A OBRA (Britten)
O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019)
Billy Bud é o opus 50 de Benjamin Britten, uma ópera em quatro actos, estreada em 1951, com libreto de E. M. Forster e Eric Crozier. A ópera adapta a obra homónima de Herman Melville. Em 1960 Britten fez uma nova versão em dois actos da sua ópera e foi esta versão que vi há dias no Covent Garden, numa encenação de Deborah Warner com direção musical de Ivor Bolton. A história de Billy Budd decorre num barco, no final do século 18, numa época em que as ideias de liberdade vindas de França eram perigosas e podiam originar motins nos barcos ingleses. Billy Budd, um jovem marinheiro bem aceite pelos seus pares, é acusado de comportamento subversivo pelo seu chefe, mas é igualmente defendido pelo oficial, que acredita nele. Os laços entre estas três personagens e as suas motivações têm claramente uma dimensão homoafetiva, exponenciada pelo ambiente exclusivamente masculino do barco (não há nenhuma personagem feminina, um caso raro na história da ópera). Trata-se de uma das óperas mais interessantes do século 20. Esta é a terceira produção de Billy Budd que tive oportunidade de ver. Primeiro foi na Opéra de Paris (2010), com encenação de Francesca Zambello, depois foi no London Coliseum (2012), com encenação de David Allen. Cada uma das produções que vi revelou as muitas qualidades, dramáticas e musicais, da obra de Britten. Principais personagens e intérpretes da produção deste ano: Billy Budd (Jacques Imbrailo), Captain Vere (Toby Spence), John Claggart (Brindley Sherratt). Londres 05/2019 Covent Garden 5/5