Lady Day: The Many Faces Of Billie Holiday (1991)

Ensaio de Robert O'Meally

Lady Day: The Many Faces Of Billie Holiday é uma biografia exemplar. Robert O'Meally tenta definir a arte única de Billie Holiday, sem se perder nos pormenores biográficos que tanto têm sido utilizados para justificar o génio da cantora. Billie Holiday inspirou-se em Bessie Smith e em Louis Armstrong, mas também no talento dos músicos com que trabalhou de perto, para esculpir a sua forma de cantar, de apropriar-se das canções de Tin Pan Alley e dos musicais. Poucos se atrevem a pegar em nas muitas canções que Billie imortalizou, conhecidas aliás apenas pela sua interpretação. A arte de Billie Holiday formou-se nos pequenos bares, muitos de duvidosa reputação, onde cantava no seio de pequenas bandas onde ela se comportava como um dos músicos. Teve parceiros privilegiados como os músicos Ted Wilson e Lester Young, ou os líderes Benny Goodman, Count Basie ou Artie Shaw. Tornou-se uma torch singer na fase final da carreira, e para muitos, incluindo os colegas de profissão, foi a maior cantora de jazz de sempre. A sua vida privada foi devastadora, tendo desde cedo (o fim da infância) optado por viver nos meios mais violentos e misóginos da sociedade. Mesmo no auge da fama e da estabilidade financeira, nunca se afastou da sua dependência das drogas e dos homens que a exploravam. Grande livro, pois não se perde nos lugares-comuns da biografia de Billie preferindo a compreensão da sua arte. Póvoa de Varzim 2020: 5/5