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Ascanio in Alba (Mozart, 1771)

Ascanio in Alba K. 111
Wolfgang Amadeus Mozart

INTÉPRETES
Mélissa Petit, Venere
Alisa Kolosova, Ascanio
Anna El-Khashem, Silvia
Alasdair Kent, Aceste
Eleonora Bellocci, Fauno

Les Talens Lyriques
Christophe Rousset, direction
Le jeune chœur de paris | CRR de Paris - Ida Rubinstein

Sobre a obra:
Serenata teatral em 2 actos
Composição: Wolfgang Amadeus Mozart
Libreto: Giuseppe Parini
Criação: Milão, Regio Ducal 11.10.1771, para o casamento do arquiduque Ferdinand d'Autriche com Marie-Béatrice d’Este, princesa de Modena

Mozart: Requiem (TCE, 2026)

PROGRAMA
Mozart: Concerto pour violon n° 5 K. 219 (1775), "Turco"
Mozart: Requiem K. 626 (1791)

INTÉRPRETES
Regula Mühlemann, soprano
Marie-Andrée Bouchard-Lesieur, mezzo-soprano
Dave Monaco, ténor
William Meinert, basse

Berner Symphonieorchester
Alevtina Ioffe, direction
Diana Tishchenko, violon
Chor der Bühnen Bern

Paris Théatre des Champs-Elysées
30 mars 2026

LE MONDE - MOZART

1:Piano Concertos/Pollini(esp)
2:Requiem/Krips 
3:Clarinete/MartinFrost
4:Quartetos cordas/Leipziger
5&6:Figaro/Kleiber
7.Serenades 8:Sinfonias/Karajan/Kemp 
10:Flauta/Bezaly 
11&12.Don Giovanni/Giulini
13.Quintetos cordas/Imai
14.Musique religieuse/Maag
15.Concertos para Cor/Klemperer
16.Musique maconique/Kuhn
18.Airs de concert/Sieden
23:Violin Concertos/Zehtmair
24:Grandes Vozes Mozartianas
28:M.Câmara/Arion Trio
29/30.Flauta Magica/Bohm

IL RE PASTORE (1775)

Que surpresa esta encenação de Il re pastore de Mozart! O teatro do Châtelet reserva-nos regularmente boas surpresas. A opera seria de Mozart, com libreto de Pietro Metastasio, anda à volta de pastores e reis, mas nesta produção original tudo se passa no futuro espacial da Galáxia Hebdo (!). É um Mozart mixado, pois sons próprios dos jogos de vídeo interagem com a música do compositor setecentista. O efeito é cómico e acentua a leveza deste divertimento mozartiano, assistido aliás por muitas crianças. Para além dos "barulhinhos bons" (dixit Marisa Monte) temos direito ao vídeo e a efeitos de três dimensões, para além da participação brilhante de acrobatas. Mas a gente vai à ópera para ouvir a música e o segundo acto, em particular, tem belíssimas árias, defendidas por excelentes cantores. Entre eles a portuguesa Raquel Camarinha (na foto) que ganhou uma ovação merecida. É raro encontrar um nome português no mundo internacional da ópera, mas Raquel Camarinha tem participado noutras produções do Châtelet e com sucesso. Aqui fica a nota patriótica. Paris 01.2015 Châtelet 3/5

DVD & Discoteca Die Zauberflöte (1791)

DIE ZAUBERFLÖTE (1954)
CDD Les Indispensables de Diapason nº23 
Ferenc Fricsay & Radio-Symphonie-Orchester Berlin 1954
Com Maria Stader, Ernst Haefliger, Dietrich Fischer-Dieskau, Rita Streich, Josef Greindl
DISCOTECA


DVDTECA:
Gravação ao vivo de 1983
Com Kurt Moll, Francisco Araiza, Edita Gruberova, Lucia Popp, Wolfgang Brendel
DVD D.G. 2005
VIDEOTECA


CONCERTOS 2017

Prokofiev, Fauré e Mozart no TCE

Théâtre des Champs-Elysées, 30 de maio de 2017

Lisa Batiashvili (violino)
François Leleux & Orchestre de Chambre de Paris

PROKOFIEV
Sinfonia nº1 "Clássica" (1918) 
Concerto para violino e orquestra n°1 (1923) 

FAURE
Pélleas et Mélisande (1898)

MOZART
Arias para oboé e e orquestra de câmara a partir da Flauta Mágica e de Don Giovanni 
(arranjos e oboé de François Leleux)

Die Kölner Akademie & Ronald Brautigam 07.2017

Na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim, no domingo, a orquestra barroca Die Kölner Akademie (dirigida por Michael Alexander Willens) e o pianista Ronald Brautigam deram um concerto dedicado a «Concertos para fortepiano». Mozart e Haydn foram os compositores eleitos. PV 07.2017

Concerto de aniversário do Concert Spirituel
Foi um espetáculo muito especial. O Concert Spirituel, fundado (em 1987) e dirigido por Hervé Niquet, faz 30 anos e pôs o público do Théâtre des Champs-Elysées a cantar em uníssono "joyeux anniversaire". No pós-concerto, Niquet falou com o público e agradeceu aos que ajudaram desde o início o Concert Spirituel (e para isso desenrolou no palco um enorme rolo com o previsto efeito cómico).
O concerto com que se iniciou a noite não poderia ter sido melhor para este aniversário. Assistimos à criação de Un opéra imaginaire, que resultou de uma ideia não concretizada de Louis XIV, a de reunir num espetáculo as suas músicas preferidas. Então foi criada uma ópera formada a partir de árias de obras de autores dos séculos XVII/XVIII como Mondonville, Bertin de la Douée, Rameau, Campra, Dauvergne, Colin de Blamont, Francœur, Rebel, Marais, Leclair, Charpentier, Stuck, Destouches. Foi uma realização esplêndida, que me agradou mais do que uma iniciativa semelhante que vi recentemente (Miranda, com músicas de Henry Purcell). Paris 10.2017 TCE 4,5/5

Intérpretes:
Orchestre et Chœur du Concert Spirituel 
Hervé Niquet , direção
Chantal Santon-Jeffery, soprano, 
Karine Deshayes, mezzo-soprano, 
Reinoud van Mechelen, ténor
Ravel & Schonberg por Christian Thielemann (TCE, 2017)
I
Maurice Ravel: Concerto pour piano en sol majeur (1932)
Daniil Trifonov (piano) 
II
Arnold Schonberg: Pelleas und Melisande (1905)

Christian Thielemann & Staatskapelle Dresden
Théâtre des Champs-Elysées, maio de 2017

Uma noite ao som de Wolf, Mahler & Brahms (TCE, 2017)
Era o lieder que mais me atraía neste concerto, mas acabou por ser a primeira sinfonia de Brahms que mereceu a minha maior atenção. A Orchestre des Champs-Élysées, dirigida por Philippe Herreweghe, juntou-se ao barítono Dietrich Henschel para nos dar  «Mörike-Orchesterlieder» de Wolf, Lieder de Mahler e a Sinfonia n°1 de Brahms. Paris 10.2017 TCE 4/5


Orchestre Pasdeloup com Danielle Laval & Renaud Fontanarosa
(Théâtre des Champs-Élysées)
A orquestra Pasdeloup foi criada em 1861 para divulgar as melhores obras, e as mais acessíveis, do repertório clássico ao maior número de pessoas. Eram os concerts populaires, tão importantes na cultura musical francesa e que ainda hoje se mantêm na memória com concertos como este. Foi a orquestra Pasdeloup, por exemplo, que criou várias obras de Saint-Saëns. E Mozart deve ter sido um prato forte da orquestra desde sempre, pois o divino músico de Viena sempre foi de agrado de muitos. Os solistas Danielle Laval & Renaud Fontanarosa foram magníficos.

Orchestre Pasdeloup 
Wolfgang Doerner, direção 
Danielle Laval, piano 
Renaud Fontanarosa, violoncelo

Programa:
Mozart Ouverture d’Idomeneo 
Saint-Saëns Concerto pour violoncelle n° 1 op. 33 
Mozart Symphonie n° 35 K. 385 dite « Haffner » 
Concerto pour piano n° 21 K. 467 

Théâtre des Champs-Élysées
20 de setembro de 2017

Homenagem a Debussy (TCE, 2017)
Debussy
Sonate n° 1 pour violoncelle et piano
Sonate n° 2 pour flûte, alto et harpe, Syrinx
Sonate n° 3 pour violon et piano
Prélude à l’après-midi d’un faune 

Fauré 
Elégie opus 24 pour violoncelle et piano

Williencourt
Sonate pour violon et piano op. 20 « L’Attente » 
Trio pour flûte, violoncelle et harpe opus 29 «Les Êtres-là» 

Naoumoff  
Elégie pour violoncelle et piano



Fazil Say é um pianista e compositor. No final deste concerto apresentou a sua última obra, Black Earth The Art of Piano, fascinante. Mas foi com Appassionata que a sala veio abaixo com os aplausos. Say é um chouchou entre os pianistas, será pela gestualidade para lá de expressiva das mãos? Do que eu mais gostei mesmo foi de ter ouvido as Gnossiennes de Satie, autor menos presente nos recitais do que Chopin e Beethoven. Paris 4,5/5
Programa:
Chopin: Trois Nocturnes
Beethoven: Sonate n° 23 «Appassionata» 
Satie: Six Gnossiennes 
Say: Black Earth The Art of Piano

Buxtehude na Cathédrale de Nôtre-Dame (2017)
Uma estreia para mim: um concerto na Cathédrale de Nôtre-Dame. Coro, solistas e pequeno agrupamento instrumental para celebrar uma obra única de Dietrich Buxtehude: Membra Jesu nostri (1680). Um ciclo de cantatas que se referem a partes do corpo sacrificado de Jesus. Muito bom. Paris 03.2017

Grande Denis Matsuev. Confirmou o seu virtuosismo na brutal sonata de Prokofiev e o seu lirismo contido nas Cenas infantis, de Schumann, o meu número preferido da noite. Programa:

Beethoven
Sonate n° 17 op. 31 n° 2 « La Tempête »
Sonate n° 31 op. 110

Schumann 
Scènes d’enfants op. 15

Tchaïkovski 
Méditation op. 72 n° 5

Prokofiev 
Sonate n° 7 op.

Théâtre des Champs-Elysées
setembro de 2017

LA CLEMENZA DI TITO (1791)

Por uma vez não impliquei com uma encenação de ópera. Willy Decker utiliza um grande volume de mármore que ocupa o centro do palco, mudando apenas de posição entre as cenas, talvez para representar a solidez, a fidelidade, assim como a flexibilidade de Titus, que perdoa quem lhe armara um complot num acesso de ciúme (Vittelia e Sesto). Maravilhoso. Paris 11.2017 Palais Garnier 4/5
Protagonistas:
Willy Decker (mise en scène)
Dan Ettinger (dirige a ONP) 
Michael Spyres (Tito)
Aleksandra Kurzak (Vitellia), 
Marianne Crebassa  (Sesto)
Valentina Nafornita (Servilia), 
Angela Brower (Annio)
Marko Mimica (Publio) 
Palais Garnier 
25/11/2017

 O ESPETÁCULO (TCE, 2017)

Ah, o início do segundo ato de La Clemenza de Tito, de Mozart! Que doçura, que graça espiritual que me lembrou as Paixões de Bach. Poucas vezes vi uma sala de ópera tão inflamada como esta noite. La Clemenza foi apresentada em versão de concerto, com toda a gente no palco, à vista de todos: orquestra, maestro, coro e solistas. Eu não conhecia esta opera seria de Mozart, que tem um libreto de que nada percebi (nem me interessou perceber) porque a força e a beleza da música de Mozart exprimem por si só todas as nuances da sensibilidade humana.
Eis os protagonistas da noite (as três solistas femininas foram particularmente ovacionadas, assim como Currentzis):
Teodor Currentzis & MusicAeterna
Maximilian Schmitt (Tito)
Karina Gauvin (Vitellia)
Stéphanie D’Oustrac (Sesto) 
Anna Lucia Richter (Servilia)
Jeanine De Bique (Annio)
Willard White (Publio)
Théâtre des Champs-Elysées
15 de setembro de 2017

BIBLIOTECA (2)

LA CLEMENZA DI TITO (1999)
Programa de espetáculo 
ONP 1999
BIBLIOTECA P

LA CLEMENZA DI TITO (2013)
Programa de espetáculo 
ONP, novembro de 2013
BIBLIOTECA F

COSÌ FAN TUTTE (1790)

O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2024)

Artigo sobre Così fan Tutte

Così fan tutte à l’Opéra Garnier : Anne Teresa De Keersmaeker revisite Mozart 

La chorégraphe belge mêle danse et chant dans une œuvre à la fois légère et profonde. "Così fan tutte", l'ultime oeuvre de Wolfgang Amadeus Mozart, enthousiasme le public.  Article de Mohamed Berkani 06.2024

A l’heure de MeToo et des luttes féministes, le dernier opéra de Mozart peut sembler pour le moins anachronique. Hors contexte historique, Così fan tutte (Ainsi font-elles toutes) a des difficultés à habiter le présent. Les normes sociales ont évolué, le statut des femmes aussi. Le livret de Lorenzo da Ponte, écrit en 1789, peut paraître un peu poussiéreux.  Mais, pour reprendre le titre, que font donc toutes les femmes ? Trahir, être infidèles. Ces mêmes femmes sont comparées, lors de la seizième scène, à des gallinacés. "Et (les aimables épousées) qu’à la manière des poules, elles soient prolifiques d’enfants, qui les égalent en beauté", entonne joyeusement le chœur.  

Pour Anne Teresa De Keersmaeker, l'oeuvre est loin d'être sexiste. "Certaines féministes vilipendent cet opéra pour son supposé sexisme avec la même hargne que les moralisateurs du XIXe siècle. (...) Les deux interprétations -misogynie et excès de frivolité- témoignent à mon sens d'une lecture supercielle. Surtout d'une écoute superficielle. Prima la musica, dopo le parole. La musique d'abord, les paroles ensuite", écrit, dans le livret, la metteuse en scène et chorégraphe.   Comment adapter cet opéra, donné pour la première fois à Vienne en 1790 ? C’est sur un plateau vide, un décor nu peint en blanc, qui évoque la froideur d’une clinique qu’Anne Teresa De Keersmaeker installe la trame. Les artistes évoluent dans cet espace intemporel. Dans la mise en scène de la chorégraphe belge, chaque personnage est doublé d’un danseur. Ainsi la danse prolonge le chant, l’espace vide est habité par la voix et le mouvement. Le corps devient langage. L’ultime opéra de Mozart, un marivaudage léger, prend une autre dimension.   Que raconte Così fan tutte ? Pour leur troisième collaboration après Les Noces de Figaro et Don Giovanni, le librettiste Lorenzo Da Ponte et Wolfgang Amadeus Mozart se sont attelés à une œuvre plus légère qui questionne le désir et la trahison. La trahison côté féminin, car l’infidélité masculine n’est perçue que comme séduction.  Ainsi, Don Alfonso, personnage cynique et blasé, veut convaincre deux jeunes officiers très amoureux que leurs fiancées sont, selon lui, comme toutes les autres femmes, soit infidèles. Pour les convaincre, il leur demande de se déguiser en riches Albanais pour séduire les deux sœurs. Le temps de changer de chemise, les voilà méconnaissables. Et, plus tard, ils redeviennent eux-mêmes en changeant, cette fois, de veste.   Enthousiasme Ce mardi 18 juin, le public de l’Opéra Garnier tombe sous le charme de la performance des artistes. Les applaudissements sont francs et nourris tout au long du spectacle. Point d’orgue : le final du premier acte qui soulève littéralement un grand enthousiasme.  L’orchestre enfiévré dirigé par Pablo Heras-Casado et la prestation de tous les chanteurs reçoivent une longue ovation. La soprano sud-coréenne Hera Hyesang Park, formidable en Despina espiègle et profonde, réussit à mettre le public de son côté à chaque apparition.   Scène de "Così fan tutte" à l'Opéra Garnier avec les six interprètes lyriques et leurs doubles danseurs. 

Sur scène, six interprètes, et donc douze avec leurs doubles en danseurs, mais aussi la musique qui a quitté la fosse pour occuper tout l’espace. Sa présence est palpable à chaque instant. 

Direction musicale : Pablo Heras-Casado  Mise en scène et chorégraphie : Anne Teresa De Keersmaeker  Distribution : Vannina Santoni, Angela Brower, Hera Hyesang Park, Josh Lovell, Gordon Bintner, Paulo Szot, et les danseurs de la compagnie Rosas : Cynthia Loemij, Samantha van Wissen, Marie Goudot, Julien Monty, Michaël Pomero, Boštjan Antončič et Carlos Garbin.


O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2017)

Gostei sem dúvida mais da Clemenza de Tito, do mesmo Mozart, que tinha visto na noite anterior, apesar de ser em versão de concerto, e deste Cosi fan tutte ser encenada (e coreografada por Anne Teresa De Keersmaeker). Talvez porque os cantores de Clemenza eram melhores e essa ópera se assemelhasse por vezes a um oratório e incluísse páginas escrita paras coro particularmente sublimes. Aliás, no Palais Garnier, Cosi não teve direito a bravos, que todavia choveram sobre a equipa de La Clemenza, no final, e sobre cada uma das intérpretes femininas na atuação individual. Anne Teresa De Keersmaeker propõe um duplo para cada um dos cantores de Cosi, duplo que é um dançarino da sua companhia Rosas. E um cenário despido, branco clínico, por onde cantores e bailarinos evoluem: é original mas cerebral, talvez demasiado para esta opera buffa de Mozart. Philippe Jordan dirigiu a Orchestre de l’Opéra national de Paris. Paris 09.2017 Palais Garnier 3/5


Mozart - Quatre Sonates (Gabriel Tacchino, 1961)

MOZART QUATRE SONATES (1961)
K7 Cassete EMI sd
DISCOTECA F

Mozart: Piano Concertos Nos. 25 & 27 (Friedrich Gulda, & C. Abbado, 1976)

Mozart: Piano Concertos Nos. 25 & 27
Friedrich Gulda, piano e Claudio Abbado/Wiener Philharmoniker
LP Vinil D.G. 1976
DISCOTECA F

LE NOZZE DI FIGARO (1786)

A OBRA (Mozart, 1786)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)
Paris 15.12.2025 Palais Garnier 

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)

Opéra de Paris, Palais Garnier, 30 de novembro de 2022

CRÍTICA DE FORUM OPÉRA:

Au théâtre ce soir ? Stendhal aura su exprimer avec une indépassable évidence ce que chacun peut ressentir au fond de soi lorsqu’il écoute Mozart, et particulièrement les Noces de Figaro : « un mélange sublime d’esprit et de mélancolie, tel qu’il ne s’en trouve pas un second exemple. » De cet équilibre entre la comédie et le drame, entre le drôle et le grave, les metteurs en scène, depuis maintenant deux ou trois décennies, font souvent pencher la balance vers le plus sombre. Telle n’est pas la volonté de Netia Jones, qui insiste, dans ses notes d’intention reproduites dans le programme, sur la drôlerie de la pièce de Beaumarchais, que le livret de Da Ponte et la partition de Mozart ont voulu sublimer. Qui voudrait voir, dans ce retour proclamé aux racines théâtrales et à la nature comique de l’œuvre, l’annonce d’un spectacle virevoltant et virtuose pourrait néanmoins s’exposer à quelques désillusions. A priori, transposer l’action dans les coulisses d’un théâtre pendant les répétitions de la pièce de Beaumarchais n’avait pourtant rien d’un contresens : coiffeur et perruquier (profession somme toute assez voisine de celle barbier, qu’il exerça dans une autre vie …), Figaro s’apprête à convoler avec Susanna, la couturière, mais se heurte aux agissements libidineux d’un acteur poursuivant de ses assiduités toutes les femmes qui ont le malheur de passer devant sa loge. Actrice, elle aussi, la Comtesse Almaviva dissipe son ennui en collectionnant les bouquets de fleurs, tandis qu’on ne sait pas vraiment qui est Chérubin, mais un ado reste un ado, donc va pour le survêtement rouge et la casquette. Si le théâtre dans le théâtre n’a rien de très novateur, il bénéficie en l’espèce d’une scénographie chic à la Robert Carsen, autre grand amateur du procédé. Le problème, c’est qu’une fois le concept posé, il convient de le faire vivre. Or, c’est la vie qui manque ici. Alors que le vaste plateau de Garnier doit se contenter, pour son remplissage, des tics habituels que l’on retrouve aujourd’hui dans trois mises en scène sur quatre (doubles des personnages en projections vidéo, effeuillage régulier des protagonistes, etc.), l’inexplicable absence de direction d’acteur menace – un comble ! – de faire retomber jusqu’aux quiproquos les plus payants. Pas de huées aux saluts, car au fond tout cela reste élégant ; il n’empêche que nous quittons notre siège sans être certain que Netia Jones savait ce qu’elle voulait vraiment nous dire avec cette nouvelle production.  

Souvent condamnés à l’immobilité, les chanteurs ne peuvent compter que sur leur propre charisme pour faire vivre leurs personnages. A ce petit jeu, Peter Mattei a des atouts vainqueurs : on pourrait entendre ce Comte encore cent fois sans se lasser une seconde de son extraordinaire magnétisme. Le crémeux inaltéré de la voix achève un portrait toujours aussi convaincant. Et puis Lea Desandre… « Voi che sapete » a beau avoir été interprété par toutes les chanteuses du monde, seule une petite poignée d’artistes a su dessiner un Cherubino totalement abouti. Il y a eu le raffinement de Sena Jurinac, la fraîcheur de la jeune Christa Ludwig, la sensibilité de Frederica von Stade. Aujourd’hui, il y a Lea Desandre, timbre d’ambre et engagement total qui font palpiter la moindre phrase. Luca Pisaroni demeure, en Figaro, une référence. Arrivé en castrophe pour remplacer Adam Palka (lui-même appelé en remplacement d’Ildebrando d’Arcangelo), il faut mettre sur le compte de ces circonstances inhabituelles les quelques décalages et les aigus blanchis entendus en début de soirée, tant il fait mieux que se rattraper par la suite, appuyé sur un instrument percutant et une incarnation toujours aussi forte. Anna El-Kashem, elle aussi remplaçante (de Ying Fang), pourrait évoquer, avec sa voix claire et son vibrato juvénile, un souvenir de Barbara Bonney ; mais le volume paraît bien confidentiel. La projection pose aussi quelques problèmes à Maria Bengtsson, pas toujours audible dans des ensembles, émouvante cependant dans un « Dove sono » sur le fil. Parmi des seconds rôles où l’on retient la jolie Barbarina de Kseniia Proshina et le Bartolo hargneux de James Creswell, Dorothea Röschmann fait une Marcellina de luxe, apportant à chaque réplique une connaissance intime, presque organique, de la ligne mozartienne.  

Pour sa deuxième et dernière production de la saison, Gustavo Dudamel confirme son entente avec les musiciens de l’Opéra de Paris, nonobstant quelques décalages qui devraient se corriger d’eux-mêmes au fur et à mesure des représentations : sa direction les met en valeur à chaque instant, souligne mille détails, des sourires échangés par le hautbois et le basson dans « Sull’aria » aux grognements des cordes dans « Aprite un po’ quegli occhi », et veille les poings serrés à la progression dramatique, admirable dans le final du II. Les apports des lectures sur instruments d’époque sont bien loins ; pourtant, tout cela s’anime, respire, vit – le théâtre, ce soir, se trouvait dans la fosse !

Clément Taillia


O ESPETÁCULO (Publicis, 2015)

Le Nozze di Figaro é uma daquelas obras que a gente vê, revê e volta a ver a vida inteira sem cansar. Nada se assemelha às operas de Mozart, tocadas pela graça e pelo humor expressos pelas notas geniais do compositor. Os encenadores e os intérpretes (não apenas cantores) podem sublimar a obra de Mozart mas acaba por ser a música o cerne de todo o prazer que os espectadores têm ao ver encenadas as suas obras. Esta produção de David McVicar para o Covent Garden data de 2006 e tornou-se popular, com várias reposições ao longo dos anos. Vi uma dessas reposições, a de 2010, no próprio Covent Garden (com David Syrus à frente da orquestra) e agora volto a ver outro revival em transmissão direta para as salas de cinema (o maestro desta vez é Ivor Bolton). Segundo as minhas notas (a memória não vai lá...) vi pela primeira vez Le Nozze di Figaro no Coliseu do Porto em 2002 e igualmente em Paris, na Bastille, em 2011 (encenada por Giorgio Strehler). Portanto é uma das óperas que melhor conheço e cujo reencontro é sempre um acontecimento. Fico sempre extasiado perante os números de grupo, com aquela desarmonia e harmonia das vozes de que Mozart tinha o segredo, sem desprimor para as árias de uma só personagem, como as maravilhosas e imortais árias de Cherubino (Non Più Andrai" e "Voi, che sapete che cosa é amor") e a de Figaro ("Non più andrai"). Bem, isso são pormenores sem importância perante tamanha obra musical, tamanha obra de arte. Paris 10.2015 Cinéma Publicis 5/5

DISCOTECA 6:

Karl Bohm 1968
Coffret LP Vinil D.G
DISCOTECA

Giulini/1961 (Diapason)

Solti/1981*

Ostman/1988exc

Haitink/1994(DVD) 


Erich Kleiber/1955

CD Le Monde
DISCOTECA


BIBLIOTECA:

L'Avant-Scène Opéra n° 135-136
Edição de 1999 (original é de 1990)
BIBLIOTECA

CONCERTOS 2023

Mozart Requiem
Paris 2023 TCE 5/5
Sala Théâtre des Champs-Elysées 10.2023
Julia Lezhneva, soprano



Winterreise, de Schubert

Peter Mattei & David Fray, piano

Théâtre des Champs- Élyséen, 26 janvier 2023 


Père et Fils (TCE, 2023)

Um concerto maravilhoso de Lieder do romantismo alemão, sobretudo Schubert et Beethoven. Por Christoph e Julian Prégardien, acompanhados pela Orchestre de Chambre de Paris. Paris 02.2023 TCE 4/4

Biblioteca MOZART

MOZART (2005)
Autor: André Tubeuf
Actes Sud/Classica 2005
BIBLIOTECA
Leituras 2024

HAYDN ET MOZART (2001)
Obra de Marc Vignal
Fayard #Les chemins de la musique" 2001
BIBLIOTECA

MOZART
Folio Biographies nº 41
BIBLIOTECA

MOZART
Découvertes Gallimard nº 41
BIBLIOTECA


Mozart - Sociologia de um génio (1991)
Autor: Norbert Elias
Ed. Zahar 1995
BIBLIOTECA

Le voyage de Mozart à Prague (Eduard Mörike, 1856)
Éditions Ombres (Toulouse) 1989
BIBLIOTECA
(Outra edição)

Biblioteca Don Giovanni (2003)

DON GIOVANNI (2003)
Programme de l'Opéra National de Paris
BIBLIOTECA
Leitura, setembro de 2023

DON GIOVANNI (1787)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)

Encenação de Claus Guth
(criada em Salzburgo em 2008)

O ESPETÁCULO (Rio de Janeiro, 2023)

Rio de Janeiro 2022


O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)

Don Giovanni é a história de um crime e da sua punição. Uma história actual, dos nossos dias marcados pelo movimento #Meetoo. Don Giovanni confundiu amor com instinto de posse e manipulação de mulheres. E se danou. Com Étienne Dupuis (Don Giovanni), Philippe Sly (Leporello), Jacquelyn Wagner (Donna Anna), Elsa Dreisig (Zerlina), Ain Anger (Il Commendatore), Nicole Car (Donna Elvira), Stanislas de Barbeyrac (Don Ottavio), Mikhail Timoshenko (Masetto). Mise en scène de Ivo van Hove. Direção musical de Philippe Jordan. Paris 06.2019 Opéra Garnier 4/5


O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)

Já vi muito boas produções de Don Giovanni, como por exemplo a de Michael Haneke na Bastille, mas é sempre um prazer rever esta obra-prima de Mozart, uma das minhas óperas preferidas. Kasper Holten opta por uma solução que já vi algumas vezes no teatro: um edifício que ocupa o palco inteiro vai rodando e nele evoluem as personagens, que passam de divisão em divisão. Este dispositivo é interessante e inteligente porque lembra o jogo das escondidas: neste caso, várias mulheres seduzidas e enganadas por Don Giovanni tentam desmascará-lo levando-o à condenação fatal. Londres 07.2018 Covent Garden 4/5
Marc Minkowski (direção)
& 
Orchestra of the Royal Opera House
Kasper Holten (encenação de 2014)
Luke Halls (video designs)
Cantores:
Hrachuhi Bassenz (Elvira) 
Chen Reiss (Zerlina) 
Anatoli Sivko (Masetto) 
Willis-Sørensen (Donna Anna) 
Mariusz Kwiecień (Don Giovanni) 
Ildebrando D’Arcangelo (Leporello) 
Pavol Breslik (Don Ottavio)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2015)
Já tinha visto duas vezes esta produção de Don Giovanni assinada por Michael Haneke. Trata-se de uma produção da casa, da Opéra de Paris, criada em 2006 e reposta três vezes: 2007, 2012 e 2015. Tendo conseguido bilhete (coisa cada vez mais rara) não hesitei em rever novamente uma das melhores óperas de sempre e uma das minhas óperas preferidas. A primeira vez que vi Don Giovanni foi no Coliseu do Porto em 1999. Impressionou-me logo à primeira. Don Giovanni presta-se a uma encenação que modernize o contexto da ação: Haneke optou por um hall de um enorme arranha-céus como cenário único e os protagonistas são membros da elite financeira e empregados de limpeza. Curiosamente, o apetite sexual desenfreado de Don Giovanni, que usa o seu poder económico para somar conquistas, fez-me pensar em DSK. Musical e vocalmente foi uma excelente récita. São tantas as árias famosas desta obra que não nos cansamos de ouvir... Paris 09.2015 Opéra Bastille 5/5

O ESPETÁCULO (Coliseu do Porto)


DIE ZAUBERFLÖTE (1791)

A OBRA (Mozart, 1791)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)
Reencontro com uma ópera para todas as idades (havia muitas crianças na sala). A música e o teatro de Mozart é o que me faz voltar à Flauta Mágica. Perdi em parte o interesse pela história e pelas personagens, mas a música... Paris 2018 Bastille 3,5/5
Die Zauberflote, com Nadine Sierra (Pamina), Stanislas de Barbeyrac (Tamino), Albina Shagimuratova (Rainha da Noite), Michael Volle (Papageno), Tobias Kehrer (Sarastro). Henrik Nánási (direção musical). Robert Carsen (mise en scène).

O ESPETÁCULO (OC, 2017)
Que maravilhosa produção da Flauta Mágica, encenada por Barrie Kosky, da Berlin Komische Oper (2015) que usa e abusa (no bom sentido) do vídeo, numa clara homenagem ao cinema mudo dos loucos anos 20. Não conseguimos desviar o olhar do palco (melhor dizendo, do ecrã) pois há sempre qualquer coisa de divertido a descobrir. Paris 11.2017 Opéra-Comique 4/5
Protagonistas
Vera-Lotte Böcker (Pamina) 
Tansel Akzeybek (Tamino)
Christina Poulitsi (Rainha da Noite)
Dominik Köninger (Papageno)
Wenwei Zhang (Sarastro)
&
Kevin John Edusei (direção musical)
Suzanne Andrade, Barrie Kosky (Mise en scène)
Paul Barritt (animations)
Collectif 1927 (Suzanne Andrade e Paul Barritt) 
e Barrie Kosky (conceção)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)

Nunca tinha visto A Flauta Mágica de Mozart num teatro. A Opéra de Bastille encheu-se de crianças para ver esta ópera de árias conhecidas, que toda a gente conhece e que os mais jovens apreciam. No fundo é um conto infantil, com maus e bons, um príncipe e uma princesa, uma rainha, e uma viagem de dois companheiros (o príncipe Tamino e o caçador Papageno) em busca de companheira num mundo mágico. A encenação de Robert Carsen privilegia o despojamento possível, com cores da terra: o castanho e o verde. Muito bom. Paris 01.2017 Bastille 4/5
Protagonistas
Nadine Sierra (Pamina)
Stanislas de Barbeyrac (Tamino)
Albina Shagimuratova  (Rainha da Noite)
Michael Volle (Papageno)
Tobias Kehrer (Sarastro)
&
Henrik Nánási (direção musical)
Robert Carsen (Mise en scène)


BIBLIOTECA:

Programme Opéra National de Paris 1999

BIBLIOTECA

Sommaire:

Une cérémonie initiatique, por Jean e Brigitte Massin

Le premier opéra maçonnique, por H.C. Robbins Landon

Un royaume sans sujets, por Ivan Nagel

Le conte libérateur, por Rémy Stricker

Une oeuvre carctéristique de l'art allemand, por Teodor de Wyzewa e Georges de Saint-Foix.

SABINE MEYER

MOZART (EMI 1990)
Sinfonia Concertante & Clarinet Concerto
Staatskapelle Dresden
CD EMI G. R. O. C. 1998
DISCOTECA

Mozart (Diapason, 2023)

Mozart: Eine kleine Nachtmusik,
CD Diapason Les Indispensables 2023
DISCOTECA

MOZART Opera Arias

MOZART (2022)
Elsa Dreisig, soprano
Louis Langrée, Kammerorchester Basel
CD Digipack Erato 2022
DISCOTECA
Mozart Konzertarien (1988)
Rita Streich
CD D.G. Dokumente 1988
DISCOTECA

Mozart Concertos (Claudio Abbado, 2001)

Mozart Concertos (Claudio Abbado, 2001) 
CD EMI Classics 2001
DISCOTECA