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ROBINSON CRUSOÉ (J. Offenbach, 1867)

A OBRA (Jacques Offenbach)

O ESPETÁCULO (TCE, 2025)



ROBINSON CRUSOÉ (Offenbach, 1867)
Programa de Espetáculo
TCE, décembre 2025
BIBLIOTECA F

Avant-Scène Opéra nº 346, 2025
NT

V’lan dans l’œil (Hervé, 1867)

V’lan dans l’œil (inicialmente intitulado L'œil crevé) é uma ópera bufa, o primeiro grande sucesso de Hervé, o pai da opereta. A sua apresentação hoje é um exercício de arqueologia artística. Foi um espetáculo de massas, tornou se uma curiosidade para um público especializado. Os números falados são por vezes penosos, histriónicos, mas quando a música começa os momentos de graça multiplicam-se. Música de inspiração popular, campesina, mas com uma orquestração erudita, de que gosto cada vez mais. Paris 06.2021 Théâtre du Châtelet 3,5/5

LA FORZA DEL DESTINO (1869)

La Forza del Destino voltou à Bastille na encenação sóbria de Jean-Claude Auvray, criada em 2011, e agora remontada por Stephen Taylor. O palco está quase sempre ocupado por dois ou três objetos significativos e pouco mais. Assim o espectador concentra-se na ação trágica que envolve Leonora, apaixonada por Don Alvaro, que por acidente matou o pai dela e matará o irmão. Anja Harteros (Leonora) dominou o espetáculo, acompanhada de Željko Lučić (Don Alvaro), Carlo Cigni (Don Carlo di Vargas), Robert Lloyd (Marquês de Calatrava), Rodolphe Briand (Trabuco), Rafal Siwek (Padre Guardiano), Gabriele Viviani (Fra Melitone), Nicola Luisotti (diretor musical). Paris 06.2019 Bastille 4/5

La Forza del Destino tem um dos leitmotiv mais conhecidos da ópera, que ouvi muitas vezes em antologias líricas. Mas nunca tinha ouvido ou visto a ópera. La Forza adapta um drama romântico espanhol, Don Álvaro o La fuerza del sino (1835) de Ángel de Saavedra, duc de Rivas, e essa base latina pesa muito sobre a atmosfera religiosa e fatalista (trágica) que domina o drama de Verdi. Os apontamentos cómicos com os padres, por exemplo, não devem constar da peça espanhola adaptada. Mas a obsessão de Don Carlo em vingar a honra da família a ponto de matar a irmã remete para as piores horas do cultura espanhola do antigo regime... Muito acima das dúvidas levantadas pela história desta ópera está a música de Verdi genial como muitas vezes foi. Londres 04.2019 ROH 4/5
Elenco: Liudmyla Monastyrska (Leonora), Yusif Eyvazov (Don Alvaro), Christopher Maltman (Don Carlo di Vargas), Robert Lloyd (Marquês de Calatrava), Aigul Akhmetshina (Preziosilla). Antonio Pappano (diretor) & Christof Loy (encenador)

LA BELLE HÉLÈNE (1864)

A OBRA (Offenbach, 1864)
COMPOSITOR Jacques Offenbach LIBRETO CRIAÇÃO Paris: Théâtre des Variétés 12.1864

O ESPETÁCULO (TCE, 2021)

La Belle Hélène é uma das obras mais celebradas de Offenbach, com várias árias famosas. No entanto, preferi a opereta de Charles Lecocq que vira no dia anterior porque o espetáculo foi sem dúvida muito superior. Na Belle Hélène há um evidente desequilíbrio entre os momentos musicais e os momentos falados, que tiveram de ser adaptados à nossa atualidade. A música é excelente e gostei de ouvir as árias que só conhecia do disco. Mas as intervenções faladas são longas e entediantes. Foi uma versão de concerto (que antecede a versão cénica em Lille, para breve). Parece me que Offenbach precisa de uma representação visual e teatral para ser devidamente apreciado. Paris 2021 Théâtre des Champs-Elysées 3/5

Direção musical de Alexandre Bloch & Orchestre National de Lille e Chœur Septentrion, com a mezzo-soprano Gaëlle Arquez (Hélène) e Cyrille Dubois (Pâris).

O ESPETÁCULO (T. Châtelet, 2015)
La Belle Hélène é uma opereta muito conhecida de Offenbach que parodia com bastante humor o mundo da ópera séria e também o mundo da antiguidade clássica. Os encenadores desta produção, Giorgio Barberio Corsetti e Pierrick Sorin, foram muito felizes ao recorrerem às novas tecnologias para encenar esta obra do século XIX. O espetador pode ver a ação em dois planos: um inferior constituído pelo palco com fundo azul, e outro superior, com um ecrã tripartido que projeta o que se passa no palco mas com um fundo preenchido. Já tinha vista este procedimento noutra produção assinada pelos mesmos encenadores, e apesar de não ser novidade, consegue sempre surpreender e encantar os espetadores. Mais uma vez o Châtelet acertou. Paris 06.2015 Châtelet 5/5

BIBLIOTECA

La Belle Hélène (2001)
Programme TC 2001)  

LA BELLE HÉLÈNE (1999)
Programme Festival d'Aix-en-Provence 1999
BIBLIOTECA F

BORIS GODUNOV (1869)

A OBRA (Mussorgski, 1869)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)

Boris Godounov é uma das obras mais representativas da Arte russa. Talvez seja mesmo a ópera mais amada dos russos. Trata de um Tsar do século 16, Boris Godounov, sobre o qual corria o boato de ter assassinado uma criança para chegar ao trono. A ópera centra-se no drama íntimo de Boris, atormentado pelo crime que talvez nunca cometera ou cometeu e reprimiu no inconsciente. Foi a primeira vez que vi ou ouvi esta ópera e gostei muito, mas é preciso ouvi-la várias vezes para gostar a sério desta obra. Esperava algo de mais faustoso e de um Boris velho e cansado (como se vê nas fotos de Christoff e Ghiaurov, que marcaram o papel no século XX). Mas o encenador Ivo van Hove escolheu um cenário moderno e minimalista onde domina uma escadaria no centro, que desce para baixo da terra. O poder, mesmo absoluto, é frágil, e pode facilmente ir-se abaixo. Assim acontece com Boris, o Tsar. Para o interpretar Idar Abdrazakov é a boa opão. Jovem e bem parecido, estreia-se agora neste papel mítico e só poderá melhorar com a experiência. O papel exige amadurecimento do cantor, que permita exprimir os dilemas interirores do personagem. Paris 06.2018 Bastille/cinema 4/5
Boris Godunov (Mussorgsky)
versão original de 1869
Ivo van Hove (encenação)
Vladimir Jurowski (direção musical)
com
ldar Abdrazakov (Boris)
Evdokia Malevskaya (Fiodor)
Ruzan Mantashyan (Xénia)
Maxim Paster (Chouïsky)
Boris Pinkhasovich (Chtchelkalov)
Mikhail Timoshenko (Mitioukha)
Ain Anger (Pimène), Dmitry Golovnin (Grigori)
Elena Manistina (aubergiste)

DISCOTECA (3)

 Ansermet1948

Karajan/1970*

Rostropovitch/1987
   CD-Livro WARNER “OPERA COLLECTION” 1996
DISCOTECA

DVDTECA 
BORIS GODUNOV (1990) ENCENAÇÃO Andrei Tarkovsky INTÉRPRETES Robert Lloyd (Boris), Alexei Steblianko (False Dmitri), Alexander Morosov (Pimen), Olga Borodina (Marina), Sergei Leiferkus (Rangoni), Yevgeny Boitsov (Shuisky), Vladimir Ognovenko (Varlaam) DIREÇÃOValery Gergiev  GRAVAÇÃO Mariinsky Theatre, St Petersburg 1990 DVDTECA DVD Philips 1993


BIBLIOTECA (2)

ASO27-28

ONP2002

DON CARLOS (1866)

A OBRA (Verdi, 1866)

GÉNERO Grand opéra à la française em cinco actos COMPOSITOR Giuseppe Verdi LIBRETO Joseph Méry e Camille du Locle, com base na tragédia Don Carlos de Friedrich von Schiller (1787) CRIAÇÃO Paris 11.03.1967 Opéra de Paris


O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)




O ESPETÁCULO (Bastille, 2017)
Primeiro vi a versão italiana (1886), bastante mais conhecida, desta longa ópera de Verdi em Covent Garden (2017), agora foi a vez da versão original em francês (1866), ainda mais longa, na Opéra de Bastille. Gostei de ambas as produções, mais da de Nicholas Hytner do que a de Warlikowski, sempre provocante e indiferente à época da ação da ópera. Infelizmente não pude ver Jonas Kauffman e Sonya Yoncheva (em outubro), mas o canto menos sedutor de Pavel Cernoch e Hibla Gerzmava não diminuiu o prazer de escutar a genial música de verdi. Por ter quatro horas, a ópera é certamente desigual, mas há momentos antológicos que vou procurar nos discos, não apenas as árias mas certas introduções às cenas que me empolgaram mais do que estas últimas. Num dia feio de chuva, soube bem ficar fechado na Bastilha com Verdi. Paris 11.2017 Bastille 4/5
Protagonistas
Pavel Cernoch (Don Carlo)
Hibla Gerzmava (Elisabetta di Valois)
Ludovic Tézier (Rodrigo)
Ildar Abdrazakov (Filipo II)
Dmitry Belosselskiy (Il Grande Inquisitore) 
Ekaterina Gubanova (Principessa Eboli)
&
Krzysztof Warlikowski (mise en scène)
Philippe Jordan (direction)

Esta produção da casa (Covent Garden) é assinada por Nicholas Hytner, data de 2008 e já vai na sua terceira reposiçāo. Don Carlo tem uma versão em francês e outra em italiano, em cinco actos, que pode ser vista por estes dias em Covent Garden. Verdi retem alguns elementos da grand opéra francesa, grandiosa nos meios e na duração, mas também nos temas abordados, essencialmente históricos. A ação passa-se na Espanha seiscentista, atraída pelo imperalismo (a Flandres é espanhola) e pelos rigores da Inquisição. Os dois poderes medem forças e no meio uma história de amor entre a mulher (francesa) do rei espanhol e o filho deste. Nao será das melhores óperas de Verdi, nem das mais económicas, mas tem momentos excelentes que fazem justiça ao génio de Verdi. Londres 05.2017 Covent Garden 4/5
Protagonistas
Bryan Hymel (Don Carlo)
Kristin Lewis (Elisabetta di Valois)
Christoph Pohl (Rodrigo)
Ildar Abdrazakov (Filipo II)
Paata Burchuladze (Il Grande Inquisitore) 
Ekaterina Semenchuk (Principessa Eboli)
&
Nicholas Hytner (director) 
Bertrand De Billy (conductor)

Operetas de Offenbach & Wachs (2020)

Duas breves operetas francesas que foram um grande sucesso no século 19 são ressuscitadas num espetáculo divertido e ligeiro. Pelo menos uma canção, o dueto «Je suis alsacienne, je suis alsacien» fica de imediato no ouvido. Do compositor Frédéric Wachs vimos Un mari dans la serrure (1876), de Offenbach vimos Lischen et Fritzchen (1863). Dois únicos cantores asseguraram este espetáculo: a sensacional mezzo Adriana Bignagni e Damien Bigourdan, acompanhados pelo pianista Jean-Marc Fontana. Paris, março de 2020, Théâtre Marigny 3/5

LES PÊCHEURS DE PERLES (1863)

Ópera de Bizet
DVD Dynamic 2004
DVDTECA
Marcello Viotti & Choeur et Orchestre de La Fenice 2004
Interprète Annick Massis  Yasu Nakajima  Luigi De Donato  Luca Grassi

CD duplo EMI 1988
Gravações de 1960 (Les Pêcheurs) e 1957 (Ivan IV)
DISCOTECA

LES PÊCHEURS DE PERLES (1978)
Ileana Cotrubas Alain Vanzo Guillermo Sarabia Roger Soyer, 
Chœurs et Orchestre du Théâtre National De L'Opéra Paris, Georges Prêtre 
2CD EMI 1990
DISCOTECA P

A NOIVA VENDIDA (1866)

A OBRA (Bedrich Smetana, 1866)


BIBLIOTECA:

La Fiancée vendue
Programa da Opéra National de Paris
Octobre 2008
BIBLIOTECA 

LES TROYENS (1863)

A OBRA (Berlioz, 1893)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)

Esta é terceira produção de Les Troyens na ópera da Bastille, que foi inaugurada há 30 anos com esta obra-prima de Berlioz. Nunca tinha visto uma encenação ser vaiada como a que Dmitri Tcherniakov propõe para esta nova produção. Les Troyens adapta a Eneida de Virgilio e relata os acontecimentos que antecedem a viagem de Eneias em direção a Roma. Troia é destruída pelos gregos e as troianas matam-se para não pertencerem aos vencedores (primeira parte); Eneias lidera um grupo de troianos que, dirigindo-se para Itália, passam uns tempos em Cartago, cuja rainha, Didon, se apaixona por Eneias e suicida-se quando este parte (segunda parte). Tcherniakov situa a ação no nosso tempo e a segunda parte, a mais problemática, decorre num centro de apoio a vítimas da guerra. A rainha Didon parece ser a diretora do centro, nada mais. Como a ópera é acima de tudo uma obra musical, nada se perdeu, a orquestra, o coro e os cantores brilharam e fizeram brilhar a grande música de Berlioz. Paris 02.2019 4,5/5
Opéra de Bastille, janeiro de 2019, Dmitri Tcherniakov (mise en scène e cenários), Coro e orquestra  da Opéra National de Paris, Philippe Jordan (direção musical).
Com Brandon Jovanovich (Enée), Stéphanie D’Oustrac (Cassandre), Ekaterina Semenchuk (Didon), Stéphane Degout (Chorèbe), Paata Burchuladze (Priam), Christian Hemler (Panthée), Christian van Horn (Narbal), Cyrille Dubois (Iopas), Michèle Losier (Ascagne), Aude Extrémo (Anna), Bror Magnus Tǿdenes (Hylas), Jean-luc Ballestra (Un capitaine grec), Véronique Gens (Hécube), Sophie Claisse (Polyxène), Jean-François Marras (Hélénus), Thomas Dear (le Fantôme d’Hector), Tomislav Lavoie (un Soldat), Bernard Arrieta (Mercure). 

Box 4CD Philips s/d
Gravação: Londres 1969

LES TROYENS 
DVDTECA

BIBLIOTECA:

Programa de espetáculo
Alla Scala, maio de 1982
BIBLIOTECA P


Les Troyens, TC2003 BIBLIOTECA

Les Troyens, TNSC1997 BIBLIOTECA P

Les Troyens, ONP2006 BIBLIOTECA

Thomas: HAMLET (Opéra-Comique, 2022)

 
Opéra-Comique, 2022
Obra de Ambroise Thomas, 1868