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IL PRIMO OMICIDIO (1707)

Il Primo Omicidio
(Alessandro Scarlatti, 1707)
Il Primo Omicidio é um oratório sobre o assassinato de Abel pelo seu irmão Caim. Uma obra religiosa que modernamente é encenada como um drama humano, como uma ópera. Nesta caso o resultado foi muito bom. Paris 02.2019 Palais Garnier 3,5/5
Cain Overo il Primo Omicidio Overo Cain, Palais Garnier 2019, Mise en scène de Romeo Castellucci, Direction musicale de René Jacobs, com Birgitte Christensen, Robert Gleadow, Kristina Hammarstrom, Benno Schachtner, Olivia Vermeulen, Thomas Walker

Le Postillon de Lonjumeau (Adam, 1836)

Le Postillon de Lonjumeau de Adam foi criado na Opéra-Comique em 1836, reposto muitas vezes nesse século, exportado com sucesso e depois... desapareceu dos teatros. Em boa hora a Opéra-Comique repôs a obra em março passado, com Michael Spyres (Chapelou), Florie Valiquette (Madeleine) e Franck Leguérinel (marquis de Corcy) nos principais papéis. Chapelou casa-se com Madeleine mas no próprio dia de casamento é aliciado a ir para Paris fazer carreira (e muito dinheiro) como cantor de ópera. Abandonada, a mulher vai vingar-se fazendo-o apaixonar-se e casar-se novamente com ela (que lhe aparece como sendo uma outra pessoa). Cometem um crime segundo a lei da época (século 18). Mas tudo acaba bem como era expectável nas opéras comiques. A produção a que assisti, com direção musical de Sébastien Rouland e mise en scène de Michel Fau, é excelente. Percebe-se por que a obra não é frequentemente encenada nos teatros, não se percebe por que quase desapareceu deles. Paris 04.2019 Opéra-Comique 3,5/5

THE MIKADO (Gilbert & Sullivan, 1885)

The Mikado (Gilbert & Sullivan, 1885)
Pouco a pouco vou conhecendo melhor o universo de Gilbert & Sullivan, que criaram as operetas inglesas mais duradouras e populares do seu tempo (como hoje os musicais). Mas não caíram no esquecimento, pois os melómanos reconhecem-lhes valor e em Inglaterra são regularmente apresentadas. O seu lugar natural é a English National Opera, onde vi agora The Mikado, um dos maiores sucessos de Gilbert & Sullivan. O espetáculo teve a direção musical de Chris Hopkins, encenação de Jonathan Miller, coreografia de Anthony van Laast, e contou com o seguinte elenco: John Tomlinson (The Mikado of Japan) Elgan Llŷr Thomas (Nanki-Poo) Richard Suart (Ko-Ko) Andrew Shore (Pooh-Bah) Ben McAteer (Pish-Tush) Soraya Mafi (Yum-Yum) Sioned Gwen Davies (Pitti-Sing) Yvonne Howard (Katisha). Londres 11.2019 London Coliseum 4/5 

Fortunio (André Messager, 1907)

Fortunio (André Messager, 1907)
Fortunio foi um dos melhores espetáculos líricos que vi este ano. Fortunio é uma "comédie lyrique", uma comédia de enganos, de paixões, de infidelidade, de sedução, mas é tudo dado com uma ligeireza muito própria da opereta. Como estamos longe das emoções extremadas da ópera verista da época! Não há lugar para o virtuosismo vocal mas para um canto mais próximo da fala, uma das marcas da modernidade da época. Gostaria tanto de rever esta produção, que na verdade é de 2009 e foi agora reposta no mesmo teatro onde foi criada. A mise en scène é de Denis Podalydès, e os cenários de Eric Ruf. A Orchestre des Champs-Elysées foi dirigida  por Louis Langrée. Com Cyrille Dubois (Fortunio), Anne-Catherine Gillet (Jacqueline), Jean-Sébastien Bou (Clavaroche) e Philippe-Nicolas Martin (Landry). Paris 12.2019 Opéra-Comique 4,5/5

Le Testament de tante Caroline (1932)

Le Testament de tante Caroline
(Albert Roussel, 1932)
A tia Carolina morre e deixa a fortuna em testamento a um sobrinho-neto que ainda está por aparecer...as sobrinhas apressam-se a engravidar para receberem aquilo que pensavam já estar garantido... Em pleno domínio da opera buffa, Roussel assina uma obra lírica saborosa que alguém teve a boa ideia de ressuscitar. Paris 06.2019 Théâtre de l'Athénée 3/5

Rusalka (Bastille, 2019)

Obra de Antonín Dvorák, 1901

O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)
Uma ópera e um tema representativos da cultura do norte da europa, da cultura eslava. Nesta abundam as obras com ondinas e outros elementos da Natureza personificados. Jaroslav Kvapil, o autor do libreto da obra-prima lírica de Dvorák, baseou-se em várias fontes literárias nomeadamente La Motte Fouqué e Andresen, e deu-nos uma narrativa poética que resume a história de uma rusalka: para se tornar humana e amar um homem, a jovem abandona o seu mundo e a sua condição aquática, mas não se adapta ao mundo dos humanos e perde-se para sempre. Esta produção da Opéra de Paris teve a excelente encenação de Robert Carsen. Paris 02.2019 Opéra Bastille 4/5

Encenação de Robert Carsen, direção musical de Susanna Mälkki, com Camilla Nylund (Rusalka), Karita Mattila (a Princesa estrangeira), Klaus Florian Vogt (Príncipe), Michelle DeYoung (Jézibaba), Thomas Johannes Mayer (Espírito do Lago), Emanuela Pascu, Andreaa Soare et Elodie Méchain (três ninfas), Tomasz Kumiega (guarda florestal) e Jeanne Ireland (rapaz da cozinha).

ANDRÉA CHÉNIER (1896)

 A OBRA   (Umberto Giordano, 1896)

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019)

André Chénier (1762-1794) foi um poeta condenado à morte no tempo da Revolução Francesa. Um século depois da sua morte, ele torna-se protagonista de uma das óperas veristas mais conhecidas e ainda hoje no repertório dos grandes teatros. A história centra-se no trio formado por Chénier, Maddalena de Coigny e Carlo Gérard. Chénier e Maddalena amam-se e Gérard, que tem o poder do seu lado, deseja Maddalena. Esta acaba por acompanhar Chénier no momento da morte: ambos morrem na guilhotina. A ópera é interessante sobretudo pelas árias que se tornaram famosas: "La mamma morta" (Maddalena) e "Come un bel dì di maggio" (Chénier). Na produção que vi no Covent Garden, uma reprise da encenação de David McVicar, os pouco conhecidos Dimitri Platanias (Gérard) e Sondra Radvanovsky (Maddalena) ofuscaram a estrela Roberto Alagna (Chénier). Radvanovsky recebeu a maior ovação da noite depois de cantar "La mamma morta". Daniel Oren foi o maestro do espetáculo. Londres 06.2019 Covent garden 3,5/5

BIBLIOTECA

Andréa Chénier, ONP 2009 P

LA FORZA DEL DESTINO (1869)

La Forza del Destino voltou à Bastille na encenação sóbria de Jean-Claude Auvray, criada em 2011, e agora remontada por Stephen Taylor. O palco está quase sempre ocupado por dois ou três objetos significativos e pouco mais. Assim o espectador concentra-se na ação trágica que envolve Leonora, apaixonada por Don Alvaro, que por acidente matou o pai dela e matará o irmão. Anja Harteros (Leonora) dominou o espetáculo, acompanhada de Željko Lučić (Don Alvaro), Carlo Cigni (Don Carlo di Vargas), Robert Lloyd (Marquês de Calatrava), Rodolphe Briand (Trabuco), Rafal Siwek (Padre Guardiano), Gabriele Viviani (Fra Melitone), Nicola Luisotti (diretor musical). Paris 06.2019 Bastille 4/5

La Forza del Destino tem um dos leitmotiv mais conhecidos da ópera, que ouvi muitas vezes em antologias líricas. Mas nunca tinha ouvido ou visto a ópera. La Forza adapta um drama romântico espanhol, Don Álvaro o La fuerza del sino (1835) de Ángel de Saavedra, duc de Rivas, e essa base latina pesa muito sobre a atmosfera religiosa e fatalista (trágica) que domina o drama de Verdi. Os apontamentos cómicos com os padres, por exemplo, não devem constar da peça espanhola adaptada. Mas a obsessão de Don Carlo em vingar a honra da família a ponto de matar a irmã remete para as piores horas do cultura espanhola do antigo regime... Muito acima das dúvidas levantadas pela história desta ópera está a música de Verdi genial como muitas vezes foi. Londres 04.2019 ROH 4/5
Elenco: Liudmyla Monastyrska (Leonora), Yusif Eyvazov (Don Alvaro), Christopher Maltman (Don Carlo di Vargas), Robert Lloyd (Marquês de Calatrava), Aigul Akhmetshina (Preziosilla). Antonio Pappano (diretor) & Christof Loy (encenador)

IPHIGÉNIE EN TAURIDE (1779)

A OBRA (Gluck)

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2025)

O ESPETÁCULO (TCE, 2019)

Acho que nunca tinha visto uma encenação tão minimalista e austera quanto a de Robert Carsen para esta produção de Iphigénie en Tauride. Todas as personagens, incluindo cantores e dançarinos, vestem-se de negro ou cinzento e cinzentas são as quatro paredes e o chão onde estão escritos, a giz como numa lousa, os nomes dos protagonistas da tragédia (grega) familiar que atinge Iphigénie, primeiro num sonho depois na realidade: Agamemnon, Clytemnestra, Orestes e Iphigénie. Também Gluck reformou a ópera pela via da austeridade clássica: ação centrada em poucas personagens e espaços e num curto período temporal; e ausência de abertura e de interlúdios instrumentais para permitir a dança. Entre outras inovações para a época. Foi um ótimo espetáculo servido por por cantores excelentes, em especial Iphigénie. Paris Théâtre des Champs-Elysées 12.2019 NOTA 4,5/5

Mise en scène de Robert Carsen e coreografia de Philippe Giraudeau. Thomas Hengelbrock dirige o Ensemble e o Chœur Balthasar Neumann, com Gaëlle Arquez (Iphigénie), Stéphane Degout (Oreste) e Paolo Fanale (Pylade)


O ESPETÁCULO (Garnier, 2016)

Foi muito bom ouvir esta ópera de Gluck, um compositor fundamental que conheço muito mal. Baseada na obra de Eurípedes, com personagens associadas à guerra de Troia, a ação foi transposta pelo encenador Krzysztof Warlikowski para um lar da terceira idade. Vilipendiada na estreia em 2016, esta encenação é agora bem recebida por quase todos. Eu fico indiferente perante tal opção. Na verdade, Iphigénie en Tauride (1779), para mim, oferece momentos de canto belíssimos, cantados por Iphigénie (Véronique Gens, a melhor em palco), Oreste (Etienne Dupuis), Pylade (Stanislas de Barbeyrac) e pelo coro. Paris 12.2016 Palais Garnier 4/5

BIBLIOTECA (2)

Iphigénie en Tauride
Opéra-Comique, novembre 2025
BIBLIOTECA F

Sommaire:
La fabrique du spectacle 
Christoph Willibald Gluck
Lieux et personnages 
Réalités et significations du Sacrifice humain en Grèce Ancienne
Un nouveau modèle d'opéra français, par Gilbert Blin
Préface d'Alceste, Vienne, 1769, par C. W. Gluck
L'Opéra en 1779
Gluck ou la construction d'un génie dramatique,  par Julien Garde
À travers la presse de 1779
Figures de l'étranger chez Gluck, par Julien Garde
Culture et tragédie, par Roland Barthes
Livret Version Opéra-Comique octobre 2025
Les Artistes

Iphigénie en Tauride (1995)
ONP Bastille mai 1995
BIBLIOTECA F

Sommaire:

Argument
Petit lexique de mythologie
Iphigénie en Tauride - Euripide
Christophe Willibald Gluck - Romain Rolland
La répétition générale d'Iphigénie en Tauride - Adolphe Adam
Gluck et Piccinni - Gustave Desnoireterres
Avant-propos à l'édition Henry Lemoine de 1900 - F.-A. Gevaert

L'oeuvre à l'affiche de l'Opéra de Paris
Discographie - Alfred Caron

Livret

A DAMA DE ESPADAS (1890)

 O ESPETÁCULO


A Dama de Espadas é uma das grandes obras de Tchaïkovski. Se ao nível vocal não me deixou empolgado (não tem árias populares e é em russo) como obra musical (instrumental) e teatral foi uma revelação. Por exemplo, Tchaïkovski faz por vezes música à maneira de Mozart (a história passa-se no século 18), antecipando tendências modernas como o pastiche e a colagem. Tchaïkovski foi ousado ao propor uma adaptação bem infiel ao clássico de Pouchkine, mudando o fim e a psicologia das personagens principais. O que me surpreendeu mais foi a dimensão autobiográfica da ópera, posta em evidência pela ousada encenação. Tchaïkovski como personagem está quase sempre em cena, compondo a sua obra, sofrendo com os seus personagens. Paris 2.2019 Cinema Publicis Paris/Londres 4,5/5
Covent Garden 2019. Stefan Herheim (encenação), Antonio Pappano (direção musical), com Aleksandrs Antonenko (Hermann), Eva-Maria Westbroek (Lisa), Felicity Palmer (a condessa), Vladimir Stoyanov (Prince Yeletsky).

MADAME BUTTERFLY (1904)

A OBRA (Puccini, 1904)     

ÍTULO: Madame Butterfly COMPOSITOR: Giacomo PUCCINI ANO: 1904 LIBRETO: Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, baseado na peça de David Belasco (1900), adaptada do conto de John Luther Long (1898, cujas fontes inclui o romance de Pierre Loti, Madame Chrysanthème, 1888) OBRA: Ópera em três actos. CRIAÇÃO: La Scala de Milan, 1904

O ESPETÁCULO (Bastille, 2024)

Bastille, 25.09.2024 & 6.10.2024

LOCAL: Opéra Bastille COMPANHIA: Opéra national de Paris, setembro de 2024 ENCENAÇÃO: Robert Wilson (1993) CENÁRIO: Robert Wilson FIGURINOS: Frida Parmeggiani LUZES: Heinrich Brunke, Robert Wilson COROGRAFIA: Suzushi Hanayagi DRAMATURGIA: Holm Keller

INTÉRPRETES: Eleonora Buratto & Elena Stikhina/Cio-Cio-San, Aude Extrémo/Suzuki, Stefan Pop/F.B. Pinkerton, Christopher Maltman/Sharpless, Carlo Bosi/Goro, Sofia Anisimova/Kate Pinkerton, Kim Young-Woo/Yakusidè

CORO: Chœurs de l’Opéra national de Paris (Chef des Chœurs : Alessandro Di Stefano) ORQUESTRA: Orchestre de l’Opéra National de Paris DIREÇÃO: Speranza Scappucci

O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)

Madame Butterfly por Robert Wilson, um clássico da Opéra de Paris (assisti à 96° representação da produção nesta casa!). Delicadeza japonesa no cenário e no movimento dos cantores, delicadeza da alma de Madame Butterfly. Direção musical de Giacomo Sagripanti, Orquestra e Coros da Opéra national de Paris, mise en scène de Robert Wilson, com Ana María Martinez (Cio-Cio-San) e Marie-Nicole Lemieux (Suzuki). Paris 09.2019 Opéra Bastille 4/5 

Depuis beaucoup d'années Madame Butterfly est mon opéra préféré. C'est le plus émouvant, le seule qui me fait pleurer. 





BILLY BUDD

A OBRA (Britten)

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019) 

 
Billy Bud é o opus 50 de Benjamin Britten, uma ópera em quatro actos, estreada em 1951, com libreto de E. M. Forster e Eric Crozier. A ópera adapta a obra homónima de Herman Melville. Em 1960 Britten fez uma nova versão em dois actos da sua ópera e foi esta versão que vi há dias no Covent Garden, numa encenação de Deborah Warner com direção musical de Ivor Bolton. A história de Billy Budd decorre num barco, no final do século 18, numa época em que as ideias de liberdade vindas de França eram perigosas e podiam originar motins nos barcos ingleses. Billy Budd, um jovem marinheiro bem aceite pelos seus pares, é acusado de comportamento subversivo pelo seu chefe, mas é igualmente defendido pelo oficial, que acredita nele. Os laços entre estas três personagens e as suas motivações têm claramente uma dimensão homoafetiva, exponenciada pelo ambiente exclusivamente masculino do barco (não há nenhuma personagem feminina, um caso raro na história da ópera). Trata-se de uma das óperas mais interessantes do século 20. Esta é a terceira produção de Billy Budd que tive oportunidade de ver. Primeiro foi na Opéra de Paris (2010), com encenação de Francesca Zambello, depois foi no London Coliseum (2012), com encenação de David Allen. Cada uma das produções que vi revelou as muitas qualidades, dramáticas e musicais, da obra de Britten. Principais personagens e intérpretes da produção deste ano: Billy Budd (Jacques Imbrailo), Captain Vere (Toby Spence), John Claggart (Brindley Sherratt). Londres 05/2019 Covent Garden 5/5

MANON (1894)

A OBRA (Massenet, 1894)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
  • DIREÇÃO MUSICAL Pierre Dumoussaud, Orchestre et Chœurs de l’Opéra national de Paris INTÉRPRETES Amina Edris (Manon), Benjamin Bernheim (Chevalier des Grieux), Andrzej Filonczyk (Lescaut) VISTO Opéra Bastille 26.05.2025 
  • DIREÇÃO MUSICAL Pierre Dumoussaud, Orchestre et Chœurs de l’Opéra national de Paris INTÉRPRETES Amina Edris (Manon), Roberto Alagna (Chevalier des Grieux), Andrzej Filonczyk (Lescaut) VISTO Opéra Bastille 1

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2019)

 
Manon volta ao palco onde foi criada em 1894: a Opéra-Comique. Um regresso triunfante devido a três grandes nomes da cena artística francesa atual: a soprano Patricia Petibon (Manon), o maestro Marc Minkowski (à frente dos Musiciens du Louvre) e o encenador Olivier Py. Mesmo depois de ter lido o romance Manon Lescaut, de Prévost, e visto a ópera, não consigo sentir empatia por esta personagem misteriosa, que não resiste à perdição, que não evita a infidelidade e o luxo, a que não resistira também. Paris 05.2019 4/5

DISCOTECA 

Monteux/1955
DISCOTECA 

Etcheverry/1997 ext  
DISCOTECA 

HYPPOLYTE ET ARICIE (Rameau, 1733) 

 Hyppolyte et Aricie (TCE, 2019)


Hippolyte et Aricie de Rameau é uma ópera não muito vista nos palcos. Esta produção de Zurique chegou ao Théâtre des Champs-Elysées para uma noite única, em versão de concerto. De sublinhar a direção musical de Emmanuelle Haïm à frente da  Orquestra La Scintilla de Zurich. O repertório da ópera barroca francês é um dos principais beneficiados com as novas práticas de tocar a música antiga, de que Haïm é um expoente. Mas também fiquei impressionado com os excelentes cantores presentes na produção, como Cyrille Dubois (Hyppolyte) e Stéphanie d’Oustrac (Phèdre), ou ainda Edwin Crossley-Mercer (Thésée) e Melissa Petit (Aricie). Paris 2019 TCE 3,5/5

Programme ONP 1996
BIBLIOTECA



Marc Minkowski 
Ref*
NT

Platée (TCE, 2019)

 

Platée (Rameau)
TCE, mars 2019?

Mesmo que a história de Platée pouco me interesse, esta ópera ganha muito com a encenação e perde muito quando é apresentada em versão de concerto como foi o caso ontem no Théâtre des Champs-Elysées. Mas os intérpretes souberam dar a volta a esta limitação e acabaram por arrancar muitos risos ao público. Os cantores foram também excelentes comediantes. Paris 3/5
Direção musical de Alexis Kossenko à frente da Orchestre et Chœur Les Ambassadeurs. Com Anders J. Dahlin (Platée), Chantal Santon-Jeffery (Amour / La Folie), Thomas Dolié (Jupiter), Hasnaa Bennani (Thalie / Clarine / Junon), Arnaud Richard (Un satyre / Cithéron), Nicholas Scott (Thepsis / Mercure), Victor Sicard (Momus).

DON PASQUALE (1843)

O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2023)
Dramma buffo de G. Donizetti (1843)
Paris, octobre 2023 P. Garnier 4/5

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019)
A razão para ver Don Pasquale foi o grande Bryn Terfel, no protagonista, o tio que quer casar e passar o resto da vida ao lado de uma moça (Olga Peretyatko, Norina) da idade do seu sobrinho Ernesto (na verdada a sua noiva, interpretado por Ioan Hotea). Uma história de enganos e desenganos típica das óperas buffas de Donizetti e seus contemporâneos. Londres 11.2019 ROH 3/5.
Evelino Pidò (direção musical), Damiano Michieletto (encenação),  com Bryn Terfel (Don Pasquale), Olga Peretyatko (Norina), Markus Werba (Dottor Malatesta), Ioan Hotea (Ernesto), Bryan Secombe (um notário). 


O ESPETÁCULO (P. Garnier, 2018)
Ainda não foi desta que fiquei fã de uma das óperas buffas mais famosas, preferindo de longe O Barbeiro de Sevilha (Rossini) e O Elixir do Amor (também de Donizetti). No entanto a ópera, apresentada pela primeira vez (!!!!) na Opéra de Paris, é um sucesso artístico evidente. O velho Don Pasquale pretende casar-se e ter filhos, comprometendo o futuro do sobrinho, seu previsível herdeiro. O médico do velho resolve armar-lhe uma cilada, casando-o com a noiva (pobre) do sobrinho. Tudo terminará como ditavam os costumes e o bom senso. Do que eu mais gostei foi da música, da abertura e de certos momentos brilhantes do bel canto. No fosso da orquestra estava o excelente Evelino Pidò. Foi uma entrada em grande de Don Pasquale no repertório da Opéra de Paris. 06.2018 Palais Garnier 3,5/5
Evelino Pido (maestro)
Damiano Michieletto (encenação)
Cantores:
Michele Pertusi (Don Pasquale)
Nadine Sierra (Norina)
Florian Sempey (Dottor Malatesta)
Lawrence Brownlee (Ernesto)
Frédéric Guieu (um notário)

DON GIOVANNI (1787)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)

Encenação de Claus Guth
(criada em Salzburgo em 2008)

O ESPETÁCULO (Rio de Janeiro, 2023)

Rio de Janeiro 2022


O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)

Don Giovanni é a história de um crime e da sua punição. Uma história actual, dos nossos dias marcados pelo movimento #Meetoo. Don Giovanni confundiu amor com instinto de posse e manipulação de mulheres. E se danou. Com Étienne Dupuis (Don Giovanni), Philippe Sly (Leporello), Jacquelyn Wagner (Donna Anna), Elsa Dreisig (Zerlina), Ain Anger (Il Commendatore), Nicole Car (Donna Elvira), Stanislas de Barbeyrac (Don Ottavio), Mikhail Timoshenko (Masetto). Mise en scène de Ivo van Hove. Direção musical de Philippe Jordan. Paris 06.2019 Opéra Garnier 4/5


O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)

Já vi muito boas produções de Don Giovanni, como por exemplo a de Michael Haneke na Bastille, mas é sempre um prazer rever esta obra-prima de Mozart, uma das minhas óperas preferidas. Kasper Holten opta por uma solução que já vi algumas vezes no teatro: um edifício que ocupa o palco inteiro vai rodando e nele evoluem as personagens, que passam de divisão em divisão. Este dispositivo é interessante e inteligente porque lembra o jogo das escondidas: neste caso, várias mulheres seduzidas e enganadas por Don Giovanni tentam desmascará-lo levando-o à condenação fatal. Londres 07.2018 Covent Garden 4/5
Marc Minkowski (direção)
& 
Orchestra of the Royal Opera House
Kasper Holten (encenação de 2014)
Luke Halls (video designs)
Cantores:
Hrachuhi Bassenz (Elvira) 
Chen Reiss (Zerlina) 
Anatoli Sivko (Masetto) 
Willis-Sørensen (Donna Anna) 
Mariusz Kwiecień (Don Giovanni) 
Ildebrando D’Arcangelo (Leporello) 
Pavol Breslik (Don Ottavio)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2015)
Já tinha visto duas vezes esta produção de Don Giovanni assinada por Michael Haneke. Trata-se de uma produção da casa, da Opéra de Paris, criada em 2006 e reposta três vezes: 2007, 2012 e 2015. Tendo conseguido bilhete (coisa cada vez mais rara) não hesitei em rever novamente uma das melhores óperas de sempre e uma das minhas óperas preferidas. A primeira vez que vi Don Giovanni foi no Coliseu do Porto em 1999. Impressionou-me logo à primeira. Don Giovanni presta-se a uma encenação que modernize o contexto da ação: Haneke optou por um hall de um enorme arranha-céus como cenário único e os protagonistas são membros da elite financeira e empregados de limpeza. Curiosamente, o apetite sexual desenfreado de Don Giovanni, que usa o seu poder económico para somar conquistas, fez-me pensar em DSK. Musical e vocalmente foi uma excelente récita. São tantas as árias famosas desta obra que não nos cansamos de ouvir... Paris 09.2015 Opéra Bastille 5/5

O ESPETÁCULO (Coliseu do Porto)


OTELLO (1887)

A OBRA (Verdi, 1887)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)
Não sou admirador da história de Otelo (Shakespeare) mas a ópera de Verdi é ótima. Há uma história política mas quase tudo se concentra na relação entre Otelo e Desdemona, na passagem do ciúme cego à quase loucura do protagonista. Uma boa mise en scène de Andrei Serban e sobretudo grandes cantores como Alagna e Kurzak garantiram um bom espetáculo. Paris 04.2019 Bastille 4/5
Intérpretes: Roberto Alagna (Otello), Aleksandra Kurzak (Desdemona), George Gagnidze (Iago), Frédéric Antoun (Cassio), Emilia (Marie Gautrot), Roderigo (Alessandro Liberatore), Lodovico (Paul Gay), Thomas Dear (Montano), heraldo (Florent Mbia).
Direção de Bertrand de Billy com a Orchestre de l’Opéra national de Paris e o Chœur de l’Opéra national de Paris 

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2017)
Covent Garden apresenta por estes dias um dos seus espetáculos mais aguardados da temporada: uma nova produção do Otello de Verdi (encenação de Keith Warner) com a superstar Jonas Kauffman, que assume esse papel pela primeira vez. As sessões tem estado esgotadíssimas, mesmo nos cinemas que transmitiram o espetáculo em direto no passado dia 28 de junho; ainda assim consegui um bilhete para uma das récitas. Toda a gente queria ver Kauffman, que brilhou e foi recebido com bravi, mas outros intérpretes estiveram muito bem. Maria Agresta foi uma grande e frágil Desdemona e Marco Vatrogna foi venenoso q.b. ao interpretar Iago, uma das personagens mais odiadas da história da ópera. A orquestra da ROH foi dirigida por Antonio Pappano. Londres 07.2017 Covent Garden 4,5/5

BIBLIOTECA
OTELLO (2004)
L'Avant-scène nº 218, jan-fev 2004
BIBLIOTECA

TOSCA (1900)

A OBRA (Puccini, 1900)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
Opéra Bastille, novembro 2025, encenação de Pierre Audi, Paolo Bortolameolli & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Saloa Hernández (Floria Tosca) Roberto Alagna (Mario Cavaradossi) Alexey Markov (Scarpia)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
Opéra Bastille, novembro 2022, encenação de Pierre Audi, Paolo Bortolameolli & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Elena Stikhina (Floria Tosca) Joseph Calleja (Mario Cavaradossi) Roman Burdenko (Scarpia)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
Opéra Bastille, setembro 2022, encenação de Pierre Audi, Gustavo Dudamel & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Saloa Hernández (Floria Tosca) Joseph Calleja (Mario Cavaradossi) Bryn Terfel (Scarpia)


Tosca tem duas ou três árias inolvidáveis, que têm uma vida própria para além da trama que lhes dá sentido. São invariavelmente aplaudidas, até parece que as pessoas foram à ópera por causa delas. No entanto quando penso em Tosca penso no seu valor dramatúrgico, na rápida sucessão de eventos que em poucas horas leva à morte os seus protagonistas. E a produção da Royal Opera House a que assisti assegura na perfeição a tensão que a trama exige. Foi muito bom. Londres 06.2019 Covent Garden 4,5/5

Esta ópera de Puccini é uma das que mais vezes vi, mas acho que gostei mais desta última produção (Opéra de la Bastille)... por que será? Penso que descubro, à medida que ouço Tosca, os pormenores da arte de Puccini, que não se revelam à primeira, mas precisam de tempo para serem apreciados. Aconteceu-me o mesmo com Madame Butterfly, que pouco a pouco se tornou na minha ópera preferida entre todas: cada vez que assisto a uma récita é para atentar nos pormenores e deixar de lado os traços gerais do argumento. Hoje emocionei-me deveras com a última ária famosa de Tosca, E lucevan le stelle (Cavaradossi), depois de ter igualmente adorado as outras duas famosas árias da ópera: Recondita harmonia (Cavaradossi) e Vissi d'arte (Tosca). Estes três momentos justificam por si só que se revisite Tosca de quando em vez. O prazer é garantido. Para isso convém que os intérpretes estejam à altura dos que ontem subiram ao palco da Bastille: Liudmyla Monastyrska (Tosca), Marcelo Alvarez (Cavaradossi) e Bryn Terfel (Scarpia). Chapéu, sobretudo para os homens. Paris 10.2016 Bastille 5/5

ARIADNE AUF NAXOS (1912)

A OBRA (Richard Strauss, 1912 & 1916)

O ESPETÁCULO (TCE, 2019)
Numa casa da nobreza vai representar-se uma ópera sobre Ariadne abandonada por Teseu numa ilha, prevê-se naturalmente uma obra séria dominada pelas lamentações de Ariadne. Mas os planos do sarau nobre alteram-se à última hora e uma trupe de comediantes/cantores italianos vai também atuar...ao mesmo tempo que o grupo de Ariadne. Duas concepções de ópera que se opuseram no século 18 vão confrontar-se no palco de forma espirituosa: os italianos vão tudo fazer para animar Ariadne, que só desperterá com o amor de Baco. Mais uma vez confirmo ser Strauss um teórico da ópera, à volta com as formas e os géneros operáticos ou com a natureza dupla da ópera, feita de palavras (a poesia) e de sons (a música, a melodia). Foi bom tomar conhecimento desta importante ópera. Paris 03.2019 TCE 3/5
Ariadne auf Naxos (Strauss). Jérémie Rhorer (direção musical) & Orchestre de chambre de Paris. Katie Mitchell (encenação), Camilla Nylund (Ariane), Roberto Saccà (Baco) Kate Lindsey (o compositor), Olga Pudova (Zerbinetta).

Ariadne auf Naxos não é uma das minhas obras preferidas de Richard Strauss. A sua produção contou com alguns problemas, tendo tido uma versão curta em 1912 e outra, definitiva, em 1916. E nem sempre foram fáceis as relações de Strauss com o grande e fiel libretista Hugo von Hofmannsthal. Não é uma obra fácil para mim. Muito "palavrosa" e em alemão, sem legendas é impossível apreciar esta obra. Felizmente, vi uma versão de referência, a de Karl Böhm de 1976 na Vienna State Opera. Foi encenada e filmada por Filippo Sanjust, mas são os cantores Gundula Janowitz, René Kollo e Edita Gruberová que tornam esta produção inesquecível. O argumento é engenhoso: dois grupos de teatro que representam a alta cultura e a baixa cultura são obrigados a contracenar juntos por exigência do governante que os contratou. Esta ópera começa como uma commedia dell' arte que faz lembrar Mozart e depois entra pelo terreno de Wagner, transformando-se num longo lieder. TV 07.2015 4/5

Programa de espetáculo
ONP
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ARIANE À NAXOS
Ópera L'Avant-scène
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Ariadne auf Naxos (2018)
Aix-en-Provence, juillet 2018
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