait d’Attila (I. Abdrazakov) 
Mascagni Cavalleria rusticana, Intermezzo 
Verdi « Non t'accostare all'urna » (R. Villazón) 
Airs et duo extrait de Mefistofele, de Boïto 
« Son lo spirito che nega » (I. Abdrazakov), 
« Strano figlio del caos » (R. Villazón & I. Abdrazakov),  
Ruperto Chapi La Revoltosa Ouverture 
Anselmo C. Carreno / Luis Fernandez de Sevilla « Ya mis horas felices » 
air extrait de La del Soto del Parral (R. Villazón) 
Rachmaninov "Ne poj, krasavitsa, pri mne" (I. Abdrazakov) 
Massenet La Vierge, dernier sommeil de la Vierge 
Stanislao Gastaldon "Musica proibita" (R. Villazón) 
Luigi Denza « Occhi di fata » (I. Abdrazakov) 
Ponchielli La Gioconda, Danse des heures 
Agustin Lara "Granada" (R. Villazón & I. Abdrazakov) 
Florian Hermann / Evgeny Hrebenka "Ochi Chyornye" (R. Villazón & I. Abdrazakov)

Sandrine Piau canta Ravel & Berg (TCE, 10.2017)
Sandrine Piau interpretou neste concerto dois conjuntos de canções do início do século XX. De Ravel, ouvimos Trois poèmes de Stéphane Mallarmé, e de Berg, Sept Lieder de jeunesse (1928). Foi o que eu mais gostei do concerto. Entre os dois momentos líricos, ouvimos a Introdução da ópera Capriccio, de Richard Stauss, que tem uma versão para sexteto de cordas, que foi a que ouvimos. Concluiu-se o serão com uma sinfonia de Mozart, inspirador de quase todos os músicos que lhe sucederam. 
Orchestre de chambre de Paris
direção de David Reiland
Sandrine Piau (soprano)

Programa: 
Ravel: Trois poèmes de Stéphane Mallarmé 
Strauss: Introduction de Capriccio (sextuor à cordes) 
Berg: Sept Lieder de jeunesse 
(version de Reinbert de Leeuw)
Mozart: Symphonie n° 29 K. 201

Simon Keenlyside (Palais Garnier, 2017)
Acompanhado por Malcolm Martineau ao piano, o barítono apresentou na Opéra um recital bem diversificado, abarcando várias línguas e tradições musicais. Na parte do encore cantou vários lieder de Schubert, autor que já tinha ocupado uma boa parte do recital. Acho que o que mais gostei foi de ter descoberto as canções em inglês, de compositores pouco conhecidos, à exceção de Vaughan Williams. Eis o programa detalhado.
Jean Sibelius
Kaiutar/Echo Op. 72/4  Illalle/To evening Op. 17/6  Romeo Op.61/4  Im Feld ein Mädchen singt Op. 50/3  Die stille Stadt Op. 50/5  
Franz Schubert  
Liebesbotschaft  Kriegers Ahnung  Ständchen  Die Stadt  Der Wanderer (D. 649 Schlegel Wie deutlich des Mondes Licht?)  Das Fischermädchen  Abschied  
Vaughan Williams  
The Vagabond  Youth and Love  The Infinite Shining Heavens  
Arthur Somervell  
There Pass the Careless People  
Peter Warlock  
My Own Country  Piggesnie  The Night  
Percy Grainger  
The Sprig of Thyme  
Francis Poulenc  
Tel jour, telle nuit  Bonne journée  Une ruine coquille vide  Le front comme un drapeau perdu  Une roulotte couverte en tuiles  A toutes brides  Une herbe pauvre  Je n'ai envie que de t'aimer  Figure de force brûlante et farouche  Nous avons fait la nuit

Paris 09.2017 Palais Garnier

 Recital francês (Opéra-Comique, 2017) 
Paris 06.2017 Opéra-Comique

Airs, duos et scènes du répertoire français 
Gaëlle Arquez, mezzo-soprano 
Jean-Sébastien Bou, baryton 
Mathieu Pordoy, piano

Programme
Gluck 
Iphigénie en Aulide: Air de Clytemnestre
Iphigénie en Tauride: Air d'Oreste, Air d'Iphigénie 
Ballet des ombres heureuses (Orphée et Eurydice)

Bizet 
Carmen, Séguedille 
Les Pêcheurs de Perles: air de Zurga « L’orage s’est calmé (…) Ô Nadir », Ouvre ton coeur
« Rêvons» 

Thomas 
Arioso d’Hamlet 

Massenet 
Air des Lettres de Charlotte (Werther)

Messager 
Mazurka, opus 11 Que l’heure est vite passée 

Debussy
Clair de lune
Fêtes Galantes II : Les ingénus, Le Faune, Colloque sentimental, Pelléas et Mélisande: Duo de la Fontaine

Ravel 
A la manière de Chabrier 
L'Heure Espagnole, air de Concepcion 
Don Quichotte à Dulcinée 

Chabrier 
Le Roi malgré lui: Barcarolle
 (Alexina/Henri)

Bis
Saint-Saens
El Desdichado (Boléro espagnol)


Richard Strauss por Renée Fleming (TCE, 2017)
Théâtre des Champs-Elysées 19/05/2017
I
Vier letzte Lieder (Richard Strauss, 1948)
Renée Fleming
Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden
II
Eine Alpensinfonie (Richard Strauss, 1915)
Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden

Música de câmara de tradição vienense (TCE, 05.2017) 
Yeree Suh
Wiener Solisten Septett 
(Solistas da Orquestra Filarmónica de Viena) 

Yeree Suh (soprano) 

Rainer Honeck (Violino e direção)

Programa
Wolfgang Amadeus Mozart: Quintette à cordes en mi bémol Majeur K 614  
Franz Schubert: Lieder  
Gustav Mahler: Cinq Lieder  
Alban Berg: Quatre Lieder op 2  
Richard Strauss: Metamorphosen

Paris 03.2017 Sala Théâtre des Champs-Elysées

Juan Diego Flórez (Palais Garnier, 2017) 
Juan Diego Flórez não estava em boas condições de saúde para fazer este recital, isso era mais que visível e originou momentos caricatos, mas acabou por fazer um recital maravilhoso. Acompanhado pelo pianista Vincenzo Scalera, cantou canções de Rossini e Leoncavallo, assim como árias de Rossini, Verdi, Puccini, Mozart e Massenet. Mas o bis foi igualmente soberbo: antes de terminar com Una furtiva lagrima de Donizetti, cantou, acompanhando-se à guitarra, três clássicos da música da América Latina, entre os quais "Cucurrucucú paloma" (Tomás Méndez, 1954) e "Malagueña salerosa". Paris 03.2017 Palais Garnier 4,5/5
Programa
Gioacchino Rossini 
La Lontananza, Bolero, Addio ai Viennesi 
Wolfgang Amadeus Mozart 
Ich baue ganz auf deine Stärke (Die Entführung aus dem Serail) 
Vado incontro (Mitridate, re di Ponto) 
Gioacchino Rossini 
Che ascolto ahime... Ah come mai non senti... (Otello) 
Ruggero Leoncavallo 
Aprile, Vieni, amor mio, Mattinata 
Giacomo Puccini 
Avete torto… Firenze è come un albero fiorito (Gianni Schicchi) 
Che gelida manina (La Bohème) 
Jules Massenet 
Pourquoi me réveiller (Werther) 
Giuseppe Verdi 
La mia letizia infondere (I Lombardi) 
De' miei bollenti spiriti… O mio rimorso (La Traviata)

Ludovic Tézier (Palais Garnier, 2017)
Ludovic Tézier é um dos melhores barítonos em atividade. No Palais Garnier, apresentou um recital maravilhoso, não tanto pela sua interpretação, que não me entusiasmou, mas pelo programa. Schubert e Schumann na primeira parte, Ibert, Duparc, Fauré e Berlioz na segunda parte. Os lieder alemães são mais conhecidos, alguns extraídos de ciclos de canções consagrados, mas era o repertório francês que suscitava o meu interesse. Duparc, com os fundamentais Invitation au voyage e La vie antérieure; e Berlioz, com L'île inconnue, são autores que ouço sempre com prazer. Excelente. Paris 01.2017 ONP 4/5

Schuberts Winterreise (Opéra-Comique)
Schuberts Winterreise é uma interpretação composta por Hans Zender da grande obra de Schubert. Uma composição que dá corpo orquestral ao ciclo de lieder (com piano) e permite uma dramatização próxima da ópera (contemporânea). No centro de tudo esteve Julian Prégardien, uma hora e meia sozinho no palco, cantando e encarnando o Homem de forma impecável. Outros protagonistas: Thierry Fischer dirigindo o Ensemble Intercontemporain, mise en scène d Jasmina Hadziahmetovic. Paris 11.2017 Opéra Comique 4/5
Anja Harteros (Palais Garnier, 2017)
A soprano Anja Harteros deu um recital exemplar de lieder: Schubert, Schumann, Alban Berg, Richard Strauss. Foi acompanhada pelo pianista Wolfram Rieger. Paris 06.2017 Palais Garnier 5/5

STÉPHANE DEGOUT

MÉLODIES (2010)
CD digipak Naïve 2010
DISCOTECA F