Esta é uma daquelas óperas caídas no esquecimento depois da criação, há mais de 150 anos. Esquecimento muito injusto. Vi um espetáculo de quase três horas sem falhas maiores e sem momentos dispensáveis ou desinteressantes. Acontece por vezes aos melhores, como Wagner. La Nonne Sanglante é a segunda ópera de Gounod e foi um fracasso na estreia. A ópera deve tudo ao romantismo da época. Adapta uma história de Lewis Monk, pioneiro da literatura gótica, e inspira-se numa adaptação teatral francesa desse romance. Conta a história de um fantasma, o espírito de uma mulher morta pelo amante e que não deixa os vivos em paz enquanto não for vingada. Vai assim separar dois amantes e utilizar o noivo para vingar o crime passado. A grande estrela deste grande espetáculo é Michael Spyres no protagonista masculino, um papel difícil que ele serve de forma superior. Na verdade, gostei de tudo, sendo o equilíbrio o grande trunfo desta produção da Opéra-Comique. Até a encenação, tantas vezes a má da fita, deixa boa memória. A Opéra-Comique continua a assegurar um serviço público digno de nota. Paris 06.2018 OC 5/5
Direção musical: Laurence Equilbey & Insula Orchestra, Choeur Accentus. Mise en scène: David Bobée.
Cantores: Michael Spyres, Vannina Santoni, Marion Lebègue, André Heyboer, Jodie Devos, Jean Teitgen, Luc Bertin-Hugault, Enguerrand De Hys, Olivia Doray
