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LA VOIX HUMAINE (1955)

A OBRA (Poulenc)

TÍTULO La Voix Humaine (tragédia lírica em um acto) LIBRETO Jean Cocteau  COMPOSITOR Francis Poulenc CRIAÇÃO Paris: Salle Favart 1959, por Denise Duval

O ESPETÁCULO (TCE, 2026)



Patricia Petibon (Elle), Orchestre National de France, dir. Ariane Matiakh VISTO Paris 15.03.2026 Théâtre des Champs-Élysées 

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2018)

John Relyea (Le Duc Barbe-Bleue) & Ekaterina Gubanova (Judith)
Este espetáculo que une La Voix humaine (Poulenc, 1955) a Bluebeard's Castle (Bartók, 1918), sem descontinuidade, é uma das joias da Opéra de Paris, onde foi criado em 2015. O grande mago responsável por tão ousada e satisfatória encenação é Krzysztof Warlikowski, que compreendeu bem as linhas que cosem as duas obras. O sofrimento e a solidão feminina resultantes da dependência de uma mulher face a um homem são temas que percorrem as duas breves óperas. Destacaria por isso as duas fantásticas cantoras que encarnaram Judith (Ekaterina Gubanova) e Ela (Barbara Hannigan). Muito bom. Paris 04.2018 Palais Garnier 4/5
Barbara Hannigan

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2015)
A nova produção da Ópera de Paris tem claramente a marca do encenador escolhido, Krzysztof Warlikowski. Duas óperas maiores do século XX irmanadas num espetáculo sem intervalo. Le château de Barbe-Bleue (Bartok) e La voix humaine (Poulenc) têm ambas uma mulher como protagonista, que sofre terrivelmente por amor. Uma mulher cujo amor vai sendo abalado à medida que o marido vai revelando o terrível segredo por trás de cada porta do seu castelo (Bartok) e outra que não sobrevive ao abandono definitivo do seu amante (Poulenc). O amor e a morte de mãos dadas nas duas óperas. Quando as opções de encenação são claras e inteligíveis como neste caso a interpretação tem as condições ideais para brilhar, como aconteceu com as duas cantoras. Prefiro o partitura de Bartok pelo tecido instrumental contínuo e fluído que faz lembrar as obras de Wagner e o elemento vocal em Poulenc, pela potencialidade dramática que encerra e que atrai como um íman todas as cantoras-atrizes. São obras que não ouço em disco (sobretudo a de Poulenc vive mal sem o palco) mas que encenadas tornam-se poderosas. Paris 12.2015 Palais Garnier 4/5


O ESPETÁCULO (PV Garrett, 2015)
La voix humaine (1955) é uma das obras líricas mais belas do século XX. Composta por Francis Poulenc a partir de um libreto de Cocteau, tem atraído as maiores atrizes e cantoras, seduzidas por este monólogo feminino que oscila entre o canto e a fala para exprimir o abandono de uma mulher pelo seu amante. Raquel Camarinha foi a protagonista desta produção com acompanhamento de piano. Com um francês perfeito, teve uma abordagem cool do papel, sem a dramaticidade extrema que o texto permite. Gostei muito. Póvoa de Varzim 07.2015  4/5

O Castelo de Barba Azul (1918)

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2018)
John Relyea (Le Duc Barbe-Bleue) & Ekaterina Gubanova (Judith)
Este espetáculo que une La Voix humaine (Poulenc, 1955) a Bluebeard's Castle (Bartók, 1918), sem descontinuidade, é uma das joias da Opéra de Paris, onde foi criado em 2015. O grande mago responsável por tão ousada e satisfatória encenação é Krzysztof Warlikowski, que compreendeu bem as linhas que cosem as duas obras. O sofrimento e a solidão feminina resultantes da dependência de uma mulher face a um homem são temas que percorrem as duas breves óperas. Destacaria por isso as duas fantásticas cantoras que encarnaram Judith (Ekaterina Gubanova) e Ela (Barbara Hannigan). Muito bom. Paris 04.2018 Palais Garnier 4/5
Barbara Hannigan

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2015)
A nova produção da Ópera de Paris tem claramente a marca do encenador escolhido, Krzysztof Warlikowski. Duas óperas maiores do século XX irmanadas num espetáculo sem intervalo. Le château de Barbe-Bleue (Bartok) e La voix humaine (Poulenc) têm ambas uma mulher como protagonista, que sofre terrivelmente por amor. Uma mulher cujo amor vai sendo abalado à medida que o marido vai revelando o terrível segredo por trás de cada porta do seu castelo (Bartok) e outra que não sobrevive ao abandono definitivo do seu amante (Poulenc). O amor e a morte de mãos dadas nas duas óperas. Quando as opções de encenação são claras e inteligíveis como neste caso a interpretação tem as condições ideais para brilhar, como aconteceu com as duas cantoras. Prefiro o partitura de Bartok pelo tecido instrumental contínuo e fluído que faz lembrar as obras de Wagner e o elemento vocal em Poulenc, pela potencialidade dramática que encerra e que atrai como um íman todas as cantoras-atrizes. São obras que não ouço em disco (sobretudo a de Poulenc vive mal sem o palco) mas que encenadas tornam-se poderosas. Paris 12.2015 Palais Garnier 4/5

PAGLIACCI (1892)

A OBRA (Leoncavallo, 1892)


O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2015)

PAGLIACCI
&
CAVALLERIA RUSTICANA

Pagliacci e Cavalleria Rusticana são duas óperas veristas, sendo o verismo a corrente que no final do século XIX trouxe um realismo cru às histórias e personagens das óperas. Tradicionalmente são apresentadas uma a seguir à outra podendo constituir mesmo, como é o caso desta produção da Royal Opera House, duas faces de um mesmo espetáculo. Foi uma das coisas boas desta produção. Algumas personagens passavam de uma ópera para a outra e Pagliacci era um espetáculo de teatro anunciado com cartazes durante a ação da Cavalleria.  Aliás, a temática das duas óperas é a mesma (a inspiração do libreto não é o forte destas óperas veristas): o adultério e a vingança do marido/amante enganado, que resulta numa morte com arma branca (em Carmen, de Bizet, que anuncia o verismo, já tínhamos visto tudo isto). Gostei de ver esta produção, mas é certo que nenhuma das óperas está entre as minhas preferidas. E penso que nem a história nem as personagens têm o carisma que encontro por exemplo em Puccini ou Verdi. Paris 12.2015 Cinema Publicis 4/5

CAVALLERIA RUSTICANA
& PAGLIACCI
Pretre (1981, DVD)
DVDTECA

MARIA STUARDA (1835)

Não conhecia de todo esta opera seria de Donizetti. Maria Stuarda é um duelo entre duas rainhas, Elizabeth e Mary Stuart e se o libreto não é nenhuma obra-prima, quando há cantoras à altura das proezas vocais exigidas pela partitura, então temos garantida uma grande noite de ópera. Foi o que aconteceu com esta produção. Duas sopranos que arrancaram aplausos e bravos e fizeram esquecer a problemática encenação. Paris 06.2015 Théâtre des Champs-Elysées 4/5
MARIA STUARDA/Donizetti
L'Avant-scène Opéra nº 225 (2004)
DISCOTECA F



IL RE PASTORE (1775)

Que surpresa esta encenação de Il re pastore de Mozart! O teatro do Châtelet reserva-nos regularmente boas surpresas. A opera seria de Mozart, com libreto de Pietro Metastasio, anda à volta de pastores e reis, mas nesta produção original tudo se passa no futuro espacial da Galáxia Hebdo (!). É um Mozart mixado, pois sons próprios dos jogos de vídeo interagem com a música do compositor setecentista. O efeito é cómico e acentua a leveza deste divertimento mozartiano, assistido aliás por muitas crianças. Para além dos "barulhinhos bons" (dixit Marisa Monte) temos direito ao vídeo e a efeitos de três dimensões, para além da participação brilhante de acrobatas. Mas a gente vai à ópera para ouvir a música e o segundo acto, em particular, tem belíssimas árias, defendidas por excelentes cantores. Entre eles a portuguesa Raquel Camarinha (na foto) que ganhou uma ovação merecida. É raro encontrar um nome português no mundo internacional da ópera, mas Raquel Camarinha tem participado noutras produções do Châtelet e com sucesso. Aqui fica a nota patriótica. Paris 01.2015 Châtelet 3/5

Recitais Líricos 2015


Julia Migenes (Châtelet, 2015)

Fui ver uma ópera e saiu-me um recital de Weil.
Eu e B. conseguimos facilmente um bom lugar vinte minutos antes do começo da ópera Le Petit Prince. Com os bilhetes na mão, no café, vimos que neles estava escrito Julia Migenes. E foi o que tivemos como prato musical, uma Julia Migenes em ótima forma a percorrer o cancioneiro de Kurt Weill espalhado pelos musicais e pelas bandas de filmes de Hollywood. Infelizmente foi privilegiado o cancioneiro em alemão, com o seu canto teatral mais falado do que cantado, e tivemos direito apenas a dois grandes clássicos americanos: Speak Low e September Song. Gostaria que o recital tivesse sido sobre este cancioneiro americano, mais ao meu gosto. Paris 02.2015 Châtelet 3,5/5

Ontem o concerto do FIMPV foi dedicado à produção musical contemporânea para barítono e piano. André Baleiro e João Paulo Santos foram os intérpretes. O ciclo de canções Songs and Proverbs of William Blake op. 74 (1965) de Benjamin Britten foi a pièce de résistance deste concerto. Tivemos sobretudo a oportunidade de conhecer novos (e muito jovens) compositores e obras, que aliás participavam na final do 8º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim, a decorrer neste concerto. Apesar de ser um apaixonado pelo lied e pela mélodie, não fui tocado por estas novas propostas. Em relação a Britten conheço melhores composições para voz e piano (ou orquestra) compostas por ele. PV 07.2015 

LA BELLE HÉLÈNE (1864)

A OBRA (Offenbach, 1864)
COMPOSITOR Jacques Offenbach LIBRETO CRIAÇÃO Paris: Théâtre des Variétés 12.1864

O ESPETÁCULO (TCE, 2021)

La Belle Hélène é uma das obras mais celebradas de Offenbach, com várias árias famosas. No entanto, preferi a opereta de Charles Lecocq que vira no dia anterior porque o espetáculo foi sem dúvida muito superior. Na Belle Hélène há um evidente desequilíbrio entre os momentos musicais e os momentos falados, que tiveram de ser adaptados à nossa atualidade. A música é excelente e gostei de ouvir as árias que só conhecia do disco. Mas as intervenções faladas são longas e entediantes. Foi uma versão de concerto (que antecede a versão cénica em Lille, para breve). Parece me que Offenbach precisa de uma representação visual e teatral para ser devidamente apreciado. Paris 2021 Théâtre des Champs-Elysées 3/5

Direção musical de Alexandre Bloch & Orchestre National de Lille e Chœur Septentrion, com a mezzo-soprano Gaëlle Arquez (Hélène) e Cyrille Dubois (Pâris).

O ESPETÁCULO (T. Châtelet, 2015)
La Belle Hélène é uma opereta muito conhecida de Offenbach que parodia com bastante humor o mundo da ópera séria e também o mundo da antiguidade clássica. Os encenadores desta produção, Giorgio Barberio Corsetti e Pierrick Sorin, foram muito felizes ao recorrerem às novas tecnologias para encenar esta obra do século XIX. O espetador pode ver a ação em dois planos: um inferior constituído pelo palco com fundo azul, e outro superior, com um ecrã tripartido que projeta o que se passa no palco mas com um fundo preenchido. Já tinha vista este procedimento noutra produção assinada pelos mesmos encenadores, e apesar de não ser novidade, consegue sempre surpreender e encantar os espetadores. Mais uma vez o Châtelet acertou. Paris 06.2015 Châtelet 5/5

BIBLIOTECA

La Belle Hélène (2001)
Programme TC 2001)  

LA BELLE HÉLÈNE (1999)
Programme Festival d'Aix-en-Provence 1999
BIBLIOTECA F

Pietro MASCAGNI

A OBRA: Cavalleria Rusticana COMPOSITOR: Pietro Mascagni

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2015)

PAGLIACCI
&
CAVALLERIA RUSTICANA

Pagliacci e Cavalleria Rusticana são duas óperas veristas, sendo o verismo a corrente que no final do século XIX trouxe um realismo cru às histórias e personagens das óperas. Tradicionalmente são apresentadas uma a seguir à outra podendo constituir mesmo, como é o caso desta produção da Royal Opera House, duas faces de um mesmo espetáculo. Foi uma das coisas boas desta produção. Algumas personagens passavam de uma ópera para a outra e Pagliacci era um espetáculo de teatro anunciado com cartazes durante a ação da Cavalleria.  Aliás, a temática das duas óperas é a mesma (a inspiração do libreto não é o forte destas óperas veristas): o adultério e a vingança do marido/amante enganado, que resulta numa morte com arma branca (em Carmen, de Bizet, que anuncia o verismo, já tínhamos visto tudo isto). Gostei de ver esta produção, mas é certo que nenhuma das óperas está entre as minhas preferidas. E penso que nem a história nem as personagens têm o carisma que encontro por exemplo em Puccini ou Verdi. Paris 12.2015 Cinema Publicis 4/5

CAVALLERIA RUSTICANA
Semyon Bychkov & Orchestre de Paris
CD Box de cartão Philips 1991
BIBLIOTECA P
CAVALLERIA RUSTICANA
Alexander Rahbari 1992 (Naxos)
BIBLIOTECA
CAVALLERIA RUSTICANA
Sinopoli/1989
BIBLIOTECA
CAVALLERIA RUSTICANA
Pretre (1981, DVD)
BIBLIOTECA

CAVALLERIA RUSTICANA
Herbert von Karajan 1966
BIBLIOTECA

Cavalleria Rusticana & Paillasse
Ópera L' Avant-scène
BIBLIOTECA

GUILLAUME TELL (1829)

A OBRA

GÉNERO Ópera em em quatro actos COMPOSITOR Gioachino Rossini LIBRETO E. de Jouy CRIAÇÃO Paris 3.08.1829 Opéra CANTORES

O ESPETÁCULO (ROH, Publicis 2015) 


A última ópera de Rossini, Guillaume Tell (1829), é poucas vezes representada, apesar da fama nunca desmentida da sua abertura. Pela segunda vez, vejo no cinema uma transmissão em direto do Covent Garden, numa produção já histórica devido às cenas de nudez e de violência que fizeram muitos espetadores vaiarem as récitas nas últimas semanas. Aquilo que é moeda corrente no cinema, na ópera é recebido com histerismo. Talvez eu tenha assistido a uma versão soft, já que nem houve nudez integral. Nunca tinha ouvido nem ouvisto esta grande ópera de Rossini, feita ao desmesurado gosto francês (cerca de quatro horas), com libreto em francês, baseado na lenda de Guilherme Tell filtrada por Schiller. Mas gostei bastante da ópera e, quanto a esta produção, gostei particularmente dos dois protagonistas masculinos; Gerald Finley (Guillaume Tell, barítono) e John Osborn (Arnold Melchthal, tenor). Paris julho? 2015 Cinema Publicis (Covent Garden) 4/5

LE NOZZE DI FIGARO (1786)

A OBRA (Mozart, 1786)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)
Paris 15.12.2025 Palais Garnier 

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)

Opéra de Paris, Palais Garnier, 30 de novembro de 2022

CRÍTICA DE FORUM OPÉRA:

Au théâtre ce soir ? Stendhal aura su exprimer avec une indépassable évidence ce que chacun peut ressentir au fond de soi lorsqu’il écoute Mozart, et particulièrement les Noces de Figaro : « un mélange sublime d’esprit et de mélancolie, tel qu’il ne s’en trouve pas un second exemple. » De cet équilibre entre la comédie et le drame, entre le drôle et le grave, les metteurs en scène, depuis maintenant deux ou trois décennies, font souvent pencher la balance vers le plus sombre. Telle n’est pas la volonté de Netia Jones, qui insiste, dans ses notes d’intention reproduites dans le programme, sur la drôlerie de la pièce de Beaumarchais, que le livret de Da Ponte et la partition de Mozart ont voulu sublimer. Qui voudrait voir, dans ce retour proclamé aux racines théâtrales et à la nature comique de l’œuvre, l’annonce d’un spectacle virevoltant et virtuose pourrait néanmoins s’exposer à quelques désillusions. A priori, transposer l’action dans les coulisses d’un théâtre pendant les répétitions de la pièce de Beaumarchais n’avait pourtant rien d’un contresens : coiffeur et perruquier (profession somme toute assez voisine de celle barbier, qu’il exerça dans une autre vie …), Figaro s’apprête à convoler avec Susanna, la couturière, mais se heurte aux agissements libidineux d’un acteur poursuivant de ses assiduités toutes les femmes qui ont le malheur de passer devant sa loge. Actrice, elle aussi, la Comtesse Almaviva dissipe son ennui en collectionnant les bouquets de fleurs, tandis qu’on ne sait pas vraiment qui est Chérubin, mais un ado reste un ado, donc va pour le survêtement rouge et la casquette. Si le théâtre dans le théâtre n’a rien de très novateur, il bénéficie en l’espèce d’une scénographie chic à la Robert Carsen, autre grand amateur du procédé. Le problème, c’est qu’une fois le concept posé, il convient de le faire vivre. Or, c’est la vie qui manque ici. Alors que le vaste plateau de Garnier doit se contenter, pour son remplissage, des tics habituels que l’on retrouve aujourd’hui dans trois mises en scène sur quatre (doubles des personnages en projections vidéo, effeuillage régulier des protagonistes, etc.), l’inexplicable absence de direction d’acteur menace – un comble ! – de faire retomber jusqu’aux quiproquos les plus payants. Pas de huées aux saluts, car au fond tout cela reste élégant ; il n’empêche que nous quittons notre siège sans être certain que Netia Jones savait ce qu’elle voulait vraiment nous dire avec cette nouvelle production.  

Souvent condamnés à l’immobilité, les chanteurs ne peuvent compter que sur leur propre charisme pour faire vivre leurs personnages. A ce petit jeu, Peter Mattei a des atouts vainqueurs : on pourrait entendre ce Comte encore cent fois sans se lasser une seconde de son extraordinaire magnétisme. Le crémeux inaltéré de la voix achève un portrait toujours aussi convaincant. Et puis Lea Desandre… « Voi che sapete » a beau avoir été interprété par toutes les chanteuses du monde, seule une petite poignée d’artistes a su dessiner un Cherubino totalement abouti. Il y a eu le raffinement de Sena Jurinac, la fraîcheur de la jeune Christa Ludwig, la sensibilité de Frederica von Stade. Aujourd’hui, il y a Lea Desandre, timbre d’ambre et engagement total qui font palpiter la moindre phrase. Luca Pisaroni demeure, en Figaro, une référence. Arrivé en castrophe pour remplacer Adam Palka (lui-même appelé en remplacement d’Ildebrando d’Arcangelo), il faut mettre sur le compte de ces circonstances inhabituelles les quelques décalages et les aigus blanchis entendus en début de soirée, tant il fait mieux que se rattraper par la suite, appuyé sur un instrument percutant et une incarnation toujours aussi forte. Anna El-Kashem, elle aussi remplaçante (de Ying Fang), pourrait évoquer, avec sa voix claire et son vibrato juvénile, un souvenir de Barbara Bonney ; mais le volume paraît bien confidentiel. La projection pose aussi quelques problèmes à Maria Bengtsson, pas toujours audible dans des ensembles, émouvante cependant dans un « Dove sono » sur le fil. Parmi des seconds rôles où l’on retient la jolie Barbarina de Kseniia Proshina et le Bartolo hargneux de James Creswell, Dorothea Röschmann fait une Marcellina de luxe, apportant à chaque réplique une connaissance intime, presque organique, de la ligne mozartienne.  

Pour sa deuxième et dernière production de la saison, Gustavo Dudamel confirme son entente avec les musiciens de l’Opéra de Paris, nonobstant quelques décalages qui devraient se corriger d’eux-mêmes au fur et à mesure des représentations : sa direction les met en valeur à chaque instant, souligne mille détails, des sourires échangés par le hautbois et le basson dans « Sull’aria » aux grognements des cordes dans « Aprite un po’ quegli occhi », et veille les poings serrés à la progression dramatique, admirable dans le final du II. Les apports des lectures sur instruments d’époque sont bien loins ; pourtant, tout cela s’anime, respire, vit – le théâtre, ce soir, se trouvait dans la fosse !

Clément Taillia


O ESPETÁCULO (Publicis, 2015)

Le Nozze di Figaro é uma daquelas obras que a gente vê, revê e volta a ver a vida inteira sem cansar. Nada se assemelha às operas de Mozart, tocadas pela graça e pelo humor expressos pelas notas geniais do compositor. Os encenadores e os intérpretes (não apenas cantores) podem sublimar a obra de Mozart mas acaba por ser a música o cerne de todo o prazer que os espectadores têm ao ver encenadas as suas obras. Esta produção de David McVicar para o Covent Garden data de 2006 e tornou-se popular, com várias reposições ao longo dos anos. Vi uma dessas reposições, a de 2010, no próprio Covent Garden (com David Syrus à frente da orquestra) e agora volto a ver outro revival em transmissão direta para as salas de cinema (o maestro desta vez é Ivor Bolton). Segundo as minhas notas (a memória não vai lá...) vi pela primeira vez Le Nozze di Figaro no Coliseu do Porto em 2002 e igualmente em Paris, na Bastille, em 2011 (encenada por Giorgio Strehler). Portanto é uma das óperas que melhor conheço e cujo reencontro é sempre um acontecimento. Fico sempre extasiado perante os números de grupo, com aquela desarmonia e harmonia das vozes de que Mozart tinha o segredo, sem desprimor para as árias de uma só personagem, como as maravilhosas e imortais árias de Cherubino (Non Più Andrai" e "Voi, che sapete che cosa é amor") e a de Figaro ("Non più andrai"). Bem, isso são pormenores sem importância perante tamanha obra musical, tamanha obra de arte. Paris 10.2015 Cinéma Publicis 5/5

DISCOTECA 6:

Karl Bohm 1968
Coffret LP Vinil D.G
DISCOTECA

Giulini/1961 (Diapason)

Solti/1981*

Ostman/1988exc

Haitink/1994(DVD) 


Erich Kleiber/1955

CD Le Monde
DISCOTECA


BIBLIOTECA:

L'Avant-Scène Opéra n° 135-136
Edição de 1999 (original é de 1990)
BIBLIOTECA

Adriana Lecouvreur (2015)

Ópera de Cilea (1902

Não conhecia esta obra, que é responsável por manter Francisco Cilea vivo nos palcos líricos. Mesmo assim é uma ópera pouco representada, em tempos defendida de forma sublime por Magda Olivero. Foi para cantar este papel de Cilea que Olivero regressou aos palcos, de onde se tinha retirado 10 anos antes (1941). Adriana Lecouvreur tem libretto de Arturo Colautti e adapta a peça Adrienne Lecouvreur (1849) de Eugène Scribe e Ernest Legouvéby, Foi criada no Teatro Lirico, Milão em 1902 com Angelica Pandolfini  e Caruso nos principais papéis. A produção que vi foi filmada por Lamberto Puggelli ao vivo no Teatro alla Scala de Milão em 2000, espetáculo dirigido por Roberto Rizzi Brignoli com Daniella Dessi, Olga Borodina, Sergei Larin. Uma bela produção. Paris 2015 Teatro alla Scala  4/5


DON GIOVANNI (1787)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)

Encenação de Claus Guth
(criada em Salzburgo em 2008)

O ESPETÁCULO (Rio de Janeiro, 2023)

Rio de Janeiro 2022


O ESPETÁCULO (Bastille, 2019)

Don Giovanni é a história de um crime e da sua punição. Uma história actual, dos nossos dias marcados pelo movimento #Meetoo. Don Giovanni confundiu amor com instinto de posse e manipulação de mulheres. E se danou. Com Étienne Dupuis (Don Giovanni), Philippe Sly (Leporello), Jacquelyn Wagner (Donna Anna), Elsa Dreisig (Zerlina), Ain Anger (Il Commendatore), Nicole Car (Donna Elvira), Stanislas de Barbeyrac (Don Ottavio), Mikhail Timoshenko (Masetto). Mise en scène de Ivo van Hove. Direção musical de Philippe Jordan. Paris 06.2019 Opéra Garnier 4/5


O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)

Já vi muito boas produções de Don Giovanni, como por exemplo a de Michael Haneke na Bastille, mas é sempre um prazer rever esta obra-prima de Mozart, uma das minhas óperas preferidas. Kasper Holten opta por uma solução que já vi algumas vezes no teatro: um edifício que ocupa o palco inteiro vai rodando e nele evoluem as personagens, que passam de divisão em divisão. Este dispositivo é interessante e inteligente porque lembra o jogo das escondidas: neste caso, várias mulheres seduzidas e enganadas por Don Giovanni tentam desmascará-lo levando-o à condenação fatal. Londres 07.2018 Covent Garden 4/5
Marc Minkowski (direção)
& 
Orchestra of the Royal Opera House
Kasper Holten (encenação de 2014)
Luke Halls (video designs)
Cantores:
Hrachuhi Bassenz (Elvira) 
Chen Reiss (Zerlina) 
Anatoli Sivko (Masetto) 
Willis-Sørensen (Donna Anna) 
Mariusz Kwiecień (Don Giovanni) 
Ildebrando D’Arcangelo (Leporello) 
Pavol Breslik (Don Ottavio)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2015)
Já tinha visto duas vezes esta produção de Don Giovanni assinada por Michael Haneke. Trata-se de uma produção da casa, da Opéra de Paris, criada em 2006 e reposta três vezes: 2007, 2012 e 2015. Tendo conseguido bilhete (coisa cada vez mais rara) não hesitei em rever novamente uma das melhores óperas de sempre e uma das minhas óperas preferidas. A primeira vez que vi Don Giovanni foi no Coliseu do Porto em 1999. Impressionou-me logo à primeira. Don Giovanni presta-se a uma encenação que modernize o contexto da ação: Haneke optou por um hall de um enorme arranha-céus como cenário único e os protagonistas são membros da elite financeira e empregados de limpeza. Curiosamente, o apetite sexual desenfreado de Don Giovanni, que usa o seu poder económico para somar conquistas, fez-me pensar em DSK. Musical e vocalmente foi uma excelente récita. São tantas as árias famosas desta obra que não nos cansamos de ouvir... Paris 09.2015 Opéra Bastille 5/5

O ESPETÁCULO (Coliseu do Porto)


LA BOHÈME (1896)

A OBRA (Puccini)

O ESPETÁCULO (Bastille, 2025)




O ESPETÁCULO (TCE, 2023)
Sala Théâtre des Champs-Elysées, juin 2023


O ESPETÁCULO (Bastille, 2023)



Uma nova produção do clássico La Bohème teve lugar no Covent Garden, Londres, onde deverá ser apresentada por muitos anos. A encenação é de Richard Jones, o cenário e os figurinos são de Stewart Laing, La Bohème é daquelas óperas que dificilmente podem ser modernizadas como é costume fazer-se mudando-se a época histórica da ação. A ópera faz um retrato dos boémios de Paris do século XIX, jovens que viviam para a arte nas mais difíceis condições materiais (passam fome e frio) mas tentam divertir-se na noite como podem e amar também. Os boémios quase roubam o protagonismo ao amor entre Mimi e Rodolfo, que têm as melhores e mais célebres árias da ópera de Puccini. Os cantores, todos jovens e pouco conhecidos, estiveram muito bem, sobretudo Nicole Car como Mimi. A mansarda onde vivem os boémios é que deixa um pouco a desejar: uma gaiola fria e sem nenhuma graça que limita os movimentos dos cantores. Paris 10.2017 Cinema Publicis 4/5
Os cantores: 
Michael Fabiano (Rodolfo)
Nicole Car (Mimi) 
Simona Mihai (Musetta)
Florian Sempey (Schaunard)
Luca Tittoto (Colline)
com
Antonio Pappano & ROH Orchestra

Pela primeira vez assisti a um dos fenómenos culturais mais expressivos dos últimos anos: a transmissão em direto nos cinemas de representações de ópera. Conheço pelo menos duas temporadas de teatros famosos que podem ser vistas nos cinemas de Paris: a temporada da Royal Opera House de Londres e a do MET de Nova Iorque. Infelizmente o horário das transmissões não é compativel com as minhas obrigações profissionais, por isso aproveitei o feriado nacional de hoje para ver uma dessas famosas sessões de ópera no cinema. 
Não podia ter corrido melhor. A produção da ROH retoma uma excelente encenação tradicionalista, "conservadora", do veterano John Copley, um trabalho que tem sido reposto com sucesso no Covent Garden. A ópera é La Bohéme, uma das melhores e daquelas que mais facilmente pode conquistar as pessoas para o universo lírico. Os protagonistas Mimi e Rodolfo são Anna Netrebko e Joseph Calleja, ambos justificando o estrelato. Fiquei surpreendido com a opção maioritária por grandes planos, por planos aproximados dos cantores, e não pelos planos mais recuados do conjunto. O que vimos nesta transmissão está mais próximo da estética do cinema e da televisão do que do ponto de vista do espetador na sala de ópera. A impressão, óbvia, que tive foi a de estar a ver um DVD num ecrã enorme com uma grande qualidade de imagem e som. Uma experiência a repetir tanto quanto possível. Paris cinema Publicis 06.2015 Covent Garden 4/5

WERTHER (1892)

A OBRA (Massenet, 1892)
COMPOSITOR Jules Massenet LIBRETO Eduard Blau, Paul Milliet e Georges Hartmann, baseado no romance de Goethe PERSONAGENS Werther, Charlotte, Sophie CRIAÇÃO

O ESPETÁCULO (Opéra-Comique, 2025)

O ESPETÁCULO (TCE, 2025)

Paris 7.04.2025 Théâtre des Champs-Élysées

EQUIPA ARTÍSTICA
Marc Leroy-Calatayud, direção musical
Les Siècles
Solistas crianças e Coro de crianças da Maîtrise des Hauts-de-Seine
Christof Loy, mise en scène

Benjamin Bernheim, Werther
Marina Viotti, Charlotte
Jean-Sébastien Bou, Albert
Sandra Hamaoui, Sophie
Marc Scoffoni, Le bailli
Yuri Kissin, Johann
Rodolphe Briand, Schmidt
Johanna Monty, Kätchen
Guilhem Begnier, Brühlmann  

O ESPETÁCULO (ROH/Publicis, 2016)
Já conhecia esta encenação de Benoît Jacquot para a obra de Jules Massenet, mas em DVD com Jonas Kauffman e Sophie Koch, uma produção muito bela e que se arrisca a tornar-se um clássico. Este ano Joyce DiDonato é Charlotte e Vittorio Grigòlo é Werther na reposição do Covent Garden, sob a direção musical de Antonio Pappano. Os dois cantores são excelentes. A minha preferência vai para o terceiro ato, na casa de Charlotte, quando ela lê ou recita as cartas do seu amado e a seguir este aparece para consumar a tragédia. Massenet impõe sobre este casal condenado um tecido musical marcado pela fatalidade e negrura. Maravilhoso espetáculo. Paris 06.2016 ROH/Publicis 4/5

Werther, de Massenet (Paris Bastille, 2010)
Esta produção parisiense do Werther de Massenet já é um clássico. Reuniu um conjunto de intérpretes exemplar (Jonas Kaufmann, Sophie Koch, Ludovic Tézier e Anne Catherine Gillet) encabeçado pelo maior tenor em atividade, Jonas Kaufmann. Mas toda a produção é exemplar e honra seja feita ao encenador Benoit Jacquot (também realizador reconhecido) por ter optado por um cenário despojado mas muito belo e expressivo. O menos é muitas vezes mais. TV 07.2015: 5/5

A DISCOTECA

WERTHER (1931)
CDD Digipak Les Indispensables de Diapason 2011
Elie Cohen & Chœur et Orchestre de l'Opéra de Paris
Com Georges Thill (Werther), Ninon Vallin (Charlotte), Germaine Féraldy (Sophie)
DISCOTECA

 WERTHER (1980)
Colin Davis


DVDTECA 2

DVD 2010
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Programa Opéra-Comique 1994
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