Mostrar mensagens com a etiqueta Ópera V2017. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ópera V2017. Mostrar todas as mensagens

The Pirates of Penzance (Gilbert & Sullivan, 1880)

Mike Leigh encena esta opereta de Gilbert & Sullivan, aos quais já tinha dedicado um excelente biopic. Divertida do príncipio ao fim, ainda assim menos interessante do que as óperas em geral. Em breve verei uma opereta de Offenbach. Poderei entao comparar dois (três) mestres da opereta da idade de ouro. Londres 02.2017 English National Opera 3/5

La Reine de Chypre (Halévy, 1841)

Véronique Gens é Catarina Cornaro, ou la Reine de Chypre, a protagonista que dá título à ópera de Fromental Halévy, que foi um enorme sucesso na estreia em 1841 mas que caiu num esquecimento quase absoluto. O maestro Hervé Niquet, com a Orchestre de chambre de Paris e o Chœur de la Radio flamande, ressuscitou-a por uma noite, em versão de concerto. Muito bom. Paris 06.2017 TCE 4/5

ATTILA (1946)

O ESPETÁCULO (TCE, 2017)

Erwin Schrott (Attila)
Attila é uma ópera pouco representada de Verdi. Assisti à versão de concerto de Attila no Théâtre des Champs-Élysées e não reconheci nenhuma das árias, mas no seu conjunto a ópera tem todos os elementos reconhecíveis de Verdi, à exceção precisamente daquelas melodias de agrado imediato. O tema da ópera é histórico e fala de guerreiros e da guerra e portanto pouco espaço há para as cantoras. O elenco foi justamente muito aplaudido assim como o maestro e a orquestra da Opéra National de Lyon. Paris 11.2017 TCE 3/5
Elenco 
Erwin Schrott (Attila) 
Alexey Markov (Ezio) 
Tatiana Serjan (Odabella) 
Massimo Giordano (Foresto) 
Grégoire Mour (Uldiro) 
Paolo Stupenengo (Leone) 
&
Daniele Rustioni (maestro) 
Orchestre et Chœurs de l’Opéra National de Lyon

IL SIGNOR BRUSCHINO (1813)

O ESPETÁCULO (TCE, 2017)
Enrique Mazzola
Il Signor Bruschino (1813) é uma ópera da juventude de Rossini. Mas nela o seu estilo pessoal já é bem visível. O Théâtre des Champs-Elysées tem apresentado um ciclo das suas óperas menos conhecidas, dirigidas por Enrique Mazzola. Hoje estiveram em destaque, entre os cantores, Alessandro Corbelli e Chantal Santon-Jeffery. Paris 06.2017 TCE 3/5

LE COMTE ORY (1928)

E lamentável que Le Comte Ory não seja mais vezes representado. Não tem tantas árias inesquecíveis como o Barbeiro de Sevilha, mas o potencial cómico não fica longe da obra-prima buffa de Rossini. Um conde sedutor na linha de Don Giovanni faz tudo para conquistar uma condessa, inclusive passar-se por freira para entrar no forte onde várias mulheres se resguardam à espera dos maridos que estão nas Cruzadas (estamos no século XIII). A encenação de Denis Podalydès, da Comédie-Française, acerta em cheio no ritmo e na direção dos atores. Foi um dos melhores espetáculos de ópera que vi este ano. Paris 4,5/5
Direção musical: Louis Langrée & Orchestre des Champs-Elysées
Mise en scène: Denis Podalydès 
com 
Philippe Talbot (Le Comte Ory) 
Julie Fuchs (La Comtesse)
Gaêlle Arquez (Isolier) 
Opéra-Comique 12.2017

Miranda (Purcell, 2017)

Miranda é uma criação lírica da Opéra-Comique, que aproveita a música de Henri Purcell para construir uma ficção (libreto de Cordelia Lynn) a partir de Shakespeare. Onde reside então a criação contemporânea nesta obra? Não sei bem responder, porque não é possível hoje retomar a criação lírica de Purcell ou mesmo a do seu tempo. O espetáculo encenado por Katie Mitchell chega ao ponto de propor um libreto tão confuso e barroco como os da época, que parte aliás da Tempestade de Shakespeare. Como espetáculo dramático, Miranda não me conquistou (apesar do belo canto) mas a música de Purcell sim. Raphaël Pichon dirigiu o Ensemble Pygmalion. Paris 09.2017 Opéra-Comique 3/5

BIBLIOTECA:
Programa Opéra Comique, septembre 2017

CARMEN (1875)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)
Por ter visto ainda há pouco esta produção (encenação de Calixto Bieito) desta vez sem Roberto Alagna, pude concentrar-me na partitura de Bizet. Fico sempre espantado com o número de árias e peças orquestrais que passaram para o domínio popular. Há compositores com várias óperas que, juntas, não têm tanta riqueza quanto esta única ópera. A orquestra foi dirigida por Mark Elder e nos principais papeis tivemos: Anita Rachvelishvili (Carmen), Bryan Himel (Don José), Marina Costa-Jackson (Micaela) e Ildar Abdrazakov (Escamillo). Muito bom, para variar. Paris 06.2017 Bastille 4/5

Se a memória não me falha, vi Carmen em cena uma única vez (no Coliseu do Porto em 1998). Pela mesma altura Bieito Calixto preparava a encenação da produção que pude ver há dias. Ouvi falar muito mal desta encenação, que mesmo assim continua a ser apresentada depois de tantos anos após a sua criação. Achei-a bem interessante, moderna, e perfeitamente legível. Quanto aos cantores, a estrela da noite foi Roberto Alagna, que cantou muito bem, mas pouco melhor que as protagonistas que encarnavam Carmen e Micaela. Paris 03.2017 Bastille 4/5

PELLÉAS ET MELISANDE (1902)

A OBRA (Debussy1902)

GÉNERO Drame lyrique en cinq actes et douze tableaux COMPOSITOR Claude Debussy LIBRETO Poème de Maurice Maeterlinck CRIAÇÃO Paris 30.04.1902 l’Opéra-Comique

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)



PRODUÇÃO Opéra National de Paris CRIAÇÃO Paris 28.02.2025 Opéra Bastille ENCENAÇÃO Wajdi Mouawad
INTÉRPRETES Pelléas: Huw Montague Rendall, Golaud: Gordon Bintner, Arkel: Jean Teitgen, Le petit Yniold: Anne-Blanche Trillaud Ruggeri, Un Médecin: Amin Ahangaran, Mélisande: Sabine Devieilhe, Geneviève: Sophie Koch  ORQUESTRA Orchestre et Chœurs de l’Opéra national de Paris  DIREÇÃO MUSICAL Antonello Manacorda
VISTO Paris 09.03.2025 Opéra Bastille NOTA 4/5


O ESPETÁCULO (TCE, 2021) 

Uma das óperas que aprendi a amar e admirar mais a cada nova visão. 
Pelléas et Mélisande 2021, direção musical de François-Xavier Roth & Les Siècles, encenação de Eric Ruf, com Patricia Petitbon e Vannina Santoni  (Melisande), Stanislas de Barbeyrac (Pélleas), Simon Keenlyside (Golaud), Jean Teitgen (Arkel), Lucile Richardot (Geneviève), Paris 11/10/2021 TCE 4/5

O ESPETÁCULO (TCE, 2018) 
Basta uma estrela, ou uma artista excepcional (Sabine Devieilhe), para termos uma razão de assistir novamente, meses depois, a Pelléas et Mélisande, a ópera de Debussy. Foi muito bom. Paris 05.2018 Théâtre des Champs Elysées 4/5
Benjamin Levy
(direção musical)
& 
Orchestre de Chambre Pelléas
Elenco:
Sabine Devieilhe (Melisande)
Etienne Dupuis (Pélleas)
Alain Buet(Golaud)
Jérôme Varnier(Arkel)
Sylvie Brunet-Grupposo (Geneviève)
Camille Poul (Yniold)
Virgile Ancely (o médico)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)

Esperei uma vida para ver Pélleas et Melisande, a obra-prima de Claude Debussy, mas este ano essa oportunidade finalmente chegou, ainda por cima a dobrar. Há meses no Théâtre des Champs-Elysées, com Patricia Petibon como Melisande, e hoje na Bastille com Robert Wilson na direção cénica. Duas excelentes produções. Mas desta vez é o encenador que leva a palma. Por uma vez, fiz questão de ouver a ópera de olhos bem abertos pois nada queria perder do que se passava no palco. Passa-se pouco (nunca vi palco mais despojado), e o movimento dos cantores é reduzido ao mínimo. Mas nada poderia ser mais expressivo do que este trabalho minimalista de Bob Wilson. A gestualidade dos cantores remete tanto para a cultura japonesa como para o movimento dos pássaros. A lentidão dos movimentos é soberana. Um dos melhores espetáculos que me foi dado a ver. Paris 10.2017 Bastille 4,5/5

O ESPETÁCULO (TCE, 2017)
Finalmente consegui ver Pélleas et Melisande, a obra-prima lírica de Claude Debussy. Parece uma mélodie ininterrupta, refinada, sensual, evanescente: uma obra em que o tecido orquestral é o centro do interesse. Esta nova produção é excelente: Eric Ruf, da Comédie Française, assina a mise en scène e a scénographie, Louis Langrée dirige a Orchestre National de France, e são excelentes os três intérpretes principais (Patricia Petibon, Jean-Sébastien Bou e Kyle Ketelsen). Paris 05.2017 TCE 4,5/5

LA CLEMENZA DI TITO (1791)

Por uma vez não impliquei com uma encenação de ópera. Willy Decker utiliza um grande volume de mármore que ocupa o centro do palco, mudando apenas de posição entre as cenas, talvez para representar a solidez, a fidelidade, assim como a flexibilidade de Titus, que perdoa quem lhe armara um complot num acesso de ciúme (Vittelia e Sesto). Maravilhoso. Paris 11.2017 Palais Garnier 4/5
Protagonistas:
Willy Decker (mise en scène)
Dan Ettinger (dirige a ONP) 
Michael Spyres (Tito)
Aleksandra Kurzak (Vitellia), 
Marianne Crebassa  (Sesto)
Valentina Nafornita (Servilia), 
Angela Brower (Annio)
Marko Mimica (Publio) 
Palais Garnier 
25/11/2017

 O ESPETÁCULO (TCE, 2017)

Ah, o início do segundo ato de La Clemenza de Tito, de Mozart! Que doçura, que graça espiritual que me lembrou as Paixões de Bach. Poucas vezes vi uma sala de ópera tão inflamada como esta noite. La Clemenza foi apresentada em versão de concerto, com toda a gente no palco, à vista de todos: orquestra, maestro, coro e solistas. Eu não conhecia esta opera seria de Mozart, que tem um libreto de que nada percebi (nem me interessou perceber) porque a força e a beleza da música de Mozart exprimem por si só todas as nuances da sensibilidade humana.
Eis os protagonistas da noite (as três solistas femininas foram particularmente ovacionadas, assim como Currentzis):
Teodor Currentzis & MusicAeterna
Maximilian Schmitt (Tito)
Karina Gauvin (Vitellia)
Stéphanie D’Oustrac (Sesto) 
Anna Lucia Richter (Servilia)
Jeanine De Bique (Annio)
Willard White (Publio)
Théâtre des Champs-Elysées
15 de setembro de 2017

BIBLIOTECA (2)

LA CLEMENZA DI TITO (1999)
Programa de espetáculo 
ONP 1999
BIBLIOTECA P

LA CLEMENZA DI TITO (2013)
Programa de espetáculo 
ONP, novembro de 2013
BIBLIOTECA F

DON CARLOS (1866)

A OBRA (Verdi, 1866)

GÉNERO Grand opéra à la française em cinco actos COMPOSITOR Giuseppe Verdi LIBRETO Joseph Méry e Camille du Locle, com base na tragédia Don Carlos de Friedrich von Schiller (1787) CRIAÇÃO Paris 11.03.1967 Opéra de Paris


O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)




O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)
Primeiro vi a versão italiana (1886), bastante mais conhecida, desta longa ópera de Verdi em Covent Garden (2017), agora foi a vez da versão original em francês (1866), ainda mais longa, na Opéra de Bastille. Gostei de ambas as produções, mais da de Nicholas Hytner do que a de Warlikowski, sempre provocante e indiferente à época da ação da ópera. Infelizmente não pude ver Jonas Kauffman e Sonya Yoncheva (em outubro), mas o canto menos sedutor de Pavel Cernoch e Hibla Gerzmava não diminuiu o prazer de escutar a genial música de verdi. Por ter quatro horas, a ópera é certamente desigual, mas há momentos antológicos que vou procurar nos discos, não apenas as árias mas certas introduções às cenas que me empolgaram mais do que estas últimas. Num dia feio de chuva, soube bem ficar fechado na Bastilha com Verdi. Paris 11.2017 Bastille 4/5
Protagonistas
Pavel Cernoch (Don Carlo)
Hibla Gerzmava (Elisabetta di Valois)
Ludovic Tézier (Rodrigo)
Ildar Abdrazakov (Filipo II)
Dmitry Belosselskiy (Il Grande Inquisitore) 
Ekaterina Gubanova (Principessa Eboli)
&
Krzysztof Warlikowski (mise en scène)
Philippe Jordan (direction)

Esta produção da casa (Covent Garden) é assinada por Nicholas Hytner, data de 2008 e já vai na sua terceira reposiçāo. Don Carlo tem uma versão em francês e outra em italiano, em cinco actos, que pode ser vista por estes dias em Covent Garden. Verdi retem alguns elementos da grand opéra francesa, grandiosa nos meios e na duração, mas também nos temas abordados, essencialmente históricos. A ação passa-se na Espanha seiscentista, atraída pelo imperalismo (a Flandres é espanhola) e pelos rigores da Inquisição. Os dois poderes medem forças e no meio uma história de amor entre a mulher (francesa) do rei espanhol e o filho deste. Nao será das melhores óperas de Verdi, nem das mais económicas, mas tem momentos excelentes que fazem justiça ao génio de Verdi. Londres 05.2017 Covent Garden 4/5
Protagonistas
Bryan Hymel (Don Carlo)
Kristin Lewis (Elisabetta di Valois)
Christoph Pohl (Rodrigo)
Ildar Abdrazakov (Filipo II)
Paata Burchuladze (Il Grande Inquisitore) 
Ekaterina Semenchuk (Principessa Eboli)
&
Nicholas Hytner (director) 
Bertrand De Billy (conductor)

LUCIA DI LAMMERMOOR (1835)

O ESPETÁCULO (London Coliseum, 2018)
 
Lucia di Lammermoor em inglês! Esta foi a grande novidade da produção de David Alden (2008), agora reposta no London Coliseum. A mudança de língua não tira beleza à obra-prima de Donizetti. Afinal a ópera tem uma fonte literária britânica: o romântico Walter Scott. Londres 11.2018 ENO 3,5/5
Stuart Stratford (direção musical), com Sarah Tynan (Lucia, Enrico (Lester Lynch), Eleazar Rodríguez (Edgardo), Clive Bayley (Raimondo), Michael Colvin (Arturo), Elgan Llyr Thomas (Normanno), Sarah Pring (Alisa).

Jessica Pratt (Lucia) foi a estrela da noite e, para variar, a cena da loucura, umas mais emocionantes da história da ópera, pôs fora de si o público do TCE. Por tanto assistir a Lucia di Lammermoor, ficou sendo uma das minhas obras preferidas. Com a ópera é assim, quanto mais se assiste mais se ama.
Roberto Abbado & Orchestre National d’Ile-de-France
Paolo Fanale (Edgardo)
Luca Salsi (Enrico) 
Riccardo  Zanellato  (Raimondo)
Paris: Théâtre des Champs-Elysées 
12 de setembro de 2017

Lucia é uma das melhores obras para se descobrir (e amar) a ópera. Obra perfeita do princípio ao fim, com muitas árias memoráveis e uma cena célebre e de grande exigência: a cena de loucura de Lucia. No início estranhei a produção de Andrei Serban, demasiado viril para um drama no feminino. Camaratas militares e salas de ginástica, cordas e construções metálicas ocupam o palco o tempo inteiro. Mas a loucura e a tragédia de Lucia tem origem na repressão masculina da sociedade, o que permite entender as opções de Serban. Quanto aos cantores, todos muito bons, destaca-se o papel de Lucia. Nunca tinha vista uma cantora ser tão aplaudida como Pretty Yende na Opéra de Bastille. A star is born? Muito bom. Paris 11.2016: 4/5


COSÌ FAN TUTTE (1790)

O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2024)

Artigo sobre Così fan Tutte

Così fan tutte à l’Opéra Garnier : Anne Teresa De Keersmaeker revisite Mozart 

La chorégraphe belge mêle danse et chant dans une œuvre à la fois légère et profonde. "Così fan tutte", l'ultime oeuvre de Wolfgang Amadeus Mozart, enthousiasme le public.  Article de Mohamed Berkani 06.2024

A l’heure de MeToo et des luttes féministes, le dernier opéra de Mozart peut sembler pour le moins anachronique. Hors contexte historique, Così fan tutte (Ainsi font-elles toutes) a des difficultés à habiter le présent. Les normes sociales ont évolué, le statut des femmes aussi. Le livret de Lorenzo da Ponte, écrit en 1789, peut paraître un peu poussiéreux.  Mais, pour reprendre le titre, que font donc toutes les femmes ? Trahir, être infidèles. Ces mêmes femmes sont comparées, lors de la seizième scène, à des gallinacés. "Et (les aimables épousées) qu’à la manière des poules, elles soient prolifiques d’enfants, qui les égalent en beauté", entonne joyeusement le chœur.  

Pour Anne Teresa De Keersmaeker, l'oeuvre est loin d'être sexiste. "Certaines féministes vilipendent cet opéra pour son supposé sexisme avec la même hargne que les moralisateurs du XIXe siècle. (...) Les deux interprétations -misogynie et excès de frivolité- témoignent à mon sens d'une lecture supercielle. Surtout d'une écoute superficielle. Prima la musica, dopo le parole. La musique d'abord, les paroles ensuite", écrit, dans le livret, la metteuse en scène et chorégraphe.   Comment adapter cet opéra, donné pour la première fois à Vienne en 1790 ? C’est sur un plateau vide, un décor nu peint en blanc, qui évoque la froideur d’une clinique qu’Anne Teresa De Keersmaeker installe la trame. Les artistes évoluent dans cet espace intemporel. Dans la mise en scène de la chorégraphe belge, chaque personnage est doublé d’un danseur. Ainsi la danse prolonge le chant, l’espace vide est habité par la voix et le mouvement. Le corps devient langage. L’ultime opéra de Mozart, un marivaudage léger, prend une autre dimension.   Que raconte Così fan tutte ? Pour leur troisième collaboration après Les Noces de Figaro et Don Giovanni, le librettiste Lorenzo Da Ponte et Wolfgang Amadeus Mozart se sont attelés à une œuvre plus légère qui questionne le désir et la trahison. La trahison côté féminin, car l’infidélité masculine n’est perçue que comme séduction.  Ainsi, Don Alfonso, personnage cynique et blasé, veut convaincre deux jeunes officiers très amoureux que leurs fiancées sont, selon lui, comme toutes les autres femmes, soit infidèles. Pour les convaincre, il leur demande de se déguiser en riches Albanais pour séduire les deux sœurs. Le temps de changer de chemise, les voilà méconnaissables. Et, plus tard, ils redeviennent eux-mêmes en changeant, cette fois, de veste.   Enthousiasme Ce mardi 18 juin, le public de l’Opéra Garnier tombe sous le charme de la performance des artistes. Les applaudissements sont francs et nourris tout au long du spectacle. Point d’orgue : le final du premier acte qui soulève littéralement un grand enthousiasme.  L’orchestre enfiévré dirigé par Pablo Heras-Casado et la prestation de tous les chanteurs reçoivent une longue ovation. La soprano sud-coréenne Hera Hyesang Park, formidable en Despina espiègle et profonde, réussit à mettre le public de son côté à chaque apparition.   Scène de "Così fan tutte" à l'Opéra Garnier avec les six interprètes lyriques et leurs doubles danseurs. 

Sur scène, six interprètes, et donc douze avec leurs doubles en danseurs, mais aussi la musique qui a quitté la fosse pour occuper tout l’espace. Sa présence est palpable à chaque instant. 

Direction musicale : Pablo Heras-Casado  Mise en scène et chorégraphie : Anne Teresa De Keersmaeker  Distribution : Vannina Santoni, Angela Brower, Hera Hyesang Park, Josh Lovell, Gordon Bintner, Paulo Szot, et les danseurs de la compagnie Rosas : Cynthia Loemij, Samantha van Wissen, Marie Goudot, Julien Monty, Michaël Pomero, Boštjan Antončič et Carlos Garbin.


O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2017)

Gostei sem dúvida mais da Clemenza de Tito, do mesmo Mozart, que tinha visto na noite anterior, apesar de ser em versão de concerto, e deste Cosi fan tutte ser encenada (e coreografada por Anne Teresa De Keersmaeker). Talvez porque os cantores de Clemenza eram melhores e essa ópera se assemelhasse por vezes a um oratório e incluísse páginas escrita paras coro particularmente sublimes. Aliás, no Palais Garnier, Cosi não teve direito a bravos, que todavia choveram sobre a equipa de La Clemenza, no final, e sobre cada uma das intérpretes femininas na atuação individual. Anne Teresa De Keersmaeker propõe um duplo para cada um dos cantores de Cosi, duplo que é um dançarino da sua companhia Rosas. E um cenário despido, branco clínico, por onde cantores e bailarinos evoluem: é original mas cerebral, talvez demasiado para esta opera buffa de Mozart. Philippe Jordan dirigiu a Orchestre de l’Opéra national de Paris. Paris 09.2017 Palais Garnier 3/5


ALCIONE (1706)

Um acontecimento. Jordi Savall dirige Le Concert des Nations (coro e orquestra) numa incrível ópera do barroco francês: Alcione (1706), de Marin Marais. Poucas vezes vi em Paris um público tão entusiasmado com uma produção de ópera (os parisienses são reservados e raramente os vi aplaudirem de pé uma ópera). Claro está, o melhor do espetáculo é a própria música de Marin Marais, três horas de música que parece repetitiva mas não o é nunca. O palco esteve todo o tempo ocupado por dançarinos e homens do circo. Na parte vocal gostei particularmente de Cyril Auvity. Paris 05.2017 Opéra-Comique 5/5

Madame Butterfly (Puccini, 1904)

Acho que não conheço obra mais emocionante do que Madame Butterfly (refiro-me à ópera). Esta personagem surgiu num conto de John Luther Long, foi levada à cena por David Belasco e ganhou a eternidade com Puccini. Ontem vi, numa sala de cinema, a produção do Covent Garden assinada por Moshe Leiser e Patrice Caurier (brilhante). Antonio Pappano dirigiu Ermonela Jaho (Cio-Cio-San) e Marcelo Puente (Pinkerton), ideais para os principais papéis. Não posso deixar de dar a nota máxima. Paris 2017 Covent Garden 5/5

DIE LUSTIGE WITWE (1925)

Opereta de Franz Lehar (1925)
Paris 2017 Bastille 4/5 

A Viúva Alegre é a opereta das operetas, por isso a vemos de vez em quando nos teatros de ópera, que pouco se abrem à opereta (Lehar e Offenbach são as grandes exceções). A opereta é de gestação francesa, a Viúva é vienense mas a ação passa-se em Paris e o final é arrematado com um número de cancan. Como se fosse uma homenagem à opereta francesa e ao seu expoente máximo, Offenbach (alemão de nascimento). Esta produção da Opéra de Paris, com encenação de Jorge Lavelli, tem grandes cantores como Véronique Gens na protagonista e Thomas Hampson. Mas todos brilharam, inclusive os bailarinos no número final de cancan, o meu momento preferido. Paris 2017 Bastille 4/5

DISCOTECA
Franz Lehár: The Merry Widow Highlights
LP Vinil Classics For Pleasure
DISCOTECA P

Adriana Lecouvreur (2017)

Ópera de Cilea (1902)

Foi uma noite especial, pois pela primeira vez vi Angela Gheorgiu num palco. E não foi um palco qualquer. Há cerca de 20 anos, Angela ficou famosa com a Traviata que apresentou no Covent Garden, dirigida por Georg Solti. Ela é uma das maiores divas líricas de hoje, e uma das raras divas cuja vida privada e (mau) feitio passam regularmente para as páginas das revistas da especialidade. Porém, a julgar pelos aplausos do público o cantor mais amado nesta produção da ópera de Cilea foi Gerald Finley. Mesmo não sendo uma produção inatacável, para mim foi uma noite perfeita. A música de Cilea é lindíssima, os intérpretes estiveram todos bem, a encenação de David McVicar é bela, legível e pertinente. O terceiro acto comeca com uma introdução instrumental muito bela que depois dá lugar à ária mais famosa da ópera cantada por Adriana, "Poveri fiori". Foi o que eu mais gostei, apesar dos outros actos serem igualmente bons. Londres 2017 Covent Garden 5/5

DIE ZAUBERFLÖTE (1791)

A OBRA (Mozart, 1791)


O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)
Reencontro com uma ópera para todas as idades (havia muitas crianças na sala). A música e o teatro de Mozart é o que me faz voltar à Flauta Mágica. Perdi em parte o interesse pela história e pelas personagens, mas a música... Paris 2018 Bastille 3,5/5
Die Zauberflote, com Nadine Sierra (Pamina), Stanislas de Barbeyrac (Tamino), Albina Shagimuratova (Rainha da Noite), Michael Volle (Papageno), Tobias Kehrer (Sarastro). Henrik Nánási (direção musical). Robert Carsen (mise en scène).

O ESPETÁCULO (OC, 2017)
Que maravilhosa produção da Flauta Mágica, encenada por Barrie Kosky, da Berlin Komische Oper (2015) que usa e abusa (no bom sentido) do vídeo, numa clara homenagem ao cinema mudo dos loucos anos 20. Não conseguimos desviar o olhar do palco (melhor dizendo, do ecrã) pois há sempre qualquer coisa de divertido a descobrir. Paris 11.2017 Opéra-Comique 4/5
Protagonistas
Vera-Lotte Böcker (Pamina) 
Tansel Akzeybek (Tamino)
Christina Poulitsi (Rainha da Noite)
Dominik Köninger (Papageno)
Wenwei Zhang (Sarastro)
&
Kevin John Edusei (direção musical)
Suzanne Andrade, Barrie Kosky (Mise en scène)
Paul Barritt (animations)
Collectif 1927 (Suzanne Andrade e Paul Barritt) 
e Barrie Kosky (conceção)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)

Nunca tinha visto A Flauta Mágica de Mozart num teatro. A Opéra de Bastille encheu-se de crianças para ver esta ópera de árias conhecidas, que toda a gente conhece e que os mais jovens apreciam. No fundo é um conto infantil, com maus e bons, um príncipe e uma princesa, uma rainha, e uma viagem de dois companheiros (o príncipe Tamino e o caçador Papageno) em busca de companheira num mundo mágico. A encenação de Robert Carsen privilegia o despojamento possível, com cores da terra: o castanho e o verde. Muito bom. Paris 01.2017 Bastille 4/5
Protagonistas
Nadine Sierra (Pamina)
Stanislas de Barbeyrac (Tamino)
Albina Shagimuratova  (Rainha da Noite)
Michael Volle (Papageno)
Tobias Kehrer (Sarastro)
&
Henrik Nánási (direção musical)
Robert Carsen (Mise en scène)


BIBLIOTECA:

Programme Opéra National de Paris 1999

BIBLIOTECA

Sommaire:

Une cérémonie initiatique, por Jean e Brigitte Massin

Le premier opéra maçonnique, por H.C. Robbins Landon

Un royaume sans sujets, por Ivan Nagel

Le conte libérateur, por Rémy Stricker

Une oeuvre carctéristique de l'art allemand, por Teodor de Wyzewa e Georges de Saint-Foix.

LA BOHÈME (1896)

A OBRA (Puccini)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)




O ESPETÁCULO (TCE, 2023)
Sala Théâtre des Champs-Elysées, juin 2023


O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)



Uma nova produção do clássico La Bohème teve lugar no Covent Garden, Londres, onde deverá ser apresentada por muitos anos. A encenação é de Richard Jones, o cenário e os figurinos são de Stewart Laing, La Bohème é daquelas óperas que dificilmente podem ser modernizadas como é costume fazer-se mudando-se a época histórica da ação. A ópera faz um retrato dos boémios de Paris do século XIX, jovens que viviam para a arte nas mais difíceis condições materiais (passam fome e frio) mas tentam divertir-se na noite como podem e amar também. Os boémios quase roubam o protagonismo ao amor entre Mimi e Rodolfo, que têm as melhores e mais célebres árias da ópera de Puccini. Os cantores, todos jovens e pouco conhecidos, estiveram muito bem, sobretudo Nicole Car como Mimi. A mansarda onde vivem os boémios é que deixa um pouco a desejar: uma gaiola fria e sem nenhuma graça que limita os movimentos dos cantores. Paris 10.2017 Cinema Publicis 4/5
Os cantores: 
Michael Fabiano (Rodolfo)
Nicole Car (Mimi) 
Simona Mihai (Musetta)
Florian Sempey (Schaunard)
Luca Tittoto (Colline)
com
Antonio Pappano & ROH Orchestra

Pela primeira vez assisti a um dos fenómenos culturais mais expressivos dos últimos anos: a transmissão em direto nos cinemas de representações de ópera. Conheço pelo menos duas temporadas de teatros famosos que podem ser vistas nos cinemas de Paris: a temporada da Royal Opera House de Londres e a do MET de Nova Iorque. Infelizmente o horário das transmissões não é compativel com as minhas obrigações profissionais, por isso aproveitei o feriado nacional de hoje para ver uma dessas famosas sessões de ópera no cinema. 
Não podia ter corrido melhor. A produção da ROH retoma uma excelente encenação tradicionalista, "conservadora", do veterano John Copley, um trabalho que tem sido reposto com sucesso no Covent Garden. A ópera é La Bohéme, uma das melhores e daquelas que mais facilmente pode conquistar as pessoas para o universo lírico. Os protagonistas Mimi e Rodolfo são Anna Netrebko e Joseph Calleja, ambos justificando o estrelato. Fiquei surpreendido com a opção maioritária por grandes planos, por planos aproximados dos cantores, e não pelos planos mais recuados do conjunto. O que vimos nesta transmissão está mais próximo da estética do cinema e da televisão do que do ponto de vista do espetador na sala de ópera. A impressão, óbvia, que tive foi a de estar a ver um DVD num ecrã enorme com uma grande qualidade de imagem e som. Uma experiência a repetir tanto quanto possível. Paris cinema Publicis 06.2015 Covent Garden 4/5

DA CASA DOS MORTOS (1930)

A OBRA (Janacek, 1930)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)
De la maison des morts (Janacek, 1930) é uma grande ópera contemporânea, com um canto próximo da fala como muitas das óperas da mesma época. Por essa razão, não me interessa ouvi-la em CD mas sim ouvê-la uma produção teatral, de preferência numa encenação tão impressionante quanto a de Patrice Chéreau, talvez a estrela desta produção da Opéra de Paris. Esta encenação mítica de Chéreau foi criada em Wiener Festwochen em 2007 e estreia-se agora em Paris. Esa-Pekka Salonen assumiu a direção musical. Bastille 26.11.2017 4/5

De la maison des morts (Janacek, 1930) 
L'Avant-scène Opéra nº107 mars 1988
BIBLIOTECA 

OTELLO (1887)

A OBRA (Verdi, 1887)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)
Não sou admirador da história de Otelo (Shakespeare) mas a ópera de Verdi é ótima. Há uma história política mas quase tudo se concentra na relação entre Otelo e Desdemona, na passagem do ciúme cego à quase loucura do protagonista. Uma boa mise en scène de Andrei Serban e sobretudo grandes cantores como Alagna e Kurzak garantiram um bom espetáculo. Paris 04.2019 Bastille 4/5
Intérpretes: Roberto Alagna (Otello), Aleksandra Kurzak (Desdemona), George Gagnidze (Iago), Frédéric Antoun (Cassio), Emilia (Marie Gautrot), Roderigo (Alessandro Liberatore), Lodovico (Paul Gay), Thomas Dear (Montano), heraldo (Florent Mbia).
Direção de Bertrand de Billy com a Orchestre de l’Opéra national de Paris e o Chœur de l’Opéra national de Paris 

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2017)
Covent Garden apresenta por estes dias um dos seus espetáculos mais aguardados da temporada: uma nova produção do Otello de Verdi (encenação de Keith Warner) com a superstar Jonas Kauffman, que assume esse papel pela primeira vez. As sessões tem estado esgotadíssimas, mesmo nos cinemas que transmitiram o espetáculo em direto no passado dia 28 de junho; ainda assim consegui um bilhete para uma das récitas. Toda a gente queria ver Kauffman, que brilhou e foi recebido com bravi, mas outros intérpretes estiveram muito bem. Maria Agresta foi uma grande e frágil Desdemona e Marco Vatrogna foi venenoso q.b. ao interpretar Iago, uma das personagens mais odiadas da história da ópera. A orquestra da ROH foi dirigida por Antonio Pappano. Londres 07.2017 Covent Garden 4,5/5

BIBLIOTECA
OTELLO (2004)
L'Avant-scène nº 218, jan-fev 2004
BIBLIOTECA