Pela primeira vez, quando comprava um bilhete para a ópera em Covent Garden, fui prevenido de que o espetáculo tinha cenas de sexo. Meses antes, foi um rebu na mesma sala quando o sexo (uma violação em tempo de guerra) invadia Guillaume Tell (Rossini). Mas estes ingleses julgam-se franceses? A Rainha que se cuide, que algo está a mudar no seu Reino Unido. Agora, em Lucia di Lammermoor, o sexo foi um pormenor picante mas dispensável que só deve ter atrapalhado os cantores. No início, Lucia e o seu amante Edgardo encontram-se no cemitério para viver carnalmente o seu amor, aos olhos da aia de Lucia e das estátuas em volta. É aí que a grande soprano Diana Damrau se encavalita no colega, seguindo-se uma dança de ancas com uns panos brancos a passar daqui para acolá para não fazer resvalar a função para a ordem do explícito. Todo este contorcionismo não prejudicou os miados sublimes dos amantes. Mérito dos atores-cantores. Cada vez gosto mais desta obra e esta soirée foi o momento alto desta passagem por Londres. Covent Garden 04.2016: 5/5
