Mostrar mensagens com a etiqueta Sala Opéra de Paris Garnier. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sala Opéra de Paris Garnier. Mostrar todas as mensagens

Natalie Dessay (Palais Garnier, 2015)

No domingo o Palais Garnier encheu-se para ver e ouvir a maior soprano francesa, Natalie Dessay, acompanhada ao piano pelo fiel Philippe Cassard. Foi uma noite de lied e mélodie como eu gosto de assistir mas que poucas vezes tenho a oportunidade de fazer. Natalie Dessay cantou lied na primeira parte, de Schubert e Mendelssohn, quase sempre com poemas de Goethe. Na segunda parte a soprano privilegiou a arte francesa da mélodie e dominaram os poemas de Victor Hugo. Foi a minha sequência preferida. Também cantou em russo, no encore, canções de Rachmaninof e a famosa Chanson espagnole «Les filles de Cadix», de Delibes. Natalie falou pouco durante o recital mas o seu poder comunicativo é notável: logo ela teve o público na mão. Paris 10.2015 Palais Garnier 5/5

Joyce DiDonato (P. Garnier, 2016)

 Kkkk

Joyce DiDonato é uma cantora americana admirável. O seu recital, com o piano de Philippe Jordan, calhou no aniversário dos atentados de Paris e por esse motivo, a sala do Palais Garnier levantou-se e fez um minuto de silêncio. Depois veio a prestação da mezzo. Joseph Haydn, Richard Strauss, Enrique Granados, Jake Heggie e ainda Richard Strauss no encore, foi o que ouvimos de forma perfeita por Joyce. O ciclo Camille Claudel Into the Fire, de Jake Heggie, foi criado para a própria Joyce em 2012. O recital percorreu boa parte da história da canção erudita, desde final do século XVIII até aos nossos dias. Brilhante. Paris 11.2016 Palais Garnier 4/5

IL PRIMO OMICIDIO (1707)

Il Primo Omicidio
(Alessandro Scarlatti, 1707)
Il Primo Omicidio é um oratório sobre o assassinato de Abel pelo seu irmão Caim. Uma obra religiosa que modernamente é encenada como um drama humano, como uma ópera. Nesta caso o resultado foi muito bom. Paris 02.2019 Palais Garnier 3,5/5
Cain Overo il Primo Omicidio Overo Cain, Palais Garnier 2019, Mise en scène de Romeo Castellucci, Direction musicale de René Jacobs, com Birgitte Christensen, Robert Gleadow, Kristina Hammarstrom, Benno Schachtner, Olivia Vermeulen, Thomas Walker

Only the Sound Remains (Kaija Saariaho, 2016)

Este mês deu-se a criação francesa de Only the Sound Remains, a última ópera de Kaija Saariaho, na Opéra de Paris (Palais Garnier). A ópera foi originalmente criada em Amsterdão em 2016, com o mesmo encenador (Peter Sellars) e os mesmos intérpretes (Philippe Jaroussky e Davóne Tines). A ópera compõe-se de duas partes, Always Strong e Feather Mantle (o libreto é em inglês), e inspira-se em duas peças do teatro Nô japonês (Tsunemasa e Hagoromo) e o libreto tem textos de Ezra Pound e Ernest Fenollosa. Tratou-se de um belo espetáculo, despojado, aliás como a própria música de Saariaho, que utiliza a amplificação electrónica para sublinhar o carácter etéreo da composição instrumental assim como vocal. Não é uma ópera a revisitar, e esse é o seu principal limite. Interessou-me enquanto durou o espetáculo, mas afastada da tradução visual e performativa, qual será o valor desta música? Paris 01.2018 Palais Garnier 3/5
Peter Sellars, encenação
Ernest Martínez Izquierdo, direção musical
com 
Philippe Jaroussky (Spirit, Angel) 
Davóne Tines (padre, pescador)
Opera Garnier 2018

LA VOIX HUMAINE (1955)

A OBRA (Poulenc)

TÍTULO La Voix Humaine (tragédia lírica em um acto) LIBRETO Jean Cocteau  COMPOSITOR Francis Poulenc CRIAÇÃO Paris: Salle Favart 1959, por Denise Duval

O ESPETÁCULO (TCE, 2026)



Patricia Petibon (Elle), Orchestre National de France, dir. Ariane Matiakh VISTO Paris 15.03.2026 Théâtre des Champs-Élysées 

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2018)

John Relyea (Le Duc Barbe-Bleue) & Ekaterina Gubanova (Judith)
Este espetáculo que une La Voix humaine (Poulenc, 1955) a Bluebeard's Castle (Bartók, 1918), sem descontinuidade, é uma das joias da Opéra de Paris, onde foi criado em 2015. O grande mago responsável por tão ousada e satisfatória encenação é Krzysztof Warlikowski, que compreendeu bem as linhas que cosem as duas obras. O sofrimento e a solidão feminina resultantes da dependência de uma mulher face a um homem são temas que percorrem as duas breves óperas. Destacaria por isso as duas fantásticas cantoras que encarnaram Judith (Ekaterina Gubanova) e Ela (Barbara Hannigan). Muito bom. Paris 04.2018 Palais Garnier 4/5
Barbara Hannigan

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2015)
A nova produção da Ópera de Paris tem claramente a marca do encenador escolhido, Krzysztof Warlikowski. Duas óperas maiores do século XX irmanadas num espetáculo sem intervalo. Le château de Barbe-Bleue (Bartok) e La voix humaine (Poulenc) têm ambas uma mulher como protagonista, que sofre terrivelmente por amor. Uma mulher cujo amor vai sendo abalado à medida que o marido vai revelando o terrível segredo por trás de cada porta do seu castelo (Bartok) e outra que não sobrevive ao abandono definitivo do seu amante (Poulenc). O amor e a morte de mãos dadas nas duas óperas. Quando as opções de encenação são claras e inteligíveis como neste caso a interpretação tem as condições ideais para brilhar, como aconteceu com as duas cantoras. Prefiro o partitura de Bartok pelo tecido instrumental contínuo e fluído que faz lembrar as obras de Wagner e o elemento vocal em Poulenc, pela potencialidade dramática que encerra e que atrai como um íman todas as cantoras-atrizes. São obras que não ouço em disco (sobretudo a de Poulenc vive mal sem o palco) mas que encenadas tornam-se poderosas. Paris 12.2015 Palais Garnier 4/5


O ESPETÁCULO (PV Garrett, 2015)
La voix humaine (1955) é uma das obras líricas mais belas do século XX. Composta por Francis Poulenc a partir de um libreto de Cocteau, tem atraído as maiores atrizes e cantoras, seduzidas por este monólogo feminino que oscila entre o canto e a fala para exprimir o abandono de uma mulher pelo seu amante. Raquel Camarinha foi a protagonista desta produção com acompanhamento de piano. Com um francês perfeito, teve uma abordagem cool do papel, sem a dramaticidade extrema que o texto permite. Gostei muito. Póvoa de Varzim 07.2015  4/5

O Castelo de Barba Azul (1918)

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2018)
John Relyea (Le Duc Barbe-Bleue) & Ekaterina Gubanova (Judith)
Este espetáculo que une La Voix humaine (Poulenc, 1955) a Bluebeard's Castle (Bartók, 1918), sem descontinuidade, é uma das joias da Opéra de Paris, onde foi criado em 2015. O grande mago responsável por tão ousada e satisfatória encenação é Krzysztof Warlikowski, que compreendeu bem as linhas que cosem as duas obras. O sofrimento e a solidão feminina resultantes da dependência de uma mulher face a um homem são temas que percorrem as duas breves óperas. Destacaria por isso as duas fantásticas cantoras que encarnaram Judith (Ekaterina Gubanova) e Ela (Barbara Hannigan). Muito bom. Paris 04.2018 Palais Garnier 4/5
Barbara Hannigan

O ESPETÁCULO (P. Ganier, 2015)
A nova produção da Ópera de Paris tem claramente a marca do encenador escolhido, Krzysztof Warlikowski. Duas óperas maiores do século XX irmanadas num espetáculo sem intervalo. Le château de Barbe-Bleue (Bartok) e La voix humaine (Poulenc) têm ambas uma mulher como protagonista, que sofre terrivelmente por amor. Uma mulher cujo amor vai sendo abalado à medida que o marido vai revelando o terrível segredo por trás de cada porta do seu castelo (Bartok) e outra que não sobrevive ao abandono definitivo do seu amante (Poulenc). O amor e a morte de mãos dadas nas duas óperas. Quando as opções de encenação são claras e inteligíveis como neste caso a interpretação tem as condições ideais para brilhar, como aconteceu com as duas cantoras. Prefiro o partitura de Bartok pelo tecido instrumental contínuo e fluído que faz lembrar as obras de Wagner e o elemento vocal em Poulenc, pela potencialidade dramática que encerra e que atrai como um íman todas as cantoras-atrizes. São obras que não ouço em disco (sobretudo a de Poulenc vive mal sem o palco) mas que encenadas tornam-se poderosas. Paris 12.2015 Palais Garnier 4/5

A QUIET PLACE (1986)

Criação francesa desta ópera de Leonard Bernstein, que retoma as personagens da ópera Trouble in Tahiti. Uma mulher morre num acidente de automóvel, seguindo-se o seu enterro, onde se passa a maior parte da ópera. Não é uma comédia, mas o humor não falta da parte dos personagens secundários. Os personagens principais são dominados pela dor da perda da falecida. Paris 03.2022 Palais Garnier 3/5
Artistas: Leonard Bernstein, Krzysztof Warlikowski, Kent Nagano

Recitais Líricos 2016

Recital de René Pape com Camillo Radicke (piano). 
Modeste Moussorgski: Songs and Dances of Death, 
Roger Quilter: Three Shakespeare Songs, Op 6 
Ludwig van Beethoven: Gellert-Lieder, Op 48
Antonín Dvořák: Biblical songs, Op 99
Paris 02.2016: 4/5


Renée Fleming & Philippe Jordan na Opéra de Paris
Renée Fleming voltou mais uma vez ao Palais Garnier, uma casa que a conhece bem (e onde a vi pelo menos em Cappriccio de Richard Strauss, inesquecível). Veio apresentar um recital de canções em três línguas: alemão, francês e russo, por esta ordem. Schumann, Richard Strauss, Dutilleux e Rachmaninoff. As canções do francês foram compostas para a própria Fleming, mas foram as que menos gostei, afinal trata-se de um autor contemporâneo e eu prefiro os mais clássicos. O bis deu-nos Mozart, Puccini e Gershwin. Muito bom. Paris 03.2016 Palais Garnier 4/5

Karita Mattila foi aplaudida de forma entusiástica ao longo e no final do recital que deu ontem no Théâtre du Châtelet. Logo após o primeiro ciclo de canções, os Cantos Ciganos de Brahms, percebeu-se que a noite ia ser excecional. O programa foi dedicado exclusivamente ao lieder alemão: Brahms, Wagner, Berg e Richard Strauss. A voz de Karita é enorme: grave e potente, quente e dramática. Imagino assim as vozes do norte da Europa (Karita é finlandesa). A soprano parecia uma cantora do tempo do cinema mudo: gestualidade sublinhada, emoções exteriorizadas. Isto aconteceu sobretudo nas canções ciganas de Brahms. Nos Wesendonck-Lieder, de Wagner, ela foi subtil sem deixar de ser intensa. Um recital magnífico. Paris 12.2016 T. Châtelet 5/5

Magdalena Kožená no Théâtre des Champs-Elysées
Que maravilhoso espetáculo! Magdalena Kožená e Emmanuelle Haïm (à frente do Concert d'Astrée) interpretam o barroco francês e italiano. Obrigado pelo convite, B. Paris 12.2016 Théâtre des Champs-Elysées 5/5

Eliogabalo, de Cavalli (P. Garnier, 2016)

A OBRA Eliogabalo (Cavalli, 1667)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2016)
Raramente assisto a óperas do século XVII, por isso a oportunidade de ouvir Cavalli foi altamente gratificante. Foi um excelente espetáculo, esta rara produção de Eliogabalo, escrita em 1667 mas que viria a ser criada apenas em 1999, em Crema. O canto tem a simplicidade e o lirismo vindos de Monteverdi, criador da ópera como género. Paris 09.2016 Palais Garnier 4/5

Recitais Líricos 2015


Julia Migenes (Châtelet, 2015)

Fui ver uma ópera e saiu-me um recital de Weil.
Eu e B. conseguimos facilmente um bom lugar vinte minutos antes do começo da ópera Le Petit Prince. Com os bilhetes na mão, no café, vimos que neles estava escrito Julia Migenes. E foi o que tivemos como prato musical, uma Julia Migenes em ótima forma a percorrer o cancioneiro de Kurt Weill espalhado pelos musicais e pelas bandas de filmes de Hollywood. Infelizmente foi privilegiado o cancioneiro em alemão, com o seu canto teatral mais falado do que cantado, e tivemos direito apenas a dois grandes clássicos americanos: Speak Low e September Song. Gostaria que o recital tivesse sido sobre este cancioneiro americano, mais ao meu gosto. Paris 02.2015 Châtelet 3,5/5

Ontem o concerto do FIMPV foi dedicado à produção musical contemporânea para barítono e piano. André Baleiro e João Paulo Santos foram os intérpretes. O ciclo de canções Songs and Proverbs of William Blake op. 74 (1965) de Benjamin Britten foi a pièce de résistance deste concerto. Tivemos sobretudo a oportunidade de conhecer novos (e muito jovens) compositores e obras, que aliás participavam na final do 8º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim, a decorrer neste concerto. Apesar de ser um apaixonado pelo lied e pela mélodie, não fui tocado por estas novas propostas. Em relação a Britten conheço melhores composições para voz e piano (ou orquestra) compostas por ele. PV 07.2015 

JEPHTHA (1751)

Jephtha é um oratório bíblico de Handel que foi há pouco tempo encenado (por Claus Guth) no Palais Garnier. Conta a história do rei Jephtha que tem de sacrificar a sua filha Iphis. Mas o que importa aqui é a prestação dos cantores que têm a oportunidade de brilhar quando interpretam Handel. O trio de protagonistas é excelente, com destaque para Ian Bostridge, que conheço bem dos discos de lieder mas nunca tinha visto em palco, parece-me. Excelente. Paris 02.2018 Palais Garnier 4,5/5
Claus Guth (mise en scène) 
William Christie (maestro) 
Orchestre et Choeur des Arts Florissants
com
Ian Bostridge (Jephtha)
Marie-Nicole Lemieux (Storgé)
Katherine Watson (Iphis)
Tim Mead (Hamor)
Philippe Sly (Zebul)
Valer Sabadus (Angel) 

LA CENERENTOLA (1817)

A OBRA (Rossini, 1817)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2018)

A encenação deste espetáculo não é memorável, bem pelo contrário, mas o seu grande trunfo é permitir ver e ouvir Marianne Crebassa no papel de Angelina, a gata borralheira. Cada vez mais Crebassa se afirma como uma grandes cantoras da nova geração. Paris Palais Garnier 3/5
La Cenerentola, TCE 12/2018, Evelino Pidò (direção), Guillaume Gallienne (encnação), com Marianne Crebassa (Angelina ou Cenerentola), Alessandro Corbelli (Don Magnifico), Lawrence Brownlee (Don Ramiro), Florian Sempey (Dandini), Adam Plachetka (Alidoro), Chiara Skerath (Clorinda), Isabelle Druet (Tisbe)

O ESPETÁCULO (TCE, 2018)

O lugar de La Cenerentola, de Rossini, a sua segunda ópera mais apresentada nos palcos mundiais, é mesmo o palco. É uma ópera que precisa de ser vista, mesmo numa versão de concerto como a que  vi esta semana no Théâtre des Champs-Elysées. Os cantores--atores deram-se de tal modo ao jogo do teatro que esquecemos que falta um metteur en scène. Para quê? Até o maestro e os músicos contribuíram para o divertimento que ocorria no palco e mexia com o público. No final, toda a equipa foi ovacionada. Já tinha visto Karine Deshayes no papel da Cenerentola, e agora  ela confirma mais uma vez que é uma das grandes Angelinas de hoje. Foi uma grande noite de teatro musical. Paris 06.2018 4,5/5
Produção doThéâtre des Champs-Elysées, 
Enrique Mazzola (direção) 
Orchestre National d’Ile-de-France
Ensemble Aedes 
(direção de Mathieu Romano)
Elenco: Karine Deshayes (Angelina ou la Cenerentola), Peter Kálmán (Don Magnifico), Cyrille Dubois (Don Ramiro), Vito Priante (Dandini), Luigi de Donato (Alidoro), Hasmik Torosyan (Clorinda), Alix Le Saux (Tisbe)

O ESPETÁCULO (2016)
Ontem fui à Ópera de Roma ver La Cenerentola... sem sair de Paris! Por isso é que eu gosto tanto das transmissões de óperas e balés em direto para as salas de cinema. Enquanto não começava a ópera propriamente dita, podemos ver o tout-Rome a chegar e a instalar-se no teatro (os camarotes parecem bem austeros e despidos, comparados com os do Palais Garnier). Quanto ao espetáculo, só posso dizer mal da cenografia, encenação e direção de atores. La Cenerentola é uma peça cômica do princípio ao fim mas os responsáveis da encenação, etc., acharam por bem sublinhar a traço grosso,  com imensas caretas e trejeitos, essa comicidade. O palco encheu-se de bonecos-robô saídos do filme de Woody Allen (Sleeper, 1973). Suponho que representavam os servos da altura (como a própria Cinderela, uma falsa serva, como a escrava Isaura). Visto num ecrã de cinema, com planos aproximados, tudo era um tanto grotesco. Adiante. Mas a música de Rossini supera tudo, mesmo quando os cantores são apenas competentes. É pelo menos a terceira vez que vejo La Cenerentola, mas não me canso de ouvir a abertura (uma das melhores de sempre) e as melhores cenas sobretudo as cenas de conjunto. Paris 01.2016: 4/5

Sophie Koch (Palais Garnier, 2017)

Quando há Henri Duparc num recital todos os outros compositores empalidecem um pouco... se não estiverem representados pelas suas melhores canções. Desta vez a surpresa foi Stravinsky, num breve ciclo de canções pouco divulgadas. Sophie Koch esteve muito bem. Paris 10.2017 4/5
Programa:
Igor Stravinsky
Le faune et la bergère 

Franz Liszt 
S'il est un charmant gazon 
Enfant si j'étais roi 
Il m'aimait tant 

Henri Duparc 
L’invitation au voyage 
Le Manoir de Rosemonde 
La Vie antérieure 

Franz Schubert 
Der Musensohn 
Die junge Nonne 
Sei mir gegrüsst 
Gretchen am Spinnrade 

Johannes Brahms 
Liebestreu 
Das Mädchen spricht 
Botshaft 
Wie Melodien zieht es Miren 

Richard Strauss 
Allerseelen Nichts 
Schlechtes Wetter 
Ich liebe dich 

Intérpretes
Sophie Koch, Mezzo-Soprano 
François-Frédéric Guy, piano

CAPRICCIO (1942)


Capriccio é uma ópera de Richard Strauss que já começo a conhecer bem. Penso que é a terceira vez que assisto a esta mesma encenação de Robert Carsen, feita originalmente para a Ópera de Paris e que volta e meia ela repõe.  É um clássico da grande boutique, como chamam ao Palais Garnier. Não é uma ópera fácil. Tem apenas um ato que dura quase duas horas e meia e não tem ação propriamente dita. Tudo se passa na casa de uma aristocrata viúva, na França de 1775. Dois jovens estão enamorados dela e pretendem dedicar-lhe uma ópera. Um é compositor e o outro é poeta. Um defende "primo la musica, dopo le parole" e o outro "primo le parole dopo la musica" e esta dicotomia vai ocupar toda a conversação entre o grupo de artistas (entre os quais um produtor, uma estrela do teatro e um tenor e um soprano especialistas do Bel canto italiano). É uma ópera sobre a ópera e sobre a arte em geral, temas que estão no centro das preocupações das personagens privilegiadas, indiferentes ao mundo que as rodeia. O que não deixa de ser curioso, pois "lá fora" a sociedade caminhava para a revolução (francesa) que destruiria a vida dos privilegiados do Antigo Regime. Mais curioso ainda é pensar que tamanha frivolidade do argumento foi composta (1941) e criada (1942) em plena guerra na Europa. O libreto de Capriccio é da autoria de Strauss e de Clemens Krauss. Paris 02.2016 Palais Garnier 4/5

IL VIAGGIO, DANTE (2022)

A OBRA (Dusapin, 2022)

COMPOSITOR Pascal Dusapin LIBRETO Frédéric Boyer, baseado nas obras Vita Nova e Divina Comedia, de Dante LÍNGUA Italiano CRIAÇÃO Festival d'Aix-en-Provence 8.07.2022 Grand Théâtre de Provence DIREÇÃO MUSICAL Kent Nagano & Coro e Orquestra da Opéra de Lyon ENCENAÇÃO Claus Guth

O ESPETÁCULO (Garnier, 2025)

Paris 3.04.2025 Palais Garnier

DIREÇÃO MUSICAL Kent Nagano & Coro e Orquestra da Opéra de Paris ENCENAÇÃO Claus Guth NOTA 2/5

Mais uma vez, a ópera contemporânea me reservou uma experiência desagradável. O espetáculo é de um nível plástico excelente, aliás incensado pela crítica. Mas esta música... não tenho o mínimo interesse em voltar a ouvi-la, e essa sensação é a pior que posso sentir tratando-se da arte musical.

LA CLEMENZA DI TITO (1791)

Por uma vez não impliquei com uma encenação de ópera. Willy Decker utiliza um grande volume de mármore que ocupa o centro do palco, mudando apenas de posição entre as cenas, talvez para representar a solidez, a fidelidade, assim como a flexibilidade de Titus, que perdoa quem lhe armara um complot num acesso de ciúme (Vittelia e Sesto). Maravilhoso. Paris 11.2017 Palais Garnier 4/5
Protagonistas:
Willy Decker (mise en scène)
Dan Ettinger (dirige a ONP) 
Michael Spyres (Tito)
Aleksandra Kurzak (Vitellia), 
Marianne Crebassa  (Sesto)
Valentina Nafornita (Servilia), 
Angela Brower (Annio)
Marko Mimica (Publio) 
Palais Garnier 
25/11/2017

 O ESPETÁCULO (TCE, 2017)

Ah, o início do segundo ato de La Clemenza de Tito, de Mozart! Que doçura, que graça espiritual que me lembrou as Paixões de Bach. Poucas vezes vi uma sala de ópera tão inflamada como esta noite. La Clemenza foi apresentada em versão de concerto, com toda a gente no palco, à vista de todos: orquestra, maestro, coro e solistas. Eu não conhecia esta opera seria de Mozart, que tem um libreto de que nada percebi (nem me interessou perceber) porque a força e a beleza da música de Mozart exprimem por si só todas as nuances da sensibilidade humana.
Eis os protagonistas da noite (as três solistas femininas foram particularmente ovacionadas, assim como Currentzis):
Teodor Currentzis & MusicAeterna
Maximilian Schmitt (Tito)
Karina Gauvin (Vitellia)
Stéphanie D’Oustrac (Sesto) 
Anna Lucia Richter (Servilia)
Jeanine De Bique (Annio)
Willard White (Publio)
Théâtre des Champs-Elysées
15 de setembro de 2017

BIBLIOTECA (2)

LA CLEMENZA DI TITO (1999)
Programa de espetáculo 
ONP 1999
BIBLIOTECA P

LA CLEMENZA DI TITO (2013)
Programa de espetáculo 
ONP, novembro de 2013
BIBLIOTECA F

IOLANTA

 O ESPETÁCULO (2016)

Soirée Tchaikovsky/Tcherniakov na Opéra de Paris

A Ópera de Paris teve a excelente ideia de apresentar numa única sessão a última ópera e o último ballet de Tchaikovsky, respetivamente Iolanta e O Quebra-Nozes. Essa opção é historicamente fundamentada pois as duas obras foram criadas na mesma noite em São Peterburgo. Que obras maravilhosas! É o milagre da Arte. Numa noite uma obra lírica e outra coreográfica foram lançadas para encantar não só o público contemporâneo mas também as gerações futuras. E em 2016 continuamos apaixonados por criações tão antigas. O libreto de Iolanta foi escrito pelo irmão do compositor, Modest, que se baseou numa peça dinamarquesa sobre uma princesa cega que desconhecia ser cega e ser princesa. O drama surge quando Iolanta terá de reconhecer a sua cegueira para que a cirurgia tenha efeito. Será o amor por um desconhecido que provocará o desenlace feliz. Parece pois uma variante da Bela Adormecida. O primeiro quadro, inteiramente feminino, é de um lirismo comovente. Os quadros seguintes mantêm por momentos esse lirismo mas apresentam cenas dramáticas. Seja como for, o encenador optou por um único cenário e por uma representação naturalista que resultou muito. 

Com o Quebra-Nozes as coisas foram muito diferentes. Para muitos foi um choque desagradável encontrar ao som da partitura de Tchaikovsky uma coreografia moderna (de Arthur Pita, Édouard Lock e Sidi Larbi Cherkaoui) com vídeo e tudo. Por vezes sublime outras irritante, a produção desconcertou o público. O argumento original foi alterado mas foi a dança que mudou completamente. Os dançarinos pareciam ter sido atacados por sarna, tão rápidos eram os movimentos repetitivos dos membros em torno do corpo. O problema é que imaginamos por trás destes movimentos a coreografia clássica e virtuosa que pertence à tradição e à memória feliz do fã de ballet. Pessoalmente o que posso acrescentar é que não gostaria de voltar a ver este Quebra-Nozes mas à primeira oportunidade verei o velho e conhecido Quebra-Nozes de Tchaikovsky e  Petipa. Paris 03.2016 NOTA 4/5

COSÌ FAN TUTTE (1790)

O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2024)

Artigo sobre Così fan Tutte

Così fan tutte à l’Opéra Garnier : Anne Teresa De Keersmaeker revisite Mozart 

La chorégraphe belge mêle danse et chant dans une œuvre à la fois légère et profonde. "Così fan tutte", l'ultime oeuvre de Wolfgang Amadeus Mozart, enthousiasme le public.  Article de Mohamed Berkani 06.2024

A l’heure de MeToo et des luttes féministes, le dernier opéra de Mozart peut sembler pour le moins anachronique. Hors contexte historique, Così fan tutte (Ainsi font-elles toutes) a des difficultés à habiter le présent. Les normes sociales ont évolué, le statut des femmes aussi. Le livret de Lorenzo da Ponte, écrit en 1789, peut paraître un peu poussiéreux.  Mais, pour reprendre le titre, que font donc toutes les femmes ? Trahir, être infidèles. Ces mêmes femmes sont comparées, lors de la seizième scène, à des gallinacés. "Et (les aimables épousées) qu’à la manière des poules, elles soient prolifiques d’enfants, qui les égalent en beauté", entonne joyeusement le chœur.  

Pour Anne Teresa De Keersmaeker, l'oeuvre est loin d'être sexiste. "Certaines féministes vilipendent cet opéra pour son supposé sexisme avec la même hargne que les moralisateurs du XIXe siècle. (...) Les deux interprétations -misogynie et excès de frivolité- témoignent à mon sens d'une lecture supercielle. Surtout d'une écoute superficielle. Prima la musica, dopo le parole. La musique d'abord, les paroles ensuite", écrit, dans le livret, la metteuse en scène et chorégraphe.   Comment adapter cet opéra, donné pour la première fois à Vienne en 1790 ? C’est sur un plateau vide, un décor nu peint en blanc, qui évoque la froideur d’une clinique qu’Anne Teresa De Keersmaeker installe la trame. Les artistes évoluent dans cet espace intemporel. Dans la mise en scène de la chorégraphe belge, chaque personnage est doublé d’un danseur. Ainsi la danse prolonge le chant, l’espace vide est habité par la voix et le mouvement. Le corps devient langage. L’ultime opéra de Mozart, un marivaudage léger, prend une autre dimension.   Que raconte Così fan tutte ? Pour leur troisième collaboration après Les Noces de Figaro et Don Giovanni, le librettiste Lorenzo Da Ponte et Wolfgang Amadeus Mozart se sont attelés à une œuvre plus légère qui questionne le désir et la trahison. La trahison côté féminin, car l’infidélité masculine n’est perçue que comme séduction.  Ainsi, Don Alfonso, personnage cynique et blasé, veut convaincre deux jeunes officiers très amoureux que leurs fiancées sont, selon lui, comme toutes les autres femmes, soit infidèles. Pour les convaincre, il leur demande de se déguiser en riches Albanais pour séduire les deux sœurs. Le temps de changer de chemise, les voilà méconnaissables. Et, plus tard, ils redeviennent eux-mêmes en changeant, cette fois, de veste.   Enthousiasme Ce mardi 18 juin, le public de l’Opéra Garnier tombe sous le charme de la performance des artistes. Les applaudissements sont francs et nourris tout au long du spectacle. Point d’orgue : le final du premier acte qui soulève littéralement un grand enthousiasme.  L’orchestre enfiévré dirigé par Pablo Heras-Casado et la prestation de tous les chanteurs reçoivent une longue ovation. La soprano sud-coréenne Hera Hyesang Park, formidable en Despina espiègle et profonde, réussit à mettre le public de son côté à chaque apparition.   Scène de "Così fan tutte" à l'Opéra Garnier avec les six interprètes lyriques et leurs doubles danseurs. 

Sur scène, six interprètes, et donc douze avec leurs doubles en danseurs, mais aussi la musique qui a quitté la fosse pour occuper tout l’espace. Sa présence est palpable à chaque instant. 

Direction musicale : Pablo Heras-Casado  Mise en scène et chorégraphie : Anne Teresa De Keersmaeker  Distribution : Vannina Santoni, Angela Brower, Hera Hyesang Park, Josh Lovell, Gordon Bintner, Paulo Szot, et les danseurs de la compagnie Rosas : Cynthia Loemij, Samantha van Wissen, Marie Goudot, Julien Monty, Michaël Pomero, Boštjan Antončič et Carlos Garbin.


O ESPETÁCULO (Palais Garnier, 2017)

Gostei sem dúvida mais da Clemenza de Tito, do mesmo Mozart, que tinha visto na noite anterior, apesar de ser em versão de concerto, e deste Cosi fan tutte ser encenada (e coreografada por Anne Teresa De Keersmaeker). Talvez porque os cantores de Clemenza eram melhores e essa ópera se assemelhasse por vezes a um oratório e incluísse páginas escrita paras coro particularmente sublimes. Aliás, no Palais Garnier, Cosi não teve direito a bravos, que todavia choveram sobre a equipa de La Clemenza, no final, e sobre cada uma das intérpretes femininas na atuação individual. Anne Teresa De Keersmaeker propõe um duplo para cada um dos cantores de Cosi, duplo que é um dançarino da sua companhia Rosas. E um cenário despido, branco clínico, por onde cantores e bailarinos evoluem: é original mas cerebral, talvez demasiado para esta opera buffa de Mozart. Philippe Jordan dirigiu a Orchestre de l’Opéra national de Paris. Paris 09.2017 Palais Garnier 3/5


BILLY BUDD

A OBRA (Britten)

O ESPETÁCULO (Covent Garden, 2019) 

 
Billy Bud é o opus 50 de Benjamin Britten, uma ópera em quatro actos, estreada em 1951, com libreto de E. M. Forster e Eric Crozier. A ópera adapta a obra homónima de Herman Melville. Em 1960 Britten fez uma nova versão em dois actos da sua ópera e foi esta versão que vi há dias no Covent Garden, numa encenação de Deborah Warner com direção musical de Ivor Bolton. A história de Billy Budd decorre num barco, no final do século 18, numa época em que as ideias de liberdade vindas de França eram perigosas e podiam originar motins nos barcos ingleses. Billy Budd, um jovem marinheiro bem aceite pelos seus pares, é acusado de comportamento subversivo pelo seu chefe, mas é igualmente defendido pelo oficial, que acredita nele. Os laços entre estas três personagens e as suas motivações têm claramente uma dimensão homoafetiva, exponenciada pelo ambiente exclusivamente masculino do barco (não há nenhuma personagem feminina, um caso raro na história da ópera). Trata-se de uma das óperas mais interessantes do século 20. Esta é a terceira produção de Billy Budd que tive oportunidade de ver. Primeiro foi na Opéra de Paris (2010), com encenação de Francesca Zambello, depois foi no London Coliseum (2012), com encenação de David Allen. Cada uma das produções que vi revelou as muitas qualidades, dramáticas e musicais, da obra de Britten. Principais personagens e intérpretes da produção deste ano: Billy Budd (Jacques Imbrailo), Captain Vere (Toby Spence), John Claggart (Brindley Sherratt). Londres 05/2019 Covent Garden 5/5

LE NOZZE DI FIGARO (1786)

A OBRA (Mozart, 1786)

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)
Paris 15.12.2025 Palais Garnier 

O ESPETÁCULO (Garnier, 2022)

Opéra de Paris, Palais Garnier, 30 de novembro de 2022

CRÍTICA DE FORUM OPÉRA:

Au théâtre ce soir ? Stendhal aura su exprimer avec une indépassable évidence ce que chacun peut ressentir au fond de soi lorsqu’il écoute Mozart, et particulièrement les Noces de Figaro : « un mélange sublime d’esprit et de mélancolie, tel qu’il ne s’en trouve pas un second exemple. » De cet équilibre entre la comédie et le drame, entre le drôle et le grave, les metteurs en scène, depuis maintenant deux ou trois décennies, font souvent pencher la balance vers le plus sombre. Telle n’est pas la volonté de Netia Jones, qui insiste, dans ses notes d’intention reproduites dans le programme, sur la drôlerie de la pièce de Beaumarchais, que le livret de Da Ponte et la partition de Mozart ont voulu sublimer. Qui voudrait voir, dans ce retour proclamé aux racines théâtrales et à la nature comique de l’œuvre, l’annonce d’un spectacle virevoltant et virtuose pourrait néanmoins s’exposer à quelques désillusions. A priori, transposer l’action dans les coulisses d’un théâtre pendant les répétitions de la pièce de Beaumarchais n’avait pourtant rien d’un contresens : coiffeur et perruquier (profession somme toute assez voisine de celle barbier, qu’il exerça dans une autre vie …), Figaro s’apprête à convoler avec Susanna, la couturière, mais se heurte aux agissements libidineux d’un acteur poursuivant de ses assiduités toutes les femmes qui ont le malheur de passer devant sa loge. Actrice, elle aussi, la Comtesse Almaviva dissipe son ennui en collectionnant les bouquets de fleurs, tandis qu’on ne sait pas vraiment qui est Chérubin, mais un ado reste un ado, donc va pour le survêtement rouge et la casquette. Si le théâtre dans le théâtre n’a rien de très novateur, il bénéficie en l’espèce d’une scénographie chic à la Robert Carsen, autre grand amateur du procédé. Le problème, c’est qu’une fois le concept posé, il convient de le faire vivre. Or, c’est la vie qui manque ici. Alors que le vaste plateau de Garnier doit se contenter, pour son remplissage, des tics habituels que l’on retrouve aujourd’hui dans trois mises en scène sur quatre (doubles des personnages en projections vidéo, effeuillage régulier des protagonistes, etc.), l’inexplicable absence de direction d’acteur menace – un comble ! – de faire retomber jusqu’aux quiproquos les plus payants. Pas de huées aux saluts, car au fond tout cela reste élégant ; il n’empêche que nous quittons notre siège sans être certain que Netia Jones savait ce qu’elle voulait vraiment nous dire avec cette nouvelle production.  

Souvent condamnés à l’immobilité, les chanteurs ne peuvent compter que sur leur propre charisme pour faire vivre leurs personnages. A ce petit jeu, Peter Mattei a des atouts vainqueurs : on pourrait entendre ce Comte encore cent fois sans se lasser une seconde de son extraordinaire magnétisme. Le crémeux inaltéré de la voix achève un portrait toujours aussi convaincant. Et puis Lea Desandre… « Voi che sapete » a beau avoir été interprété par toutes les chanteuses du monde, seule une petite poignée d’artistes a su dessiner un Cherubino totalement abouti. Il y a eu le raffinement de Sena Jurinac, la fraîcheur de la jeune Christa Ludwig, la sensibilité de Frederica von Stade. Aujourd’hui, il y a Lea Desandre, timbre d’ambre et engagement total qui font palpiter la moindre phrase. Luca Pisaroni demeure, en Figaro, une référence. Arrivé en castrophe pour remplacer Adam Palka (lui-même appelé en remplacement d’Ildebrando d’Arcangelo), il faut mettre sur le compte de ces circonstances inhabituelles les quelques décalages et les aigus blanchis entendus en début de soirée, tant il fait mieux que se rattraper par la suite, appuyé sur un instrument percutant et une incarnation toujours aussi forte. Anna El-Kashem, elle aussi remplaçante (de Ying Fang), pourrait évoquer, avec sa voix claire et son vibrato juvénile, un souvenir de Barbara Bonney ; mais le volume paraît bien confidentiel. La projection pose aussi quelques problèmes à Maria Bengtsson, pas toujours audible dans des ensembles, émouvante cependant dans un « Dove sono » sur le fil. Parmi des seconds rôles où l’on retient la jolie Barbarina de Kseniia Proshina et le Bartolo hargneux de James Creswell, Dorothea Röschmann fait une Marcellina de luxe, apportant à chaque réplique une connaissance intime, presque organique, de la ligne mozartienne.  

Pour sa deuxième et dernière production de la saison, Gustavo Dudamel confirme son entente avec les musiciens de l’Opéra de Paris, nonobstant quelques décalages qui devraient se corriger d’eux-mêmes au fur et à mesure des représentations : sa direction les met en valeur à chaque instant, souligne mille détails, des sourires échangés par le hautbois et le basson dans « Sull’aria » aux grognements des cordes dans « Aprite un po’ quegli occhi », et veille les poings serrés à la progression dramatique, admirable dans le final du II. Les apports des lectures sur instruments d’époque sont bien loins ; pourtant, tout cela s’anime, respire, vit – le théâtre, ce soir, se trouvait dans la fosse !

Clément Taillia


O ESPETÁCULO (Publicis, 2015)

Le Nozze di Figaro é uma daquelas obras que a gente vê, revê e volta a ver a vida inteira sem cansar. Nada se assemelha às operas de Mozart, tocadas pela graça e pelo humor expressos pelas notas geniais do compositor. Os encenadores e os intérpretes (não apenas cantores) podem sublimar a obra de Mozart mas acaba por ser a música o cerne de todo o prazer que os espectadores têm ao ver encenadas as suas obras. Esta produção de David McVicar para o Covent Garden data de 2006 e tornou-se popular, com várias reposições ao longo dos anos. Vi uma dessas reposições, a de 2010, no próprio Covent Garden (com David Syrus à frente da orquestra) e agora volto a ver outro revival em transmissão direta para as salas de cinema (o maestro desta vez é Ivor Bolton). Segundo as minhas notas (a memória não vai lá...) vi pela primeira vez Le Nozze di Figaro no Coliseu do Porto em 2002 e igualmente em Paris, na Bastille, em 2011 (encenada por Giorgio Strehler). Portanto é uma das óperas que melhor conheço e cujo reencontro é sempre um acontecimento. Fico sempre extasiado perante os números de grupo, com aquela desarmonia e harmonia das vozes de que Mozart tinha o segredo, sem desprimor para as árias de uma só personagem, como as maravilhosas e imortais árias de Cherubino (Non Più Andrai" e "Voi, che sapete che cosa é amor") e a de Figaro ("Non più andrai"). Bem, isso são pormenores sem importância perante tamanha obra musical, tamanha obra de arte. Paris 10.2015 Cinéma Publicis 5/5

DISCOTECA 6:

Karl Bohm 1968
Coffret LP Vinil D.G
DISCOTECA

Giulini/1961 (Diapason)

Solti/1981*

Ostman/1988exc

Haitink/1994(DVD) 


Erich Kleiber/1955

CD Le Monde
DISCOTECA


BIBLIOTECA:

L'Avant-Scène Opéra n° 135-136
Edição de 1999 (original é de 1990)
BIBLIOTECA