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Chicago (Londres, 2017)

Musical de John Kander, Fred Ebb e Bob Fosse 

Chicago (Londres, 2017)

Era um sonho que arrastava há muitos anos: ver o musical Chicago num teatro. Conhecia o filme (de Rob Marshall), a música (de John Kander), o argumento (de Fred Ebb e Bob Fosse), as letras das canções (de Fred Ebb) e as coreografias de Bob Fosse, pelo disco, pelo vídeo, nas telas do cinema. Mas ver esta obra mestra da Arte americana do século 20 nas condições próximas daquelas em que foi criada, isso nunca me foi dado a ver. E de repente tudo fez sentido, Chicago como obra de teatro é mesmo qualquer coisa de único e de seminal. Como Lohengrin de Wagner que tinha visto no dia anterior. Há um antes e um depois destas obras, e não é possível fazer melhor. Não posso comparar esta produção londrina de 2017 com as anteriores e muito menos com a criação original; certamente houve intérpretes melhores para cada um dos personagens. E a coreografia de Bob Fosse, esse génio, é a que eu vi agora? Que importa, Chicago nesta montagem mostra de que é feita a sua notoriedade artística. A música de Kander & Ebb é aquela maravilha que conhecemos do disco e de outras obras. Mas não será a coreografia e o concept de Fosse o que mais marca Chicago? A dança e o movimento em geral são pouco considerados, mas em Chicago com o mínimo (um estalar de dedos, o estirar do braço, o sentar-se) obtem-se uma expressividade máxima. O palco é ocupado por um quadrado inclinado virado para o público, onde está a pequena orquestra de cabaré-jazz, e de onde saiem os personagens, que também podem sair dos lados do quadrado. Com poucos atores/cantores e um espaço reduzido para atuarem, consegue-se contar uma história sobre grandes criminosas dos anos 1920 que manipulam os media para obterem a celebridade e a absolvição pública e judicial dos seus crimes. Ver Chicago em cena foi uma experiência inolvidável. Londres, 2017 2 July, Phoenix Theatre 5/5

Chicago (Lisboa, 2020)

Chicago (Lisboa, 2020)

Gabriela Barros e Miguel Raposo Chicago, o musical marcado pelo génio de Bob Fosse, tem uma versão em português que está a ser apresentada desde 2019 no Teatro da Trindade, em Lisboa. O sucesso é mais do que merecido e justificado, pois a encenação de Diogo Infante é boa (mas senti uma grande diferença em relação à produção que vi em Londres) e o trio protagonista é mais do que convincente: Gabriela Barros (Roxie Hart), Soraia Tavares (Velma Kelly) e Miguel Raposo (Billy Flynn). Lisboa 2020 Teatro da Trindade 4/5

Cabaret (West End, 2024)

CABARET (2022)
Grande produção recente (de 2022) do musical que revolucionou os musicais. Entramos no teatro Playhouse como se entrassemos num verdadeiro cabaret, uma bebida na mão e um passeio para observar quem está presente, antes de entrar para a sala principal. Quem conhece o filme reconhece a evolução do espetáculo nos mais pequenos pormenores. Mas senti falta da Sally Bowles de Liza Minnelli e até do Emcee de Joel Grey. De resto foi perfeito. Londres 06.2022 Playhouse 5/5

Cabaret (Broadway Cast, 1966)

Cabaret (Broadway, 1966)
Broadway Cast Recording 1966
CD Masterworks Broadway 2011
DISCOTECA

&

CD Sony 2014

DISCOTECA 


Cabaret - Selected Highlights (1995)
CD Showtime 1995

DISCOTECA

Kiss of Spider Woman (New Broadway Cast, 1993)

Kiss of Spider Woman (1992)
New Broadway Cast Recording 1993
CD Mercury 1993
DISCOTECA F

Cabaret (Madrid, 2016)

Musical de John Kander e Fred Ebb

Já tive a oportunidade de ver o célebre musical Cabaret mas... não aconteceu. Agora, passando por Madrid, não hesitei: foi este o espetáculo que pus acima de qualquer outro em exibição na cidade. O teatro em que é representado, o Rialto na Gran Via, é muito bonito. O Cabaret de Madrid é uma grande produção, adaptada ao espanhol para garantir a adesão popular. Segue de perto a peça de teatro (1952) que adaptava para o palco o conto de Isherwood (1937), onde encontramos Sally Bowles e outros personagens que depois serão imortalizados pelo musical de Ebb & Kander (1966) e mais ainda pelo filme de Bob Fosse (1972). Que destino grandioso para um simples conto! Pode-se até não gostar deste musical (no teatro e no cinema) mas não se pode negar que ele mudou a história dos musicais e impôs uma imagética reconhecida por todos. Além disso, fez entrar para o universo feérico e feel-good dos musicais a tragédia nazi. Aliás, a produção madrilena termina com corpos nus, enlaçados, numa câmara de gás. Assim, passa-se de cenas dramáticas para as cenas cômicas, passadas no cabaré, tal como no filme. A força deste (um dos meus filmes preferidos) impede-me de aderir completamente ao que se passa no palco mas o génio das canções de Ebb & Kander fazem sempre efeito. Curiosamente, o momento que suscitou maiores risadas foi quando o mestre de cerimónias, antes de começar a segunda parte, brincou com o público, provocou-o e trouxe-o para o palco. Foi brilhante e percebi então por que a stand-up comedy é tão popular (mas não me interessa). Madrid, maio de 2016, Teatro Rioalto 4/5