Este mês deu-se a criação francesa de Only the Sound Remains, a última ópera de Kaija Saariaho, na Opéra de Paris (Palais Garnier). A ópera foi originalmente criada em Amsterdão em 2016, com o mesmo encenador (Peter Sellars) e os mesmos intérpretes (Philippe Jaroussky e Davóne Tines). A ópera compõe-se de duas partes, Always Strong e Feather Mantle (o libreto é em inglês), e inspira-se em duas peças do teatro Nô japonês (Tsunemasa e Hagoromo) e o libreto tem textos de Ezra Pound e Ernest Fenollosa. Tratou-se de um belo espetáculo, despojado, aliás como a própria música de Saariaho, que utiliza a amplificação electrónica para sublinhar o carácter etéreo da composição instrumental assim como vocal. Não é uma ópera a revisitar, e esse é o seu principal limite. Interessou-me enquanto durou o espetáculo, mas afastada da tradução visual e performativa, qual será o valor desta música? Paris 01.2018 Palais Garnier 3/5
Peter Sellars, encenação
Ernest Martínez Izquierdo, direção musical
com
Philippe Jaroussky (Spirit, Angel)
Davóne Tines (padre, pescador)
Opera Garnier 2018