O ESPETÁCULO (Bastille, 2022)
O ESPETÁCULO (Bastille, 2018)
É a segunda vez que assisto a Parsifal. No ano passado vi-o no cinema, transmitido de um teatro de Berlim. Não gostei. Desta vez foi na Opéra Bastille, encenado por Richard Jones e com direção musical de Phillipe Jordan. Gostei bastante, mas também confirmei o que não me atrai em Wagner: o argumento e as personagens. Parsifal é o cavaleiro que vai conseguir vencer Klingsor e trazer para a irmandande do Graal a espada sagrada, que vai curar o chefe Amfortas, que no início da ópera tinha sido ferido pela mesma, quando esta caiu nas mãos de Klingsor. Wagner apreciava as lendas e a mitologia medievais por si mesmas, sem aparentemente fazê-las dialogar com o seu mundo contemporâneo. Parsifal é uma ópera excessivamente viril, se bem que dominada por valores religiosos. A honra (masculina) e a autoridade e devoção do pai (e do Redentor) norteiam a ação e a vida dos cavaleiros, remetidos à castidade. A mulher (Kundry) é um joguete na mão dos homens, e assim, entre feiticeira e puta, não sobra espaço para a afirmação da sua feminidade e da sua individualidade. Que saudade das heroínas, também sacrificadas ao poder masculino, de Verdi e Puccini... Musicalmente tudo esteve muito bem, com cantores superlativos, cujo canto anuncia já (em 1882) certas obras em língua alemã do século seguinte. A dimensão narrativa do libreto é considerável, e talvez por isso o canto se aproxime tanto do discurso falado em detrimento da sua função lírica... O futuro da ópera alemã, um futuro/presente que pouco me entusiasma, passava por Parsifal. Apesar das minhas reticências quanto ao libreto, gostei muito de assistir a este Parsifal. Paris 05.2018 Opéra Bastille 4/5
Parsifal (Wagner, 1882)
Direção musical: Philippe Jordan
&
Orchestre e Chœurs de l’Opéra national de Paris
Mise en scène: Richard Jones
com
Andreas Schager (Parsifal)
Peter Mattei (Amfortas)
Reinhard Hagen (Titurel)
Günther Goissböck (Gurnemanz)
Evgeny Nikitin (Klingsor)
Anja Kampe (Kundry)
O ESPETÁCULO (2016)
Uma desilusão esta estreia pessoal ao universo do Parsifal de Wagner. O espetáculo foi filmado em 2015 em Berlim e dirigido musicalmente por Daniel Baremboim. Tudo excelente ao nível artístico. O problema é mesmo esta ópera em si. Nunca me interessaram os libretos mitológicos de Wagner, tal como nunca liguei para os libretos densos, intrincados, da ópera barroca. Nesta, no entanto, as componentes instrumental e vocal sublimam o resto. Em Wagner o texto, por vezes excessivamente narrativo, toma a primazia. Não é possível ignorá-lo e dar atenção apenas à música. Quando não se entra na história de Parsifal não se pode apreciar minimamente esta ópera. Paris 05.2016 Cinema Balzac 2/5



