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IOLANTA

 O ESPETÁCULO (2016)

Soirée Tchaikovsky/Tcherniakov na Opéra de Paris

A Ópera de Paris teve a excelente ideia de apresentar numa única sessão a última ópera e o último ballet de Tchaikovsky, respetivamente Iolanta e O Quebra-Nozes. Essa opção é historicamente fundamentada pois as duas obras foram criadas na mesma noite em São Peterburgo. Que obras maravilhosas! É o milagre da Arte. Numa noite uma obra lírica e outra coreográfica foram lançadas para encantar não só o público contemporâneo mas também as gerações futuras. E em 2016 continuamos apaixonados por criações tão antigas. O libreto de Iolanta foi escrito pelo irmão do compositor, Modest, que se baseou numa peça dinamarquesa sobre uma princesa cega que desconhecia ser cega e ser princesa. O drama surge quando Iolanta terá de reconhecer a sua cegueira para que a cirurgia tenha efeito. Será o amor por um desconhecido que provocará o desenlace feliz. Parece pois uma variante da Bela Adormecida. O primeiro quadro, inteiramente feminino, é de um lirismo comovente. Os quadros seguintes mantêm por momentos esse lirismo mas apresentam cenas dramáticas. Seja como for, o encenador optou por um único cenário e por uma representação naturalista que resultou muito. 

Com o Quebra-Nozes as coisas foram muito diferentes. Para muitos foi um choque desagradável encontrar ao som da partitura de Tchaikovsky uma coreografia moderna (de Arthur Pita, Édouard Lock e Sidi Larbi Cherkaoui) com vídeo e tudo. Por vezes sublime outras irritante, a produção desconcertou o público. O argumento original foi alterado mas foi a dança que mudou completamente. Os dançarinos pareciam ter sido atacados por sarna, tão rápidos eram os movimentos repetitivos dos membros em torno do corpo. O problema é que imaginamos por trás destes movimentos a coreografia clássica e virtuosa que pertence à tradição e à memória feliz do fã de ballet. Pessoalmente o que posso acrescentar é que não gostaria de voltar a ver este Quebra-Nozes mas à primeira oportunidade verei o velho e conhecido Quebra-Nozes de Tchaikovsky e  Petipa. Paris 03.2016 NOTA 4/5

A DAMA DE ESPADAS (1890)

 O ESPETÁCULO


A Dama de Espadas é uma das grandes obras de Tchaïkovski. Se ao nível vocal não me deixou empolgado (não tem árias populares e é em russo) como obra musical (instrumental) e teatral foi uma revelação. Por exemplo, Tchaïkovski faz por vezes música à maneira de Mozart (a história passa-se no século 18), antecipando tendências modernas como o pastiche e a colagem. Tchaïkovski foi ousado ao propor uma adaptação bem infiel ao clássico de Pouchkine, mudando o fim e a psicologia das personagens principais. O que me surpreendeu mais foi a dimensão autobiográfica da ópera, posta em evidência pela ousada encenação. Tchaïkovski como personagem está quase sempre em cena, compondo a sua obra, sofrendo com os seus personagens. Paris 2.2019 Cinema Publicis Paris/Londres 4,5/5
Covent Garden 2019. Stefan Herheim (encenação), Antonio Pappano (direção musical), com Aleksandrs Antonenko (Hermann), Eva-Maria Westbroek (Lisa), Felicity Palmer (a condessa), Vladimir Stoyanov (Prince Yeletsky).

EUGENE ONÉGUINE (1879)

A OBRA (Tchaikovsky, 1879)

O ESPETÁCULO (TCE, 2021)
Eugène Onéguine 2021, Théâtre des Champs-Élysées, encenação de Stéphane Braunschweig, Karina Canellakis & Orchestre National de France, Chœur de l’Opéra national de Bordeaux, intérpretes: Sébastien Bou (Onéguine), Gelena Gaskarova (Tatiana), Alisa Kolosova (Olga), Jean François Borras (Lenski), Jean Teitgen (Grémine), Mireille Delunsch (Madame Larina), Delphine Haldan, Marcel Beekman (Monsieur Friquet)

O ESPETÁCULO (TCE, 2017)
Eugène Onéguine (Peter Mattei) é um jovem que não se quer comprometer nos assuntos do amor, recusando o amor de Tatiana (Nicole Car), irmã de Olga (Varduhi Abrahamyan), noiva do seu amigo Lenski (Peter Cernoch). Mais tarde, anos depois de Onéguine ter morto Lenski num duelo, é Tatiana que recusa o amor dele. Esta ópera adapta livremente uma obra de Puchkine, e foi musicada por Piotr Ilitch Tchaïkovski. Gostei muito da recente produção da ópera de la Bastille, que repõe uma antiga (1995) encenação de Willy Decker. Paris 06.2017 Bastille 4/5

DISCOTECA (2)

EUGENE ONÉGUINE (1974)
CDD digipak Decca Opéra Rouge 1997
CD-Livro Decca «Grande Ópera» 1999 (extractos)

Georg Solti & Orchestra and Chorus of the Royal Opera House, Covent Garden 1974
Com  Teresa Kubiak (Tatyana), Bernd Weikl (Eugene Onegin), Stuart Burrows (Lensky), 
Julia Hamari (Olga), Nicolai Ghiaurov (Gremin), Enid Hartle (Filipyevna), Anna Reynolds (Larina)

EUGÈNE ONÉGUINE (1955)
CD digipak Diapason "Les Indispensables" 2011
DISCOTECA
Boris Khaïkine & Orquestra do Bolchoi 1955
Com Galina Vichnievskaïa (Tatiana), Evgueni Belov (Eugene Onegin), Sergueï Lemechev (Lenski)

BIBLIOTECA (2)
Eugène Oneguine, ONP 1995 P
Eugène Oneguine, ONP 2010 P 
Eugène Oneguine, ONP 2026 F