Os românticos franceses reconheceram Shakespeare como um dos seus, como um romântico avant la lettre quase tão distante no tempo quanto os Antigos para os renascentistas. A ópera inspirou-se muito em Shakespeare e Hamlet, de Thomas, é umas adaptações mais polémicas do bardo inglês. No entanto, é óbvio que Thomas e os seus libretistas interessaram-se mais pelo mito de Hamlet do que pela tragédia de Shakespeare. A ópera parece-se de facto com muitas óperas da mesma época, tendo sido concebida dentro do género francês em voga da grand opéra, apesar de ser particularmente intimista e reflexiva o que entra em contradição com as prioridades da grand opéra. Hamlet não é hoje muito representada mas foi no século xix uma das óperas mais populares. A atual produção da Opéra-Comique é muito boa. A encenação é moderna, com extenso recurso ao vídeo, e há papéis que vêm a calhar para consagrar os grandes cantores franceses da nova geração como Stéphane Degout (Hamlet) e Sabine Devieilhe (Ophélie). O público aplaudiu-os efusivamente. Não fiquei convencido da qualidade excecional de Hamlet, mas gostei muito de ter visto este espetáculo. Direção musical de Louis Langrée, mise en scène de Cyril Teste, Choeur e Orchestre des Champs-Élysées. Paris 12.2018 Opéra-Comique 3,5/5
Intérpretes: Stéphane Degout (Hamlet), Sabine Devieilhe (Ophélie), Sylvie Brunet-Grupposo (Gertrude), Jérôme Varnier (Le Spectre), Laurent Alvaro (Claudius), Julien Behr (Laërte), Kevin Amiel (Marcellus, 2ème Fossoyeur), Yoann Dubruque (Horatio, 1er Fossoyeur), Nicolas Legoux (Polonius).









































