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Somewhere for Me - A Biography of Richard Rogers (2001)

Bloomsbury 2001
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Meryle Secrest escreveu uma obra de referência sobre o grande compositor de musicais Richard Rodgers. A vida e a carreira de Rodgers coincidem com a grande época dos musicais americanos (dos anos 20 aos 60) e bastaria um dos seus dois grandes períodos criativos, o da parceria com Lorenz Hart e o da parceria com Oscar Hammerstein II, para ser considerado um dos maiores compositores de sempre. É maravilhoso seguir com pormenores a relação profissional e de amizade entre Rodgers e os seus dois companheiros e sobre o contexto de criação das obras que assinaram. Há um aspecto pouco explorado no livro que me deixou curioso. Que outro tipo de música interessava Rodgers? Afinal foi ele quem levou mais longe a aproximação que se faz entre o musical e a ópera. Seguiria ele a evolução deste género erudito? Por essa e outras razões não só releria esta obra com prazer como leria outras sobre Rodgers (a sua autobiografia já está na calha das minhas leituras). Paris, dezembro de 2017 5/5

150 Years of Popular Musical Theatre (2000)

150 Years of Popular Musical Theatre (2000)
Livro de Andrew Lamb
Yale UP 2000
BIBLIOTECA
  
Li opiniões contrastadas sobre 150 Years of Popular Musical Theatre, de Andrew Lamb, nomeadamente o grande espaço dado à opereta europeia, mas para mim foi uma leitura (do verão passado) altamente proveitosa. Foi a primeira abordagem de conjunto que li sobre o teatro musical, nas suas mais variadas formas ou géneros. Creio que o musical americano do século XX impõe-se sobre as outras formas, inclusive sobre a opereta francesa e a opereta vienense, e esse impacto contou com um meio poderoso de divulgação e amplificação: o cinema. Pois o cinema não se limitou a filmar ou a registar em película as grandes criações teatrais, mas também criou espetáculos cinematográficos com valor próprio a partir da arte do musical da Broadway. O livro começou por me surpreender quando deixa claro que a opereta foi uma criação original francesa, que logo foi exportada em língua francesa e através de versões na língua local onde foi apresentada. Um homem representou como nenhum outro esse género: Offenbach, alemão de nascimento mas francês até à medula. A opereta de Viena e a da Inglaterra (Gilbert & Sullivan) impuseram-se, sobretudo nos países onde surgiram. E há também a zarzuela em Espanha, um género que me interessa cada vez mais, mas que nunca sai de Espanha. Estas tradições locais nunca desapareceram mas também não tiveram evoluções significativas no século XX, se comparadas com o musical anglo-saxónico (os ingleses rivalizam com os americanos a partir dos anos 1960). O livro propõe assim uma narrativa escorreita, profusa em termos de informação factual mas pouca rica em análise das imensas obras de teatro popular musical, a maior parte das quais foram já esquecidas. O livro de Lamb protesta à sua maneira contra este esquecimento injusto. Leitura 2017 VC 4/5

Gabriel Fauré (Jacques Bonnaure, 2017)

Mais uma obra exemplar da coleção Actes Sud/Classica. O seu autor, Jacques Bonnaure, traça a biografia de Fauré, um compositor essencial mas pouco popular, dando a máxima atenção à sua obra, à sua evolução estilística. Nem sempre consigo acompanhar Bonnaure nas análises mais finas das obras de Fauré, pois o jargão musical me é estranho, mas no geral a narrativa da vida e o ensaio sobre a obra se articulam exemplarmente. Paris 12.2017 N5/5

Georges Bizet (Jérôme Bastianelli, 2015)

A coleção Actes Sud/Classica reserva-nos quase sempre boas monografias e esta de Bizet é exemplo disso. O autor percorre a obra do compositor por géneros, pois o génio de Bizet não se reduziu à ópera (e à Carmen). Bizet foi um pianista virtuoso e foi um sinfonista de génio, mas abandonou a sua produção nestes géneros para investir na produção lírica. Li este pequeno livro na viagem de ida e volta entre Paris e Londres. 06.2017 5/5

Francesco Cavalli (Olivier Lexa, 2014)

Francesco Cavalli (Olivier Lexa, 2014)
Francesco Cavalli é sem dúvida um dros grandes títulos da coleção Actes Sud/Classica. O seu autor, Olivier Lexa, afirma que é a primeira biografia completa escrita sobre o grande mestre de ópera do século XVII. Nem queria acreditar quando soude disso. Cavalli é o maior compositor de óperas do seu século a par com Monteverdi. Mas Cavalli inaugurou, em Veneza, a organização do espetáculo operático que iria durar durante muitas décadas e em alguns aspectos dura até hoje. Cavalli, juntamente com outros compositores a trabalhar para Veneza, desenvolveram o modelo público da  ópera, que já não era ópera de corte para os happy few, mas ópera para (potencialmente) todos. Quem investia eram os empresários, e Cavalli era um deles, por isso o lucro era um objetivo confessado. Cavalli foi um compositor prolífico e de grande sucesso e algumas das suas obras tiveram direito a reprises ainda em vida do compositor, coisa inédita na época. Uma leitura marcante. Paris 06.2017: 5/5

Groupes pop à mèches 1979-1984 (2015)

Ensaio de Pierre Robin
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Este livro parece que foi escrito para mim. Trata-se de um ensaio francês sobre um fenómeno musical britânico: os neo-românticos do início dos anos 1980. Como eu tinha entre 12 e 14 anos quando os grupos deste ramo da new-wave atingiram elevados picos de popularidade entre os jovens, a sua influência sobre mim foi notável. Duran Duran, Spandau Ballet, Ultravox, Visage: este é o núcleo duro dos neo-românticos, mas muitos outros artistas tiveram o seu momento neo-romântico enquanto a moda persistia. Todos os artistas associados a este movimento admiravam e inspiravam-se no glam: Bowie, Boland, Roxy Music, e também nos Kraftwerk. Faziam pop a partir dos sintetizadores, mas, curiosamente, multiplicavam as referências ao passado, nas letras e no look, na indumentária que para eles era muito importante. Os neo-românticos distinguiram-se aliás pela forma como se apresentavam, pelo cuidado extremo com a sua imagem (herança do glam) que foi explorada pelos primeiros video-clips que então circulavam. O único representante do movimento em Portugal, destacado por Pierre Robin, são os Heróis do Mar, que de facto usavam a História do país nas suas letras e na sua imagem. Eu vivi esta moda e aderi quase completamente a ela (nem maquilhagem nem o cuidado com a roupa me tocaram). Mas os meus preferidos, dentro do movimento mais vasto da new wave da altura, eram The Human League, OMD, Imagination e Soft Cell. Mas havia muitos outros que eu seguia, a lista é enorme. Este livro foi uma achado. Paris  2017: 4,5/5

Breaking Down the Walls of Heartache: How Music Came Out (2016)

Ensaio de Martin Aston
Constable 2016
Leituras 2017 Paris 5/5
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O subtítulo desta obra ajuda mais (do que o título) a entender o seu conteúdo: How Music Came Out. Esse processo aconteceu lentamente, timidamente mas irreversivelmente. O autor, atravês de um fabuloso trabalho de paciência e de investigação, escrutina as mínimas alusões às sexualidades que fogem à norma heterossexual que os músicos foram se permitindo através da sua arte. A investigação diz respeito ao século XX, à música popular (com algumas referências à música clássica), sobretudo aos EUA e Inglaterra, muito menos a alguns países europeus, ao Canadá e ao Brasil. A dificuldade de leitura que a obra apresenta (levei alguns meses para lê-la) é a enorme quantidade de informação revelada,  que inclui nomes de artistas, discos, canções, citações de letras, contextos e tradições musicais, a maioria dos quais completamente desconhecidos para mim. Na verdade, só comecei a sentir-me em terreno familiar nos anos 60, com Dusty Springfield e David Bowie, tendo sido este um dos grandes responsáveis pela música pop de massas ter saído do armário. Sugere-se a leitura do livro com o youtube aberto em frente do olhos para procurar os inúmeros artistas obscuros de que se fala nesta obra. Fiz isso esporadicamente, senão ainda estaria a ler a obra. Uma das melhores leituras de 2017. Paris 5/5