A DAMA DE ESPADAS (1890)

 O ESPETÁCULO


A Dama de Espadas é uma das grandes obras de Tchaïkovski. Se ao nível vocal não me deixou empolgado (não tem árias populares e é em russo) como obra musical (instrumental) e teatral foi uma revelação. Por exemplo, Tchaïkovski faz por vezes música à maneira de Mozart (a história passa-se no século 18), antecipando tendências modernas como o pastiche e a colagem. Tchaïkovski foi ousado ao propor uma adaptação bem infiel ao clássico de Pouchkine, mudando o fim e a psicologia das personagens principais. O que me surpreendeu mais foi a dimensão autobiográfica da ópera, posta em evidência pela ousada encenação. Tchaïkovski como personagem está quase sempre em cena, compondo a sua obra, sofrendo com os seus personagens. Paris 2.2019 Cinema Publicis Paris/Londres 4,5/5
Covent Garden 2019. Stefan Herheim (encenação), Antonio Pappano (direção musical), com Aleksandrs Antonenko (Hermann), Eva-Maria Westbroek (Lisa), Felicity Palmer (a condessa), Vladimir Stoyanov (Prince Yeletsky).