Kiss Me Kate é um dos maiores musicais de sempre, também um dos mais populares, e foi composto por Cole Porter. Ouvi vezes sem conta algumas das suas canções que se autonomizaram do espetáculo de origem e tornaram-se célebres nas vozes dos maiores cantores. So in Love talvez seja a mais famosa dessas canções. À força de tanto ouvir estas canções em grandes versões de concerto esquecemo-nos de que têm uma origem teatral e o seu sentido narrativo perde-se. Por isso foi tão bom ouvir a música de Cole Porter desta forma. Em relação ao espetáculo é difícil achar defeitos importantes nesta produção. Na noite de estreia o público adorou, aplaudindo generosamente os números de dança e de canto. Os cantores têm a difícil tarefa de interpretar canções imortalizadas por Sinatra, Ella ou Billie. Mas têm a vantagem de terem experiência de atores de teatro. Paris 02.2016 Théâtre du Châtelet 4,5/5
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Cats (Paris, 2016)
Cats (Paris, 2016)
Nunca procurei ver um musical de Andrew Lloyd Webber, o mago dos musicais da era do rock, embora seja um apaixonado pelas comédias musicais clássicas da Broadway. Tive agora a curiosidade de ver Cats, que está no Theatre Mogador numa nova versão francesa. Gostei de algumas coisas, de outras não. No geral, gostei da música menos quando esta derivava para o rap. Quem não conhece Memory, o hit planetário de Cats? Em francês transformou-se em Ma vie e manteve o encanto do original. Memory é retomado várias vezes e lá para o final é cantado com todos os agudos que a cantora podia dar. Também gostei das cenas de conjunto, quando todos os gatos cantam em uníssono. Mas não compreendi a história e muitas das letras. Não foi um problema meu, pois os franceses também tiveram dificuldade em acompanhar o que era cantado. Na ópera pelo menos há sempre legendas, mesmo quando a ópera é em francês no original. Não mudei verdadeiramente a minha opinião sobre Lloyd Webber: gosto moderadamente das suas canções mas os seus musicais não são uma prioridade nas minhas opções culturais. Paris 01.2016 3/5
Viva Broadway El Musical (2016)
Viva Broadway é o tipo de musical que já vi no Rio com melhores resultados. O objetivo é contar a história de um género musical, o samba por exemplo, ou o musical da Broadway, como nesta produção espanhola. Começa em 1850 com o achado de Thomas Baker, ator de Shakespeare que tem a ideia de juntar teatro (diálogos falados), canções e dança num mesmo espetáculo. Uma visão que teve um futuro (o nosso presente) radiante. Sucedem-se no palco os grandes momentos de A Chorus Line, Cabaret, Chicago, Mamma Mia, Hairspray, Evita, Cats, The Phantom of The Ópera, Fame, entre outros. Gostei de ter ouvido tudo isto em espanhol, é uma mais-valia em relação a tantas canções por todos conhecidas. Madrid 05.2016 Teatro Amaya 3/5
Sunset Boulevard (Londres, 2016)
Sunset Boulevard (Londres, 2016)
Hoje pude ver GLENN CLOSE no musical Sunset Boulevard, no London Coliseum. Poucas vezes vi uma plateia receber tão calorosamente uma estrela! Palmas e mais palmas e muitos gritos de alegria. Não conhecia esta faceta de Close. Para mim ela continua a ser a grande atriz dramática de papéis maléficos (Ligações Perigosas, Atração Fatal, 101 Dálmatas). Mas ela canta muito bem também. O musical de Andrew Lloyd Webber, que adapta o filme genial de Billy Wilder, é bom, sem ser inesquecivel. Mas gostei mais desta produção do que a de Cats que vi recentemente. No fundo fui ver pela Close e pelo filme. Londres 04.2016 3/5
Cabaret (Madrid, 2016)
Musical de John Kander e Fred Ebb
Já tive a oportunidade de ver o célebre musical Cabaret mas... não aconteceu. Agora, passando por Madrid, não hesitei: foi este o espetáculo que pus acima de qualquer outro em exibição na cidade. O teatro em que é representado, o Rialto na Gran Via, é muito bonito. O Cabaret de Madrid é uma grande produção, adaptada ao espanhol para garantir a adesão popular. Segue de perto a peça de teatro (1952) que adaptava para o palco o conto de Isherwood (1937), onde encontramos Sally Bowles e outros personagens que depois serão imortalizados pelo musical de Ebb & Kander (1966) e mais ainda pelo filme de Bob Fosse (1972). Que destino grandioso para um simples conto! Pode-se até não gostar deste musical (no teatro e no cinema) mas não se pode negar que ele mudou a história dos musicais e impôs uma imagética reconhecida por todos. Além disso, fez entrar para o universo feérico e feel-good dos musicais a tragédia nazi. Aliás, a produção madrilena termina com corpos nus, enlaçados, numa câmara de gás. Assim, passa-se de cenas dramáticas para as cenas cômicas, passadas no cabaré, tal como no filme. A força deste (um dos meus filmes preferidos) impede-me de aderir completamente ao que se passa no palco mas o génio das canções de Ebb & Kander fazem sempre efeito. Curiosamente, o momento que suscitou maiores risadas foi quando o mestre de cerimónias, antes de começar a segunda parte, brincou com o público, provocou-o e trouxe-o para o palco. Foi brilhante e percebi então por que a stand-up comedy é tão popular (mas não me interessa). Madrid, maio de 2016, Teatro Rioalto 4/5
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