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Lucia di Lammermoor (ROH, 2016)

Pela primeira vez, quando comprava um bilhete para a ópera em Covent Garden, fui prevenido de que o espetáculo tinha cenas de sexo. Meses antes, foi um rebu na mesma sala quando o sexo (uma violação em tempo de guerra) invadia Guillaume Tell (Rossini). Mas estes ingleses julgam-se franceses? A Rainha que se cuide, que algo está a mudar no seu Reino Unido. Agora, em Lucia di Lammermoor, o sexo foi um pormenor picante mas dispensável que só deve ter atrapalhado os cantores. No início, Lucia e o seu amante Edgardo encontram-se no cemitério para viver carnalmente o seu amor, aos olhos da aia de Lucia e das estátuas em volta. É aí que a grande soprano Diana Damrau se encavalita no colega, seguindo-se uma dança de ancas com uns panos brancos a passar daqui para acolá para não fazer resvalar a função para a ordem do explícito. Todo este contorcionismo não prejudicou os miados sublimes dos amantes. Mérito dos atores-cantores. Cada vez gosto mais desta obra e esta soirée foi o momento alto desta passagem por Londres. Covent Garden 04.2016: 5/5

JENUFA

A OBRA (Janacek)

O ESPETÁCULO (ENO, 2016)

Programme Théâtre du Châtelet 2002
BIBLIOTECA

GIOVANNO D'ARCO (1945)

Um dia histórico! Visitei não só o Museu do Scala de Milão como consegui um bilhete para ver a récita do dia, da ópera Giovanna d'Arco, de Verdi. O compositor na sua própria casa! A bem dizer não vi a ópera, ouvi-a, já que a segunda galeria que me calhou (sexto e último andar da enorme sala) quase não permitia ver o palco: apenas um pouco e com a promessa de um torcicolo se eu insistisse em olhar. Descobri com estupefacção que quem está nas galerias não pode ir à plateia nem aos camarotes, pois tem de sair para o exterior (por uma saída lateral) e voltar a entrar pela entrada principal. Nunca tal vi, pois tenho a mania de nos intervalos ir conhecer os recantos do teatro onde me encontro e desta vez tal curiosidade foi frustrada.
Giovanna del Arco não é das melhores obras de Verdi, mas vê-se logo que é dele: aquele coro omnipresente, uma verdadeira personagem, não engana ninguém. Mas o que guardo dessa noite foi mesmo ter conhecido o Scala, o museu e a sala. O museu é constituído fundamentalmente por estátuas (bustos de compositores) e quadros (retratos de cantores e outros protagonistas da história do teatro). Milão 01.2016 Teatro alla Scala  3/5

TRAVIATA (1853)

A OBRA (Verdi, 1853)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2016)

Saí emocionado da Opéra Bastille depois de ter visto uma Traviata soberbamente cantada e interpretada por Sonya Yoncheva, nova diva lírica. É raro ver o público parisiense ovacionar tanto uma cantora de ópera. Mas foi o que aconteceu hoje. A direção musical coube a Michele Mariotti. A encenação do realizador Benoît Jacquot é tradicional mas sem relevo. Paris 06.2016 Opéra Bastille 5/5

A Traviata que a Royal Opera House apresenta neste começo de 2016 é uma das produções clássicas da casa, encenada por Richard Eyre. La Traviata nunca desilude. O trio protagonista desta produção tem Venera Gimadieva (Violetta), Saimir Pirgu (Alfredo) e Luca Salsi (Giorgio Germont). A orquestra é dirigida por Yves Abel. Paris 02.2016 cinema Publicis 4/5

Eliogabalo, de Cavalli (P. Garnier, 2016)

A OBRA Eliogabalo (Cavalli, 1667)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2016)
Raramente assisto a óperas do século XVII, por isso a oportunidade de ouvir Cavalli foi altamente gratificante. Foi um excelente espetáculo, esta rara produção de Eliogabalo, escrita em 1667 mas que viria a ser criada apenas em 1999, em Crema. O canto tem a simplicidade e o lirismo vindos de Monteverdi, criador da ópera como género. Paris 09.2016 Palais Garnier 4/5

LA CENERENTOLA (1817)

A OBRA (Rossini, 1817)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2018)

A encenação deste espetáculo não é memorável, bem pelo contrário, mas o seu grande trunfo é permitir ver e ouvir Marianne Crebassa no papel de Angelina, a gata borralheira. Cada vez mais Crebassa se afirma como uma grandes cantoras da nova geração. Paris Palais Garnier 3/5
La Cenerentola, TCE 12/2018, Evelino Pidò (direção), Guillaume Gallienne (encnação), com Marianne Crebassa (Angelina ou Cenerentola), Alessandro Corbelli (Don Magnifico), Lawrence Brownlee (Don Ramiro), Florian Sempey (Dandini), Adam Plachetka (Alidoro), Chiara Skerath (Clorinda), Isabelle Druet (Tisbe)

O ESPETÁCULO (TCE, 2018)

O lugar de La Cenerentola, de Rossini, a sua segunda ópera mais apresentada nos palcos mundiais, é mesmo o palco. É uma ópera que precisa de ser vista, mesmo numa versão de concerto como a que  vi esta semana no Théâtre des Champs-Elysées. Os cantores--atores deram-se de tal modo ao jogo do teatro que esquecemos que falta um metteur en scène. Para quê? Até o maestro e os músicos contribuíram para o divertimento que ocorria no palco e mexia com o público. No final, toda a equipa foi ovacionada. Já tinha visto Karine Deshayes no papel da Cenerentola, e agora  ela confirma mais uma vez que é uma das grandes Angelinas de hoje. Foi uma grande noite de teatro musical. Paris 06.2018 4,5/5
Produção doThéâtre des Champs-Elysées, 
Enrique Mazzola (direção) 
Orchestre National d’Ile-de-France
Ensemble Aedes 
(direção de Mathieu Romano)
Elenco: Karine Deshayes (Angelina ou la Cenerentola), Peter Kálmán (Don Magnifico), Cyrille Dubois (Don Ramiro), Vito Priante (Dandini), Luigi de Donato (Alidoro), Hasmik Torosyan (Clorinda), Alix Le Saux (Tisbe)

O ESPETÁCULO (2016)
Ontem fui à Ópera de Roma ver La Cenerentola... sem sair de Paris! Por isso é que eu gosto tanto das transmissões de óperas e balés em direto para as salas de cinema. Enquanto não começava a ópera propriamente dita, podemos ver o tout-Rome a chegar e a instalar-se no teatro (os camarotes parecem bem austeros e despidos, comparados com os do Palais Garnier). Quanto ao espetáculo, só posso dizer mal da cenografia, encenação e direção de atores. La Cenerentola é uma peça cômica do princípio ao fim mas os responsáveis da encenação, etc., acharam por bem sublinhar a traço grosso,  com imensas caretas e trejeitos, essa comicidade. O palco encheu-se de bonecos-robô saídos do filme de Woody Allen (Sleeper, 1973). Suponho que representavam os servos da altura (como a própria Cinderela, uma falsa serva, como a escrava Isaura). Visto num ecrã de cinema, com planos aproximados, tudo era um tanto grotesco. Adiante. Mas a música de Rossini supera tudo, mesmo quando os cantores são apenas competentes. É pelo menos a terceira vez que vejo La Cenerentola, mas não me canso de ouvir a abertura (uma das melhores de sempre) e as melhores cenas sobretudo as cenas de conjunto. Paris 01.2016: 4/5

CAPRICCIO (1942)


Capriccio é uma ópera de Richard Strauss que já começo a conhecer bem. Penso que é a terceira vez que assisto a esta mesma encenação de Robert Carsen, feita originalmente para a Ópera de Paris e que volta e meia ela repõe.  É um clássico da grande boutique, como chamam ao Palais Garnier. Não é uma ópera fácil. Tem apenas um ato que dura quase duas horas e meia e não tem ação propriamente dita. Tudo se passa na casa de uma aristocrata viúva, na França de 1775. Dois jovens estão enamorados dela e pretendem dedicar-lhe uma ópera. Um é compositor e o outro é poeta. Um defende "primo la musica, dopo le parole" e o outro "primo le parole dopo la musica" e esta dicotomia vai ocupar toda a conversação entre o grupo de artistas (entre os quais um produtor, uma estrela do teatro e um tenor e um soprano especialistas do Bel canto italiano). É uma ópera sobre a ópera e sobre a arte em geral, temas que estão no centro das preocupações das personagens privilegiadas, indiferentes ao mundo que as rodeia. O que não deixa de ser curioso, pois "lá fora" a sociedade caminhava para a revolução (francesa) que destruiria a vida dos privilegiados do Antigo Regime. Mais curioso ainda é pensar que tamanha frivolidade do argumento foi composta (1941) e criada (1942) em plena guerra na Europa. O libreto de Capriccio é da autoria de Strauss e de Clemens Krauss. Paris 02.2016 Palais Garnier 4/5

IOLANTA

 O ESPETÁCULO (2016)

Soirée Tchaikovsky/Tcherniakov na Opéra de Paris

A Ópera de Paris teve a excelente ideia de apresentar numa única sessão a última ópera e o último ballet de Tchaikovsky, respetivamente Iolanta e O Quebra-Nozes. Essa opção é historicamente fundamentada pois as duas obras foram criadas na mesma noite em São Peterburgo. Que obras maravilhosas! É o milagre da Arte. Numa noite uma obra lírica e outra coreográfica foram lançadas para encantar não só o público contemporâneo mas também as gerações futuras. E em 2016 continuamos apaixonados por criações tão antigas. O libreto de Iolanta foi escrito pelo irmão do compositor, Modest, que se baseou numa peça dinamarquesa sobre uma princesa cega que desconhecia ser cega e ser princesa. O drama surge quando Iolanta terá de reconhecer a sua cegueira para que a cirurgia tenha efeito. Será o amor por um desconhecido que provocará o desenlace feliz. Parece pois uma variante da Bela Adormecida. O primeiro quadro, inteiramente feminino, é de um lirismo comovente. Os quadros seguintes mantêm por momentos esse lirismo mas apresentam cenas dramáticas. Seja como for, o encenador optou por um único cenário e por uma representação naturalista que resultou muito. 

Com o Quebra-Nozes as coisas foram muito diferentes. Para muitos foi um choque desagradável encontrar ao som da partitura de Tchaikovsky uma coreografia moderna (de Arthur Pita, Édouard Lock e Sidi Larbi Cherkaoui) com vídeo e tudo. Por vezes sublime outras irritante, a produção desconcertou o público. O argumento original foi alterado mas foi a dança que mudou completamente. Os dançarinos pareciam ter sido atacados por sarna, tão rápidos eram os movimentos repetitivos dos membros em torno do corpo. O problema é que imaginamos por trás destes movimentos a coreografia clássica e virtuosa que pertence à tradição e à memória feliz do fã de ballet. Pessoalmente o que posso acrescentar é que não gostaria de voltar a ver este Quebra-Nozes mas à primeira oportunidade verei o velho e conhecido Quebra-Nozes de Tchaikovsky e  Petipa. Paris 03.2016 NOTA 4/5

LUCIA DI LAMMERMOOR (1835)

O ESPETÁCULO (London Coliseum, 2018)
 
Lucia di Lammermoor em inglês! Esta foi a grande novidade da produção de David Alden (2008), agora reposta no London Coliseum. A mudança de língua não tira beleza à obra-prima de Donizetti. Afinal a ópera tem uma fonte literária britânica: o romântico Walter Scott. Londres 11.2018 ENO 3,5/5
Stuart Stratford (direção musical), com Sarah Tynan (Lucia, Enrico (Lester Lynch), Eleazar Rodríguez (Edgardo), Clive Bayley (Raimondo), Michael Colvin (Arturo), Elgan Llyr Thomas (Normanno), Sarah Pring (Alisa).

Jessica Pratt (Lucia) foi a estrela da noite e, para variar, a cena da loucura, umas mais emocionantes da história da ópera, pôs fora de si o público do TCE. Por tanto assistir a Lucia di Lammermoor, ficou sendo uma das minhas obras preferidas. Com a ópera é assim, quanto mais se assiste mais se ama.
Roberto Abbado & Orchestre National d’Ile-de-France
Paolo Fanale (Edgardo)
Luca Salsi (Enrico) 
Riccardo  Zanellato  (Raimondo)
Paris: Théâtre des Champs-Elysées 
12 de setembro de 2017

Lucia é uma das melhores obras para se descobrir (e amar) a ópera. Obra perfeita do princípio ao fim, com muitas árias memoráveis e uma cena célebre e de grande exigência: a cena de loucura de Lucia. No início estranhei a produção de Andrei Serban, demasiado viril para um drama no feminino. Camaratas militares e salas de ginástica, cordas e construções metálicas ocupam o palco o tempo inteiro. Mas a loucura e a tragédia de Lucia tem origem na repressão masculina da sociedade, o que permite entender as opções de Serban. Quanto aos cantores, todos muito bons, destaca-se o papel de Lucia. Nunca tinha vista uma cantora ser tão aplaudida como Pretty Yende na Opéra de Bastille. A star is born? Muito bom. Paris 11.2016: 4/5


IPHIGÉNIE EN TAURIDE (1779)

A OBRA (Gluck)

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2025)

O ESPETÁCULO (TCE, 2019)

Acho que nunca tinha visto uma encenação tão minimalista e austera quanto a de Robert Carsen para esta produção de Iphigénie en Tauride. Todas as personagens, incluindo cantores e dançarinos, vestem-se de negro ou cinzento e cinzentas são as quatro paredes e o chão onde estão escritos, a giz como numa lousa, os nomes dos protagonistas da tragédia (grega) familiar que atinge Iphigénie, primeiro num sonho depois na realidade: Agamemnon, Clytemnestra, Orestes e Iphigénie. Também Gluck reformou a ópera pela via da austeridade clássica: ação centrada em poucas personagens e espaços e num curto período temporal; e ausência de abertura e de interlúdios instrumentais para permitir a dança. Entre outras inovações para a época. Foi um ótimo espetáculo servido por por cantores excelentes, em especial Iphigénie. Paris Théâtre des Champs-Elysées 12.2019 NOTA 4,5/5

Mise en scène de Robert Carsen e coreografia de Philippe Giraudeau. Thomas Hengelbrock dirige o Ensemble e o Chœur Balthasar Neumann, com Gaëlle Arquez (Iphigénie), Stéphane Degout (Oreste) e Paolo Fanale (Pylade)


O ESPETÁCULO (Garnier, 2016)

Foi muito bom ouvir esta ópera de Gluck, um compositor fundamental que conheço muito mal. Baseada na obra de Eurípedes, com personagens associadas à guerra de Troia, a ação foi transposta pelo encenador Krzysztof Warlikowski para um lar da terceira idade. Vilipendiada na estreia em 2016, esta encenação é agora bem recebida por quase todos. Eu fico indiferente perante tal opção. Na verdade, Iphigénie en Tauride (1779), para mim, oferece momentos de canto belíssimos, cantados por Iphigénie (Véronique Gens, a melhor em palco), Oreste (Etienne Dupuis), Pylade (Stanislas de Barbeyrac) e pelo coro. Paris 12.2016 Palais Garnier 4/5

BIBLIOTECA (2)

Iphigénie en Tauride
Opéra-Comique, novembre 2025
BIBLIOTECA F

Sommaire:
La fabrique du spectacle 
Christoph Willibald Gluck
Lieux et personnages 
Réalités et significations du Sacrifice humain en Grèce Ancienne
Un nouveau modèle d'opéra français, par Gilbert Blin
Préface d'Alceste, Vienne, 1769, par C. W. Gluck
L'Opéra en 1779
Gluck ou la construction d'un génie dramatique,  par Julien Garde
À travers la presse de 1779
Figures de l'étranger chez Gluck, par Julien Garde
Culture et tragédie, par Roland Barthes
Livret Version Opéra-Comique octobre 2025
Les Artistes

Iphigénie en Tauride (1995)
ONP Bastille mai 1995
BIBLIOTECA F

Sommaire:

Argument
Petit lexique de mythologie
Iphigénie en Tauride - Euripide
Christophe Willibald Gluck - Romain Rolland
La répétition générale d'Iphigénie en Tauride - Adolphe Adam
Gluck et Piccinni - Gustave Desnoireterres
Avant-propos à l'édition Henry Lemoine de 1900 - F.-A. Gevaert

L'oeuvre à l'affiche de l'Opéra de Paris
Discographie - Alfred Caron

Livret

LA FANCIULLA DEL WEST (1904)

La Fanciulla del West é uma ópera de Puccini muito pouco representada nos teatros mas com todas as qualidades das grandes óperas do compositor, não contendo porém árias famosas que costumam justificar por si só a encenação da ópera completa. O Scala de Milão resolveu apresentar a ópera neste mês de Maio e retransmiti-la em direto e em diferido através dos cinemas. La Fanciulla repete o esquema de Tosca pois em ambas há uma história de paixão e ciúme envolvendo uma mulher e dois homens. Mas enquanto Tosca se suicida no final, Minnie (la Fanciulla) pede o sacrifício da sede de sangue dos rudes amigos mineiros para recomeçar a vida e ser feliz. Um final à Hollywood. Adorei esta ópera do meu compositor preferido. Paris 05.2016 Scala de Milão 4/5

DISCOTECA:

Puccini The Great Opera Collection (2008)
Box Decca Classics 2008
DISCOTECA P

La Bohème, Tosca, Madama Butterfly, 
Manon Lescaut, La Fanciulla Del West, Turandot,
Il Trittico

La Fanciulla del West (1958)
Capuana/1958
DISCOTECA

BIBLIOTECA:

La Fanciulla del West (1910)
L' Avant-scène nº 165, mai-juin 2004
BIBLIOTECA

AIDA (1871)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
Paris 28.05.2025
Paris 04.10.2025

O ESPETÁCULO (Bastille, 2016)
Aïda é uma obra famosa de Verdi, tão famosa que toda a gente já ouviu e trauteou alguma das suas melodias nem que seja através da publicidade televisiva. Curiosamente é uma ópera pouco encenada (desconheço a razão). Dois parisienses idosos que conheci hoje, frequentadores de ópera, disseram-me nunca ter visto esta ópera. Também para mim foi a primeira vez. Prefiro sem dúvida La Traviata, mas Aida tem uma série de momentos em que o coro toma o protagonismo e então não há nada a fazer: somos todos subjugados. A cantora que fez de Aída foi justamente ovacionada, o pobre Radamés foi quase vaiado e recebeu um silêncio quando terminou a mais famosa ária da ópera: Celeste Aída. Outro que não agradou a todos foi o encenador Oliver Py. Encheu o palco com construções de tamanho faraonico completamente em ouro! Excessivo para o drama filial intimista que é o cerne da ópera. Paris 06.2016 Bastille 4/5

DISCOTECA

Georg Solti
Leontyne Price, Jon Vickers, Rita Gorr
Diapason, janvier 2024
DISCOTECA


DVDTECA 
AIDA (1976)
L' Avant-scène Opera nº4 edição 1993
Edição original: juillet-aout 1976
Tenho ed. avril 1993
BIBLIOTECA F

AIDA (2013)
ONP, outubro de 2013
BIBLIOTECA F

LES CONTES D'HOFFMANN (1881)

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2025)
29.10.2025


O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)
Ópera de Jacques Offenbach
Paris 2023 Bastille 4/5


Muita boa encenação de Robert Carsen para a obra-prima de Offenbach. Foi a primeira vez que vi esta ópera em cena. O primeiro ato é excelente, com o grande quadro de Olympia e a cena do bar, mas o segundo ato não chegou a interessar-me; a abertura e o final do terceiro ato são muito bons. Paris 11.2016 Bastille 4/5

DISCOTECA:
DISCOTECA
GRAVAÇÃO: 1948 INTÉRPRETES: André Cluytens, Orquestra e Coro da Opéra Comique de Paris CANTORES: Renée Doria, Raoul Jobin, Bourvil

WERTHER (1892)

A OBRA (Massenet, 1892)
COMPOSITOR Jules Massenet LIBRETO Eduard Blau, Paul Milliet e Georges Hartmann, baseado no romance de Goethe PERSONAGENS Werther, Charlotte, Sophie CRIAÇÃO

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2025)

O ESPETÁCULO (TCE, 2025)

Paris 7.04.2025 Théâtre des Champs-Élysées

EQUIPA ARTÍSTICA
Marc Leroy-Calatayud, direção musical
Les Siècles
Solistas crianças e Coro de crianças da Maîtrise des Hauts-de-Seine
Christof Loy, mise en scène

Benjamin Bernheim, Werther
Marina Viotti, Charlotte
Jean-Sébastien Bou, Albert
Sandra Hamaoui, Sophie
Marc Scoffoni, Le bailli
Yuri Kissin, Johann
Rodolphe Briand, Schmidt
Johanna Monty, Kätchen
Guilhem Begnier, Brühlmann  

O ESPETÁCULO (ROH/Publicis, 2016)
Já conhecia esta encenação de Benoît Jacquot para a obra de Jules Massenet, mas em DVD com Jonas Kauffman e Sophie Koch, uma produção muito bela e que se arrisca a tornar-se um clássico. Este ano Joyce DiDonato é Charlotte e Vittorio Grigòlo é Werther na reposição do Covent Garden, sob a direção musical de Antonio Pappano. Os dois cantores são excelentes. A minha preferência vai para o terceiro ato, na casa de Charlotte, quando ela lê ou recita as cartas do seu amado e a seguir este aparece para consumar a tragédia. Massenet impõe sobre este casal condenado um tecido musical marcado pela fatalidade e negrura. Maravilhoso espetáculo. Paris 06.2016 ROH/Publicis 4/5

Werther, de Massenet (Paris Bastille, 2010)
Esta produção parisiense do Werther de Massenet já é um clássico. Reuniu um conjunto de intérpretes exemplar (Jonas Kaufmann, Sophie Koch, Ludovic Tézier e Anne Catherine Gillet) encabeçado pelo maior tenor em atividade, Jonas Kaufmann. Mas toda a produção é exemplar e honra seja feita ao encenador Benoit Jacquot (também realizador reconhecido) por ter optado por um cenário despojado mas muito belo e expressivo. O menos é muitas vezes mais. TV 07.2015: 5/5

A DISCOTECA

WERTHER (1931)
CDD Digipak Les Indispensables de Diapason 2011
Elie Cohen & Chœur et Orchestre de l'Opéra de Paris
Com Georges Thill (Werther), Ninon Vallin (Charlotte), Germaine Féraldy (Sophie)
DISCOTECA

 WERTHER (1980)
Colin Davis


DVDTECA 2

DVD 2010
DVDTECA


DVDTECA



BIBLIOTECA 
Programa Opéra-Comique 1994
BIBLIOTECA 

TOSCA (1900)

A OBRA (Puccini, 1900)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)
Opéra Bastille, novembro 2025, encenação de Pierre Audi, Paolo Bortolameolli & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Saloa Hernández (Floria Tosca) Roberto Alagna (Mario Cavaradossi) Alexey Markov (Scarpia)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
Opéra Bastille, novembro 2022, encenação de Pierre Audi, Paolo Bortolameolli & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Elena Stikhina (Floria Tosca) Joseph Calleja (Mario Cavaradossi) Roman Burdenko (Scarpia)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
Opéra Bastille, setembro 2022, encenação de Pierre Audi, Gustavo Dudamel & Orchestre et Chœurs de l'Opéra national de Paris, Maîtrise des Hauts-de-Seine/Chœur d'enfants de l'Opéra national de Paris, com Saloa Hernández (Floria Tosca) Joseph Calleja (Mario Cavaradossi) Bryn Terfel (Scarpia)


Tosca tem duas ou três árias inolvidáveis, que têm uma vida própria para além da trama que lhes dá sentido. São invariavelmente aplaudidas, até parece que as pessoas foram à ópera por causa delas. No entanto quando penso em Tosca penso no seu valor dramatúrgico, na rápida sucessão de eventos que em poucas horas leva à morte os seus protagonistas. E a produção da Royal Opera House a que assisti assegura na perfeição a tensão que a trama exige. Foi muito bom. Londres 06.2019 Covent Garden 4,5/5

Esta ópera de Puccini é uma das que mais vezes vi, mas acho que gostei mais desta última produção (Opéra de la Bastille)... por que será? Penso que descubro, à medida que ouço Tosca, os pormenores da arte de Puccini, que não se revelam à primeira, mas precisam de tempo para serem apreciados. Aconteceu-me o mesmo com Madame Butterfly, que pouco a pouco se tornou na minha ópera preferida entre todas: cada vez que assisto a uma récita é para atentar nos pormenores e deixar de lado os traços gerais do argumento. Hoje emocionei-me deveras com a última ária famosa de Tosca, E lucevan le stelle (Cavaradossi), depois de ter igualmente adorado as outras duas famosas árias da ópera: Recondita harmonia (Cavaradossi) e Vissi d'arte (Tosca). Estes três momentos justificam por si só que se revisite Tosca de quando em vez. O prazer é garantido. Para isso convém que os intérpretes estejam à altura dos que ontem subiram ao palco da Bastille: Liudmyla Monastyrska (Tosca), Marcelo Alvarez (Cavaradossi) e Bryn Terfel (Scarpia). Chapéu, sobretudo para os homens. Paris 10.2016 Bastille 5/5

IL TROVATORE (1853)

A OBRA (Verdi)

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2025)

Londres 08.07.2025 Royal Opera House



O ESPETÁCULO (Paris, 2023)

Paris 2023 ONP Bastille 4.5/5

Esta é uma das óperas de Verdi que mais clássicos nos legou. Com árias e coros que toda a gente conhece. O efeito na plateia é garantido. Mas eu não gosto muito da história desta ópera, nem das suas personagens. Dois homens, que são irmãos mas ignoram tal facto, apaixonam-se pela mesma mulher. Um desses homens foi criado por uma cigana, que o tinha raptado. A produção da Royal Opera House é impecável, com encenação de David Bösch. Londres (Covent Garden, 2016) & Paris (cinema Publicis, 02.2017) 4/5


DVDTECA 

.
James Levine & The MET Chorus and Orchestra
Eva Marton, Luciano Pavarotti, Dolora Zajick, Sherrill Milnes
The MET, 1988
DVD D. G. 2000
DVDTECA



DISCOTECA 

CDD Digipak Les Indispensables de Diapason nº44 2013 
Herbert von Karajan & OF de Viena 1962
Com Franco Corelli, Leontyne Price, Giulietta Simionato, Ettore Bastianini


BIBLIOTECA 

Il Trovatore, ONP 2004 P

NORMA (1831)

A OBRA (V. Bellini, 1831)

O ESPETÁCULO (C. Garden, 2016)
Com Norma (1831) começaram as transmissões em direto do Covent Garden da temporada de opéras e ballets. Apesar de falhas na encenação, a música nunca decepcionou. O elenco, muito bom, foi encabeçado por Sonja Yoncheva, que arrancou muitos aplausos. Paris setembro 2016 Publicis/Covent Garden 5/5


DVDTECA (1)

Norma (1974)
Direção musical de Giuseppe Patané
Monserrat Caballe, Jon Vickers, Josephine Veasey, Agostino Ferrin
Orquestra e Coro do Teatro Regio de Turin
Théâtre Antique d'Orange, 20.07.1974
DVDTECA


DISCOTECA (4)

Serafin/1960ext
DISCOTECA

Muti/1977ext
DISCOTECA 

NORMA (1972)
Cillario&Caballé1972
DISCOTECA

PARSIFAL (1882)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)
É a segunda vez que assisto a Parsifal. No ano passado vi-o no cinema, transmitido de um teatro de Berlim. Não gostei. Desta vez foi na Opéra Bastille, encenado por Richard Jones e com direção musical de Phillipe Jordan. Gostei bastante, mas também confirmei o que não me atrai em Wagner: o argumento e as personagens. Parsifal é o cavaleiro que vai conseguir vencer Klingsor e trazer para a irmandande do Graal a espada sagrada, que vai curar o chefe Amfortas, que no início da ópera tinha sido ferido pela mesma, quando esta caiu nas mãos de Klingsor. Wagner apreciava as lendas e a mitologia medievais por si mesmas, sem aparentemente fazê-las dialogar com o seu mundo contemporâneo. Parsifal é uma ópera excessivamente viril, se bem que dominada por valores religiosos. A honra (masculina) e a autoridade e devoção do pai (e do Redentor) norteiam a ação e a vida dos cavaleiros, remetidos à castidade. A mulher (Kundry) é um joguete na mão dos homens, e assim, entre feiticeira e puta, não sobra espaço para a afirmação da sua feminidade e da sua individualidade. Que saudade das heroínas, também sacrificadas ao poder masculino, de Verdi e Puccini... Musicalmente tudo esteve muito bem, com cantores superlativos, cujo canto anuncia já (em 1882) certas obras em língua alemã do século seguinte. A dimensão narrativa do libreto é considerável, e talvez por isso o canto se aproxime tanto do discurso falado em detrimento da sua função lírica... O futuro da ópera alemã, um futuro/presente que pouco me entusiasma, passava por Parsifal. Apesar das minhas reticências quanto ao libreto, gostei muito de assistir a este Parsifal. Paris 05.2018 Opéra Bastille 4/5
Parsifal (Wagner, 1882)
Direção musical: Philippe Jordan 
& 
Orchestre e Chœurs de l’Opéra national de Paris
Mise en scène: Richard Jones 
com 
Andreas Schager (Parsifal)
Peter Mattei (Amfortas)
Reinhard Hagen (Titurel) 
Günther Goissböck (Gurnemanz)
Evgeny Nikitin (Klingsor)
Anja Kampe (Kundry)

O ESPETÁCULO (2016)
Uma desilusão esta estreia pessoal ao universo do Parsifal de Wagner. O espetáculo foi filmado em 2015 em Berlim e dirigido musicalmente por Daniel Baremboim. Tudo excelente ao nível artístico. O problema é mesmo esta ópera em si. Nunca me interessaram os libretos mitológicos de Wagner, tal como nunca liguei para os libretos densos, intrincados, da ópera barroca. Nesta, no entanto, as componentes instrumental e vocal sublimam o resto. Em Wagner o texto, por vezes excessivamente narrativo, toma a primazia. Não é possível ignorá-lo e dar atenção apenas à música. Quando não se entra na história de Parsifal não se pode apreciar minimamente esta ópera. Paris 05.2016 Cinema Balzac 2/5

PARSIFAL
Programa Ópera Théâtre du Châtelet
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